Por Daniel Theodoro

Diluir um pouco de Bíblia na rotina mostra que, antes de almejar escutar o som da angelical trombeta no último dia, a gente precisa apurar o ouvido para escutar o cantar do galo diariamente. 

É o retumbante cacarejar que acorda o sujeito para a vida, convencendo-o de sua insuficiência moral, convidando-o para deixar de cumprir sua agenda religiosamente.

Os evangelhos contam que o galo cantou na madrugada e Pedro despertou para sua condição de seguidor errante. O aviso sonoro ecoou o sentimento de culpa na mente do discípulo que acabara de negar seu mestre. O episódio chama atenção para o fato de que o processo de amadurecimento do verdadeiro discípulo de Cristo passa pelo frustrante exercício de se descobrir incompatível com a vocação para a qual Jesus convoca seus escolhidos.

Contudo, engana-se quem pensa que a carreira cristã é promovida por culpa. O remorso é substituído pela redenção. Basta notar que o Pedro dos Evangelhos é um Pedro diferente de Atos, trata-se de um sujeito que acordou para a vida depois que o galo cantou. A aparente incompatibilidade entre a fraqueza de Pedro e o chamado para a redenção foi corrigida pela ação do Espírito Santo a partir do momento em que o discípulo admitiu ser incapaz de alcançar o elevado padrão por iniciativa própria.

Convicto da necessidade de renovar a mente diariamente, o crente rende-se, buscando trazer a santidade para mais próximo de si, embora saiba que jamais poderá alcançá-la plenamente.

A partir de então, inicia-se uma inédita transformação na vida do discípulo. Cada nova manhã é prenúncio daquele último dia quando haverá reconciliação plena entre mente e coração, uma data que marcará o final da história, um tempo em que o cantar do galo será substituído pelo louvor dos anjos na glória eterna.

  • Daniel Theodoro, 33 anos. Cristão em reforma, casado com a Fernanda e à espera do Matteo. Formado em Jornalismo e Letras.

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