Por Maurício Avoletta Júnior

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. (1 Coríntios 13:11)

Embora pareça simples escrever sobre o dia dos pais, é justamente essa simplicidade que complica as coisas. Como escrever sobre esse dia sem incorrer no grande risco de ser clichê e permanecer na categoria do “mais do mesmo”? Por causa dessa dificuldade, fui fazer uma breve pesquisa. O que acabei achando foram textos e mais textos lotados de clichês piegas. Não me entenda mal, não sou avesso à clichês. Pelo contrário, eu mesmo tornei-me adepto de uma porção de clichês dos quais jurei nunca nem chegar perto. Porém, em alguns casos, o clichê pode atrapalhar naquilo que pretendemos dizer.

Durante essa breve pesquisa, deparei-me com um texto que falava a respeito da origem do dia dos pais. Segundo o autor, existem duas origens para essa data, uma boa e outra ruim. A boa é trágica, a ruim também. A primeira gira em torno de diversos acidentes no início do século passado, lá nos Estados Unidos, envolvendo homens que, em sua grande maioria, eram pais de família. Esses acidentes foram gerando uma comoção popular e, diante da tragédia de lares destruídos, as pessoas foram, com o tempo, reservando uma data para relembrarem a memória desses diversos pais. Em 1972, o então presidente dos EUA, Richard Nixon, assinou uma lei que decretava que, em todo terceiro domingo de junho, seria comemorado nacionalmente o dia dos pais.

A segunda origem refere-se à comemoração da data no Brasil. Aqui ela não está alinhada a diversos acidentes, mortes e tragédias. Não. A data no Brasil é trágica porque surgiu puramente como uma jogada de marketing para vender mais produtos. Pelo menos pensaram numa desculpa para justificar esta data, que não apenas por ganância. A data é comumente atribuída à figura de São Joaquim que, segundo a tradição Católico Romana, é considerado o pai da virgem Maria, ou seja, uma espécie de patriarca cristão. Ainda que ambas as histórias tenham uma origem trágica, mesmo que por motivos distintos, elas acabam evidenciando uma mesma verdade. Uma óbvia verdade, mas que hoje em dia, por uma série de fatores, temos esquecido. A verdade que o homem, como criatura de Deus, possuí um papel na criação que não pode ser substituído.

Um dos acidentes que geraram essa data, lá nos Estados Unidos, foi uma explosão numa mina de carvão em Monongah, na Virgínia, em que 250 dos mortos eram pais. 250 famílias foram desfeitas e, no mínimo, 250 filhos tornaram-se órfãos. Toda morte é uma tragédia, independentemente do motivo. A morte precoce é uma interferência pecaminosa no plano da criação divina. Esse acidente evidenciou a falta que um homem faz no seio de uma casa. Hoje em dia, infelizmente, essa falta ainda é sentida, porém não é resultante de nenhuma morte ou tragédia física, mas moral.

No livro O Significado do Casamento, o pastor presbiteriano Tim Keller, ao falar sobre a verdadeira masculinidade, diz que, hoje em dia, a maioria dos homens acreditam que, num relacionamento perfeito – como se isso existisse -, não é preciso que nenhum dos dois mude, pois ambos se completam. Ou seja, os homens não querem um relacionamento em que um irá crescer com o outro, mas apenas uma forte amizade onde eles poderão fazer muito sexo, e evitar maiores problemas.

Os homens não são mais homens. Quando faço essa afirmação, não pense que estou querendo dizer que ser homem é sinônimo de ser um brutamontes, um brucutu, um lenhador sem sentimentos e que não toma banho. Não. Isso, na verdade, é uma perversão da visão cristã de masculinidade, tanto quanto a feminilização do homem. Há um equilíbrio que está perdido hoje em dia e que é preciso recuperá-lo. Nós, homens, não somos mais homens, mas eternas crianças. Ou queremos ser o monumento inabalável, ou o castelinho de areia facilmente levado por qualquer sopro.

Aqueles acidentes nos Estados Unidos foram uma tragédia por dois motivos. O primeiro se dá pelo fato de que vidas humanas foram perdidas e, como seres humanos – e principalmente como cristãos! –, devemos ter em mente que todas as vidas importam. O segundo porque diversos filhos perderam seus referenciais de pai e mulheres perderam seus maridos. Famílias foram destroçadas e isso é profundamente triste.

Comumente ouvimos diversos jovens e adolescentes reclamando de seus pais, e isso é normal. Porém, existe uma constância maior de filhos que não reclamam mais de seus pais, pois estes permitem que os filhos façam tudo o que quiserem. Eles pensam que estão dando liberdade para seus filhos, quando, na verdade, os estão prendendo neles mesmos. É urgente retomarmos à figura de autoridade dos pais e, principalmente, é urgente que o homem volte ao seu lugar e assuma seu papel. É necessário que nós, homens, deixemos de ser meninos.

O dia dos pais é um dia em que os filhos comemoram a presença dos pais em suas vidas. Infelizmente, muitos filhos vão apenas comemorar a presença de alguma figura paterna ou, infelizmente, nem irão comemorar. Em alguns casos, a falta de comemoração se dá pela morte, em outros, pela omissão, outros, pela falta de masculinidade.

Se você, assim como eu, é apenas filho e ainda não comemora o dia dos pais como um pai, honre a vida ou a memória de seu pai, ou de quem o criou, sendo um homem. Buscando ser um pequeno Cristo, um Cristinho. Seja um homem de verdade e imite a Cristo. Se você é pai, faça o mesmo. Não há segredos. Não há técnicas inovadoras. Não há macetes. Sejam como Cristo e Cristo será evidenciado em vocês. Sejam como Cristo e serão ótimos filhos e, também, ótimos pais. Sejamos como Cristo. Sejamos Cristo.

  • Maurício Avoletta Junior, 24 anos. Congrega na Igreja Batista Fonte de Sicar (SP). Formado em Teologia pela Mackenzie, estudante de filosofia e literatura (por conta própria); apaixonado por livros, cinema e música; escravo de Cristo, um pessimista em potencial e um futuro “seja o que Deus quiser”.

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