A injustiça é classificada como pecado. Não é mero descuido ou simples falta de educação.

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“Toda injustiça é pecado” (1Jo 5.17). Pecado grave, Pecado que provoca zelos no Senhor. Pecado que há de ser cobrado, a menos que confessado e abandonado, seja perdoado e purificado por Deus (1Jo 1.9). “Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, que se vale do serviço do seu próximo sem paga, e não lhe dá o salário” (Jr 22.13). É preciso tomar muito cuidado com a injustiça, porque os clamores dos injustiçados penetram mesmo até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos (Tg 5.4).

 

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Injustiça não é apenas reter salários. É injustiça seduzir e possuir a mulher do próximo: ele tem direito de posse sobre o corpo dela. É injustiça seduzir e possuir o marido de qualquer mulher: ela tem direito de posse sobre o corpo dele (1Co 7.4). Davi praticou injustiça ao tomar para si a cordeirinha do homem pobre: ela era propriedade de Urias (2Sm 12.1-6). Porque o rei fez tal coisa, alguém tomou as suas mulheres e se deitou com elas, em plena luz do sol (2Sm 12.11; 16.20-23).

 

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Nisto não há acepção de pessoas: “aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita” (Cl 3.25). O salário da injustiça praticada é a própria injustiça (2Pe 2.13). É como dizemos: o feitiço vira contra o feiticeiro. É, sem dúvida, horrível e também verdadeiro e repetitório: “O que semeia a injustiça segará males” (PV 22.8). Daí a advertência: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará” (Gl 6.7).

 

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A regra de comportamento é sempre bilateral: “Tudo quanto quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12). Tudo o que você deseja e exige dos outros diz respeito a você também. Não há dois pesos e duas medidas: “uns e outras são abomináveis ao Senhor” (Pv 20.10). A injustiça reside aí, quando você faz questão de ser tratado de maneira correta e não se preocupa em tratar os outros de semelhante modo.

 

5

“Toda injustiça é pecado.” Inclusive a injustiça cometida contra Deus. É injustiça deixar de dar “a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21). Comete injustiça aquele que inverte a ordem certa e se coloca no centro do universo. Aquele que não busca em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, preocupando-se, antes, com os seus próprios interesses (Mt 6.13). É grave injustiça porque “tudo provém de Deus” (2Co 5.18) e “nele vivemos e nos movemos, e existimos” (At 17.28).

 

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A injustiça é classificada como pecado. Não é mero descuido ou simples falta de educação. É pecado, o que vale dizer é dívida assumida contra Deus. A injustiça transforma-se, com o tempo, em hábito, em vício, em forma de vida, em atividade constante. Daí dizer-se: “Continue o injusto fazendo injustiça”, enquanto o justo continua na prática da justiça (Ap 22.11). Por esta razão, “aparta-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor” (2Tm 2.19). Este não se alegra com a injustiça (1Co 13.6)!

 

Artigo originalmente publicado na edição 128 de Ultimato.

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