Numa Europa reconhecidamente pós-cristã (ou neopagã), é extraordinário e profundamente alentador reconhecer que é de lá que estão saindo as vozes mais evangelicais de todo o mundo no presente momento de anarquia moral, confusão religiosa e superficialidade teológica. Para sermos mais exatos, essas vozes estão saindo da velha Inglaterra, cujos templos há muito tempo estão se transformando em restaurantes, clubes, museus e mesquitas.

Mais extraordinário e alentador ainda é o fato de que as vozes estão saindo do anglicanismo, o ramo protestante mais ecumênico, mais ritualista e um dos mais atingidos pelo liberalismo ético e teológico. E essas vozes são autênticas e despidas de legalismo, farisaísmo, fundamentalismo, denominacionalismo, literalismo e arrogância teológica. Não são vozes luteranas, reformadas, presbiterianas, batistas, metodistas ou assembleianas, mas anglicanas. Ainda que Deus tenha falado muitas vezes e com sucesso por meio de pessoas de pouca cultura formal e pouco reconhecimento na sociedade de seu tempo, as vozes que vêm da Inglaterra são de pessoas que gozam de grande reputação tanto no Reino Unido como no restante do mundo.

Entre estes profetas (John Stott, C. S. Lewis, J. I. Packer, N. T. Wright e Alister McGrath), destaco, sem medo de errar, o primeiro, sem desmerecer os demais. Tenho profunda gratidão a Deus por este seu servo, cujos livros alimentam o meu entusiasmo, o meu cristocentrismo, a minha ortodoxia e a minha espiritualidade.

Como tenho o costume de copiar as frases mais importantes da maior parte dos livros que leio, transcrevo aqui alguma das 86 frases de John Stott, que retirei do seu livro A Missão Cristã no Mundo Moderno, todas muito cristocêntricas.

Frases de Stott

O Pai enviou o Filho para ser o Salvador do mundo, e, com esse propósito, fazer expiação pelos nossos pecados e nos dar a vida eterna. Na verdade, ele mesmo disse que havia vindo para “buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10). Não podemos copiá-lo nessas coisas. Não somos salvadores. (p. 27)

 

Jesus sabia que ele tinha de servir antes de ser servido e enfrentar o sofrimento antes de receber o domínio. Assim, ele fundiu duas imagens do Antigo Testamento aparentemente incompatíveis – a do Filho do Homem em Daniel, e a do Servo Sofredor em Isaías. (p. 28)

 

Jesus não desceu como visitante de outro planeta nem chegou como estrangeiro trazendo consigo sua própria cultura. Ele tomou sobre si nossa humanidade, nossa carne e sangue, nossa cultura. Na verdade, ele se tornou um de nós e experimentou nossa fragilidade, nosso sofrimento e nossas tentações. Ele até assumiu nosso pecado e morreu nossa morte. (p. 29)

 

“Bíblia” e “evangelho” são quase termos alternativos, pois a principal função da Bíblia em toda a sua extensão é testemunhar Jesus Cristo. (p. 53)

 

A primeira palavra de Pedro no dia de Pentecostes foi Jesus, e Jesus deve ser a nossa primeira palavra também. Jesus Cristo é o coração e a alma do evangelho. (p. 53)

 

Atualmente existem muitos Jesus por aí. Existe Jesus, o mito bultmaniano, e Jesus, o agitador revolucionário; Jesus, o superstar falido e Jesus, o palhaço de circo. São dessas reinterpretações humanas que precisamos urgentemente nos desvencilhar e restabelecer o Jesus autêntico, o Jesus da história, que é o Jesus da Escritura. (p. 58)

 

O símbolo da religião de Jesus é a cruz, não a balança. (p. 62)

 

A missão de Jesus era uma missão de resgate. Ele “veio ao mundo para salvar os pecadores” e “o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo” (1 Jo 4.14). (p. 101)

 

Texto originalmente publicado na seção "Opinião" de Ultimatoonline.

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