O homem total tem carência de pão, de conhecimento, de recreio, de trabalho, de sono, de amor e também de Deus, do infinito, do invisível, de eternidade.

É preciso escolher entre sensação de bem-estar e impressão de bem-estar. São dois estados de espírito com certas semelhanças superficiais, mas, na realidade, muito diferentes. Há coisas que provocam mesmo uma real sensação de bem-estar e outras que provocam apenas uma impressão de bem-estar. A primeira é verdadeira; a segunda é mentirosa. A simples impressão de bem-estar, além de decepcionante, é até perigosa, pois “aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição” (Pv 1.22). O pastor da igreja em Laodicéia afirmava: “Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma”, sem saber, no entanto, que ele, na vida real, era infeliz, miserável, pobre, cego e nu (Ap 3.17).

Não haverá uma autêntica sensação de bem-estar se este sentimento depender de expedientes mecânicos, como a ingestão de álcool. Trata-se de uma euforia artificial, irreal e passageira. Depois, virá aquilo que se chama de ressaca, o efeito pós-anestésico do álcool, que inclui uma terrível auto antipatia, além de dores e incômodos físicos.

Não haverá uma autêntica sensação de bem-estar se este sentimento depender exclusivamente de bens que satisfaçam as necessidades de recreio, de segurança financeira, de prosperidade social e intelectual. Jesus declarou conclusivamente que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4). Se não alimentarmos o espírito, se não tivermos comunhão com Deus, nos desgostaremos da própria vida, da eterna mesmice, da vaidade das possessões, da sabedoria, do trabalho, das riquezas. Concluiremos, como o autor de Eclesiastes, que “tudo é vaidade” (Ec 1.1-5). O homem total tem carência de pão, de conhecimento, de recreio, de trabalho, de sono, de amor e também de Deus, do infinito, do invisível, de eternidade. É uma questão de estrutura.

Não haverá uma autêntica sensação de bem-estar se este sentimento estiver na dependência exclusiva de bens que valem só para o período de vida que vai do berço ao túmulo. Ninguém conceberia uma nave espacial que apenas levasse o homem à Lua e não dispusesse de recursos outros para trazê-lo de volta à Terra. Assim, é loucura e motivo de insegurança cercarmo-nos de apetrechos úteis à vida atual e irrelevantes para a vida do além-túmulo. A muitos é difícil compreender plenamente que “a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15-21). Os que vivem na base do “comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (1 Co 15.32) só podem ter uma impressão de bem-estar, e nunca uma sensação de bem-estar. Que Deus o livre daquela e lhe dê esta.

Texto publicado originalmente na edição 268 de Ultimato

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