Foto: Rodolfo Oliveira | Ag. Pará | São Félix do Xingu, Pará

Falar sobre os povos indígenas do Brasil é olhar para uma história manchada de sangue e perceber uma história de sobrevivência. Sim, temos uma dívida para com os povos indígenas, pois se existem inquilinos no Brasil, esses inquilinos não são os indígenas, já que eles estavam em Terra Brasilis muito antes de qualquer outra pessoa chegar aqui, e após mais de meio século de violações, massacres, imposições e injustiças, a dívida para com eles parece aumentar.

Também não é possível falar dos povos indígenas sem lembrar das incursões religiosas, sejam católicas ou protestantes. Com objetivos proselitistas, evangelísticos ou assistenciais, acertando e errando, o evangelho de Jesus Cristo foi transmitido a muitas tribos. Em alguns casos foi uma imposição legalista e sem sensibilidade cultural. Em muitos outros trouxe transformação genuína, dignidade e vida plena.

Em seus cinquenta anos de existência Ultimato publicou bastante conteúdo sobre os povos indígenas e a relação desse grupo com o evangelho. São artigos, notícias e reflexões diversas, escritas por vários colaboradores. Essa diversidade mostra um pouco da complexidade e abrangência do assunto. Confira:

Índio também peca

[Isaac Costa de Souza e Elias Coelho Assis]

Para muitos etnólogos, o indígena é um ser pleno, vivendo em perfeita harmonia consigo, com a sua sociedade e com a natureza. Por isso, com frequência, missionários são acusados de introduzir a noção de pecado entre os grupos tribais. Até que ponto isso é verdade? Leia mais >>>

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19 de abril – Dia do Índio

Ir para a roça, pescar e caçar, tomar banho no rio. Assim foi a vida de Henrique Dias até seus dezesseis anos, desfrutando de tudo o que um indígena nascido em uma aldeia pode desfrutar. Apreciador da cultura tribal, ele é um dos líderes do movimento evangélico indígena e atuante na promoção da qualidade de vida de seu povo.

Nascido em 24 de agosto de 1962, na aldeia Córrego do Meio Buriti, município de Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, Henrique cresceu no seio de uma família indígena da etnia Terena e evangélica. Entregou sua vida a Jesus aos nove anos de idade. Hoje, mais conhecido apenas como Henrique Terena, é pastor, formado em Teologia pelo Seminário Palavra da Vida e presidente do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei).

Em entrevista concedida ao blog Paralelo10, Henrique Terena fala sobre seu encontro com Jesus, sua atuação na Funai e no Conplei; comenta os avanços e desafios da igreja indígena nacional, e a relação do evangelho com a cultura e a identidade indígena.

Como foi o seu encontro com Jesus?

Tive a felicidade de ter nascido num lar cristão, onde o apego à palavra de Deus era a nossa prática diária. Mas a minha conversão se deu por meio de um trabalho com crianças, feito por missionárias que trabalhavam em nossas comunidades. Isso se deu aos nove anos de idade, junto aos demais que naquele dia entregaram suas vidas ao senhor Jesus.

O que você mais aprecia na cultura do seu povo?

Como em todas as culturas há coisas boas e coisas ruins. A cultura tribal é muito bonita, mas as coisas que eu mais aprecio são a língua, a comida típica e as nossas danças.

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É de conhecimento de muitos que há centenas de indígenas na região amazônica, principalmente no norte do Brasil. Mas você já ouviu falar ou sabe algo dos povos indígenas que vivem no nordeste do país? São 58 etnias, entre as quais muitas não conhecem o evangelho e algumas apresentam forte resistência.

Essa realidade desconhecida de muitas pessoas, inclusive da própria igreja no nordeste, foi o que levou o pastor Ricardo Poquiviqui a deixar sua cidade no centro-oeste e se mudar para o nordeste com o objetivo de tornar o evangelho conhecido entre os povos indígenas daquela região.

Poquiviqui é indígena da etnia Terena, pastor com bacharel em Teologia, casado com a Flávia e pai da Renata. É secretário nacional do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei), coordenador geral do Conplei Jovem, missionário desde 2002 entre povos indígenas no Mato Grosso do Sul, MS. Confira a breve entrevista que o pastor concedeu ao Paralelo10.

Por que você se mudou para o nordeste?

Mudamos para o Nordeste porque os povos indígenas clamam! São 58 etnias, sendo que 29 não tem nenhuma igreja e tem casos de tribos que não tem um crente! Eles vivem com práticas espíritas e católicas, mas não querem crentes e nem igreja evangélica. Eles estão morrendo sem o Salvador, esses povos precisam de missionários. No norte e Centro Oeste tem muitas missões e igrejas, bem como missionários entre os povos indígenas, mas no nordeste faltam muitos ainda e por isso estamos aqui.

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É justamente na tentativa de promover um ambiente para o debate equilibrado sobre temas que, muitas vezes, geram divisões e divergências entre os cristãos que a Missão Alef promove o fórum Cristianismo Equilibrado. O encontro acontece dia 28 de abril, em Natal (RN), e terá como base o livro Cristianismo Equilibrado, de John Stott, publicado pela editora Ultimato.

>>> Clique aqui para fazer sua inscrição no fórum

De acordo com Leandro Virgílio, presidente da Missão Alef, o clima de polarização “compromete o nosso testemunho e enfraquece nossa capacidade de cooperar na missão de Deus no mundo”, e por isso a Missão Alef investe na promoção dos fóruns, pois “ao redor da mesa, se torna mais fácil ouvir o outro e abordar, com clareza e humildade, questões que nos dividem”.

Confira abaixo a entrevista concedida por Leandro ao Paralelo10.

P10 – Como surgiu a ideia de um fórum com este tema?

Leandro Virgílio: A polarizarão é uma realidade desafiadora no momento em que vivemos. Acreditamos que um esforço intencional por equilíbrio e diálogo é novamente necessário. A obra de Stott foi escolhida por, mesmo tendo sido escrita há algumas décadas, se mostrar muito pertinente e atual, já que em nossos dias precisamos de equilíbrio entre razão e emoção, entre sermos conservadores ao mesmo tempo radicais, entre forma e liberdade e entre evangelismo e ação social! Esperamos que o fórum nos ajude a fortalecer os esforços para trazer um equilíbrio a estes debates, de um modo a promover convergência, sobretudo, para a ação missional da igreja. Continue lendo →

Pastor Ivan Martins, de camisa branca, em uma das reuniões com a Diaconia. | Arquivo pessoal

A violência urbana gera dinheiro, audiência e votos. Ainda que as questões centrais em nosso país sejam a economia e a soberania nacional, certamente o tema da violência estará em evidência nas próximas eleições. Para a mídia, serve de cortina de fumaça para os interesses do grande capital. Ao mesmo tempo em que é uma realidade comum à maioria de nós, as propostas de superação são divergentes. Curiosamente, Direita e Esquerda apresentam propostas parecidas e, como temos percebido, ineficientes. Os estudos demonstram que o Estado precisa utilizar maior inteligência e possibilitar acesso à educação de qualidade.

Por mais que as igrejas queiram se isolar, se omitir, elas estão inseridas no mesmo contexto social. Seus membros, sobretudo da periferia, convivem com a violência. A superação da violência deve estar na pauta das igrejas ainda por sua confissão de fé – bem-aventurados/as aqueles/as que constroem a paz. Urge, portanto, maior envolvimento. Cremos que o Evangelho transforma. Se ele tem alcançado indivíduos (Censo 2010), as mudanças sociais são mínimas.

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Poesia fotográfica – texto de Zenilda Lua e foto de John Medcraft

 

As aves também procuram um lugar de conforto na efemeridade do tempo.

As aves sabem discernir o tempo.

E o tempo é de aço.

E o tempo às vezes parece uma poça d’água salobra, represada de tristeza.

Se Jeremias estivesse nesse tempo choraria de novo com altura sentida.

Choraria pelos jardins devorados pela avareza e cobiça

Choraria por todas as tábuas que não alcançaram os náufragos.

Olhar as aves é lembrar-se das comparações bíblicas.

A andorinha nos ensina a valorizar o local que adoramos o SENHOR.

Isaias disse se confiarmos em Deus voaremos como águias.

E Jesus ofereceu para nós, a mesma proteção que a galinha oferta aos seus pintinhos.

Sejamos como a cegonha. Prestemos atenção no tempo.

E se por alguma razão te distraíres e a lança da dúvida alcançar teu  coração.

“Pergunte para as aves do céu, elas o informarão”. (Jó 12 .7-9)

• Zenilda Lua, nascida em Patos (PB), reside atualmente em São José dos Campos(SP). Atua como Assistente Social, escreveu livros de poemas e é mãe de Brisa.

• John Philip Medcraft, nascido em Londres, naturalizado brasileiro, mora em Patos (PB) há 45 anos. É pastor presidente da ACEV (Ação Evangélica) com compromisso com missão integral nos sertões nordestinos. Apaixonado por Jesus, Betinha, Caatinga e QPR (idealmente nesta ordem).

Como um fisioterapeuta de Natal (RN) e uma psicóloga de São Paulo (SP) usam suas vocações em missões no norte do Brasil? Paulinho Degaspari e Adriana Degaspari conversam com Tiótrefes e Anny Fernandes, missionários da Sepal com atuação em Manaus (AM). Ele é professor universitário e desenvolve pesquisas na área de saúde pública. Ela é psicóloga e trabalha com o PEPE Amazonas. Ouça o Podcast e conheça essa história.