Por Raquel Lima

Era difícil acreditar que existissem pessoas tão isoladas no meio da Floresta Amazônica. Se antes era algo que eu havia escutado falar, naquele momento eu via como tanta gente ainda precisava de atenção e cuidado. Na cadência da nossa vida até lemos e sabemos, mas não nos damos conta da real condição de sermos um país de dimensões continentais, que nos eleva a certa exuberância natural e abastança, uma vez que temos um quinto de toda a água potável do planeta. A extrema pobreza e ineficiência de um governo falido e corrupto que subestima e ignora a força e dignidade do seu povo também podem ser identificadas entre os ribeirinhos.

O barulho daquele motor ligado a muitas horas, que cruzava com bravura aquelas pequenas vielas entre os igarapés, revelava entre uma mata e outra casas sobre palafitas, inundadas pelo avanço das águas. Comunidades inteiras, plantadas e populosas, emergiam no meio da floresta em completo isolamento, alheias à imensidão do Brasil, com um ritmo, uma rotina, uma identidade e perfil muito próprios.

A pele bem morena, os longos e lisos cabelos negros e o sorriso fácil são características marcantes dos ribeirinhos. A beleza pode ser explorada de muitas formas para onde quer que se olhe. Tamanha foi a benevolência de Deus naquele lugar e foi dessa bondade que surgiu, há anos, o Projeto Amazônia.]

Continue lendo →

Foto: Ascom Sead

Os produtores da agricultura familiar no nordeste são responsáveis por fornecer metade dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. A produção dos nove estados da região totalizam quase 50% dos 4,4 milhões de empreendimento do segmento. Os dados foram publicados recentemente em matéria da Carta Capital, baseados no último Censo Agropecuário, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com as informações, investimentos nos últimos anos visam adensar as cadeias produtivas locais, incorporar novas culturas e tecnologias, aumentar a compra e reduzir o impacto da seca, fenômeno que tem trazido prejuízos incalculáveis aos agricultores familiares.

Tania Bacelar, economista ouvida por Carta Capital, afirma que a seca afeta principalmente a pequena pecuária e a agricultura, pois os grandes produtores têm mais recursos para combatê-la, pois sempre ocuparam as terras perto de rios e contam com abastecimento de água mais farto.

No cenário da agricultura familiar, o Maranhão desponta na produção de mel e açaí, produtos enviados in natura para estados vizinhos, como Piauí e Pará, onde são processados e industrializados. Já o Ceará se destaca na distribuição de mudas de cajueiros-anões. O Estado é o maior produtor da fruta no Brasil.

Nota: Com informações de Carta Capital. Clique aqui leia a matéria na íntegra.

A quarta edição do Conplei Jovem reunirá a juventude indígena de mais de seis etnias diferentes, como Ticuna, Cocama, Yagua, Marubo, Matis, Mayuruna, entre outras. O encontro acontece de 16 a 19 de novembro, em Benjamin Constant, município do Amazonas localizado na tríplice fronteira: Brasil, Peru e Colômbia.

O principal objetivo do encontro é mobilizar a juventude indígena para o engajamento missionário. Além disso, o encontro quer ser um espaço para o diálogo com a juventude cristã indígena, promoção da unidade e integração dos jovens indígenas de várias tribos e etnias, ministração de estudos da Palavra de Deus, e valorização da cultura e do uso da língua materna.

De acordo com o líder do Conplei Jovem, Ricardo Poquiviqui, está surgindo um novo movimento missionário entre os indígenas no Brasil, mas para este movimento permanecer “precisamos de novos obreiros e líderes em suas aldeias, com formação acadêmica, capacitados e com visão para que se lancem ao preparo e envio missionário”.

O pastor Ricardo explica que assim como todo jovem tem seus próprios desafios, entre os indígenas não é diferente. “Hoje, o jovem indígena não vive mais a realidade que seus pais viveram. A nova geração preserva a cultura dos pais, mas está fora das aldeias[1], buscando formação acadêmica, desfrutando da tecnologia, usando celulares, aparelhos eletrônicos, mídias e redes sociais virtuais, e com todo o apelo que o pecado oferece. É justamente nesse contexto que precisamos despertar o interesse e a vocação missionária da juventude indígena, bem como todo o seu potencial para suprimento de pessoas capacitadas para o campo missionário.”, afirma.

Nota
[1] De acordo com o relatório do DAI-AMTB (2010), 48% da população indígena no Brasil vivem próximos a áreas urbanizadas ou em áreas urbanizadas.

Serviço
Evento: 4º Conplei Jovem.
Data: 16 a 19 de novembro de 2017.
Local: Igreja Evangélica Indígena, comunidade Ticuna, aldeia Filadélfia, no município de Benjamim Constant, Amazonas.
Organização: Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei).

Por Bebeto Araújo

Nasci em Recife, numa família tradicionalmente católica e sempre estudei em colégios com esta mesma orientação de fé. Muito do que aprendi na infância se diluiu na adolescência por escolhas erradas que fiz. Não encontrava na religião respostas para algumas inquietações interiores e também não via conexão alguma da “fé do domingo” com a minha vida no restante da semana.

Existia dentro de mim um inconformismo com a injustiça social e a opressão em nosso país. Em meados da década de 1980, entrei pela primeira vez na universidade e, de cara, me engajei no movimento estudantil, que tinha causas concretas de luta que poderiam “matar aquela fome interior” – as principais bandeiras eram a oposição ao regime militar e as eleições diretas para presidente!

A luta por “liberdade” (sem limites!) tornou-se uma obsessão! Justificava todos os meus atos inconsequentes com a frase: “eu nasci para ser livre!”. Até o dia em que uma adolescente me confrontou e disse, “você pensa que é livre…”. E, com muita convicção, paixão e firmeza, começou a me falar de Deus, de uma maneira não-religiosa! Apresentou-me uma perspectiva diametralmente oposta a que eu conhecia. Em síntese, a ideia era essa: “a fé cristã não é sobre o que você faz, é sobre o que Deus fez por você!”.

Continue lendo →

Por Phelipe Reis

O Novo Testamento não apresenta uma única definição de missão, mas vários paradigmas, que sinalizam diferentes perspectivas missiológicas. Um olhar atento à vida e ao ministério de Jesus, no Evangelho de Lucas, revela que missão é movimento. É o Espírito Santo agindo e se movendo. É o Filho do Homem, enviado pelo Espírito do Senhor, movendo-se constantemente: andando de casa em casa, caminhando à beira do rio, passando por aldeias e cidades, subindo montes, aproximando-se de doentes, conversando com mulheres, comendo com pessoas de má fama e acercando-se de todo tipo de pessoas, das quais muitos faziam questão de manter distância.

Missão é movimento

O envio de Jesus mostra o movimento da missão (Lc 4.18). No Evangelho de Lucas, Jesus aparece em constante movimento durante o seu ministério público, deslocando-se para aldeias e casas, retirando-se para o monte ou lugares desertos, mas, sobretudo, andando nas cidades – a palavra “cidade” aparece quarenta vezes nesse evangelho. A cidade é o palco da missão de Jesus, onde ele anda, ensina e opera milagres.

O movimento da missão de Jesus, porém, em momento algum se confunde com ativismo. O mestre também realiza o “retirar-se”, pois compreende e pratica a disciplina do descanso. Em vários momentos ele se ausentava da insistente multidão que o seguia, retirando-se para descansar e orar. Antes de chamar os doze discípulos, por exemplo, Jesus “retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus” (6.12). Em outra ocasião, após o envio e o retorno dos doze, Jesus ouviu o relatório dos discípulos e os levou para um retiro, a fim de estar a sós com eles (9.10). Oito dias após anunciar a sua morte, ele subiu ao monte para orar e levou consigo Pedro, João e Tiago (9.28). Também era costume de Jesus retirar-se para orar no monte das Oliveiras (22.39), o mesmo local onde Judas o entregaria “aos principais sacerdotes, capitães do templo e anciãos que vieram prendê-lo” (22.52).

Mover-se na missão de Jesus significa conjugar coerentemente ação, reflexão e oração. E é para esse movimento que ele chama e envia os seus discípulos, levando-os consigo pelas aldeias e cidades, mas também mostrando, na prática, a importância de, em alguns momentos, se retirar.

Continue lendo →

Poesia fotográfica – texto de Zenilda Lua e foto de John Medcraft

O amor pelas palavras começou assim:
meu avô que era um sábio caprichoso
reuniu várias margaridas
e azaléias brancas
num terreno possuído de sol
e nos contou que toda poesia sempre nasce de alguma beleza.
Quando as tristezas da vida ameaçavam apertar o coração até afracar o pulso
ele imitava Joel e profetizava risonho:
“Alegrem-se!
Pois as chuvas do outono e da primavera voltarão a cair como antes.
As eiras ficarão cheias de trigo novamente e os tanques de espremer
se encherão de vinho novo e de azeite”.

• Zenilda Lua, nascida em Patos (PB), reside atualmente em São José dos Campos(SP). Atua como Assistente Social, escreveu livros de poemas e é mãe de Brisa.

• John Philip Medcraft, nascido em Londres, naturalizado brasileiro, mora em Patos (PB) há 45 anos. É pastor presidente da ACEV (Ação Evangélica) com compromisso com missão integral nos sertões nordestinos. Apaixonado por Jesus, Betinha, Caatinga e QPR (idealmente nesta ordem).