Por Renan Vinícius

Caro leitor,

Se você assiste à série La Casa de Papel, ao observar a foto acima certamente irá reconhecer a personagem Tókyo. Se você não assiste, provavelmente reconhecerá que existe uma mulher na foto e algumas outras pessoas atrás dela. Você conseguiria me dizer quem são essas outras pessoas? Será que são homens ou mulheres? São jovens ou adultos?

A não ser que você seja muito observador, provavelmente não irá conseguir identificar os demais integrantes. Eu, por exemplo, mesmo assistindo à série, sou incapaz de identificar quem são eles. Talvez você me considere o senhor do óbvio por dizer isso, mas a verdade é que não conseguimos identificar as outras pessoas da foto simplesmente porque elas não estão expostas. Elas estão com máscaras.

Você já parou para pensar que nós costumamos usar máscaras o tempo todo nessa vida? Se ainda não, deixe-me te dar um exemplo: imagine uma pessoa que canta muito bem. Um conhecido, ao vê-la, diz: “Nossa, Fulaninho! Como você canta bem! Vi o vídeo que você postou ontem no Facebook. Eu curti demais!”. Muito provavelmente, Fulaninho irá reagir mais ou menos assim: “Ah, que isso, obrigado! Mas eu estou só treinando, preciso melhorar e aprender muito ainda”. Enquanto isso, internamente, ele pode estar pensando algo do tipo: “Rapaz, não é que eu sou bom mesmo? Olha só, ele curtiu meu som. Vou gravar mais!”. De repente, se ele tiver uma autoestima bem elevada, pode até completar (mentalmente): “Eu é que deveria fazer uns solos no grupo de louvor. O Beltraninho não consegue alcançar nem metade das notas que eu alcanço”. Continue lendo →

Por Gabriel Louback

O convite que a Apple enviou para a imprensa em 2011, chamando-a para o lançamento do novo iPhone, era um primor. Apenas uma imagem com quatro dos principais ícones do celular mais desejado dos últimos anos: o app do iCalendar possuía o número 4 (de outubro, data do lançamento); o ícone do relógio apontava 10h (horário da coletiva); o símbolo do GoogleMaps mostrava a localização da sede da Apple e o ícone de notificações do telefone, com o número 1, indicava que havia algo novo ali. Mesmo com a saída de Steve Jobs, a mensagem era de que a máxima da empresa continuava sendo: “Se é pra fazer, que faça direito”.

Acredito nisso: se a gente for fazer algo, que seja bem feito. Que ao menos a gente tente. Casar (ou ficar casado) é uma dessas coisas. Na maioria das vezes, vejo amigos que simplesmente ficaram cansados de ouvir a namorada dizer que não aguentava mais ser enrolada e “Não teve jeito, né?”. Meu velho, sempre tem.

Já li alguns artigos sobre não sabermos lidar direito com a pós-modernidade. Tudo etéreo demais, sabe? E reconheço: é cada vez mais difícil manter-se em algo tão concreto e longínquo quanto um casamento. Mas vou te dizer, é bom, viu? E vale a pena. Não dá para afirmar categoricamente que é para todos, mas acredito que muitos perdem a oportunidade de partilhar algo massa com alguém por falta de maturidade ou preguiça do “Se for fazer, que seja bem feito”.

Outro dia, um amigo mais novo, que namora há uns quatro anos, me perguntou: “Casar é difícil, né?”. Não, meu amigo, pelo contrário: casar é fácil. Difícil é permanecer casado. Postei isso no Facebook e recebi comentários do tipo: “Não acho que ficar casado é difícil, é muito gostoso!”

Claro que é gostoso. É incrível. Eu, pelo menos, acho sensacional a ideia de compartilhar minha vida com alguém. Alguém que não tem a obrigação de me fazer feliz, nem o contrário, mas alguém com quem quero partilhar minha felicidade e compartilhar de quem já sou. Ter alguém que muitas vezes pensa diferente de você, te ajuda a crescer, a adquirir novas visões, perspectivas, novos sonhos. É uma das experiências mais sensacionais que tenho vivido nos últimos tempos. Mas é difícil, não vou te enganar. Continue lendo →

Você desenvolve uma ideia ou um projeto que tem como foco usar sua vocação para glorificar a Deus? Talvez seja hora de saber mais sobre o Voc-Lab, o laboratório de vocações do Vocare.

O objetivo do Voc-Lab é ajudar a expandir projetos da juventude para que sejam cada vez mais relevantes no Reino de Deus. Os projetos podem ser inscritos nas categorias Educação, Saúde, Esportes, Empreendedorismo ou Geral.

Para a avaliação do projeto, ele deve ter participação ativa de jovens (16 a 30 anos) no planejamento e execução do projeto; ser apoiado ou parceiro de pelo menos uma igreja local ou Missão estabelecida; apresentar coerência com a fé cristã; contar com uma equipe envolvida na realização (sem depender de uma só pessoa); e um diferencial será ter o potencial de ser replicado em outras cidades e regiões do Brasil e do mundo.

Para se inscrever

Se seu projeto se encaixa nessas especificações, para inscrevê-lo é preciso gravar um vídeo de até 3 minutos e enviar o link para voc-lab@vocare.org.br. No vídeo, as seguintes perguntas devem ser respondidas:

– Por que você(s) faze(m) o que faze(m)? Por que você, e/ou sua equipe, pensou neste projeto?

– Qual problema vocês estão resolvendo?

– Como funciona, como acontece(m) a(s) ação(ões)?

– Como a missão de Deus pode ser vista no seu projeto? Continue lendo →

Por Amanda Almeida

Posso começar dizendo o quanto amo quando temas são tão bem trabalhados nas artes que não me deixam outra escapatória a não ser pensar sobre eles na minha realidade. Posso também dizer que gosto muito da Tiê, e que além dos seus bons cds, ela acerta ainda mais em cada cover que faz. E que a versão dela de Medo de Amar n° 3 é uma delícia, especialmente assistindo ao vídeo dela gravidinha cantando no estúdio. Mas isso seria só para enrolar o início da divagação impulsionada por essa música:

É que no nosso modo cristão contemporâneo de lidar com relacionamentos, com o mundo da conquista e com o amor romântico, é fácil, fácil condenar quem dá a cara à tapa e se propõe a dar uma, duas, três, infinitas chances para que algo aconteça. Uma atrás da outra, com pessoas diferentes. Uma hora o tiro acerta alguém, não é? Mas não dá para contar com balas perdidas, condenamos. “Não despertais o amor até que ele venha“, justificamos.

Mas não seria o extremo oposto igualmente condenável?

Expressar verdades um tanto cruéis com sutileza deve ser uma virtude. E Péricles Cavalcanti, o compositor, faz isso bem demais em Medo de Amar n° 3. O refrão é tão simples que qualquer peso fica por nossa conta: “Você não tem medo de mim. Você não tem medo de mim. Você tem medo é do amor que você guarda para mim“. Continue lendo →

Por Karol Coelho

O medo paralisa e há dias em que ele entra com tudo. Exaltando nossa fragilidade, nossa covardia, e até nossa finitude material, ele pode mudar não só uma segunda-feira, mas o que nos resta de uma vida. Ele derrama em nossa cabeça a ideia de que não dá mais para ficarmos em pé. Ele nos dá mais medo. Medo de dirigir máquinas, medo de perder alguém, medo de atravessar a rua, e até de dizer que está com medo.

Ele pode nos atingir com uma bala, pode nos tirar o pão, a poesia, a exposição – ao potencializar nosso receio pelo ridículo ou pela incompreensão. Ele pode nos abraçar ao sermos demitidos de nossos empregos. Ele pode na nossa falta de diálogo, na nossa desamizade gratuita, na nossa oposição cega, surda, que só quer falar, com medo de perder, nos fazendo esquecer que dá pra ganhar junto. Continue lendo →