Por Jean Francesco

Terminar um namoro nunca é uma decisão fácil. Estamos falando de duas pessoas que um dia se entregaram uma à outra e depois de algum tempo escolheram romper relações. Quando iniciamos uma aliança com alguém, nossos corações, nossas vidas e nossos sonhos se misturam e, uma vez que quebramos esse laço afetivo, é praticamente impossível pelo menos um dos lados não se sentir ferido, triste e quebrado por dentro. É por isso que relacionamento, como disse em outro texto (Como começar um namoro cristão), é coisa pra gente que já tem alguma dose mínima de maturidade e responsabilidade. Relacionamentos unem, alegram e fazem bem ao coração, mas ao mesmo tempo eles também têm o poder, se não bem administrados, de dividir, entristecer e machucar de maneiras significativas.

Eu mesmo sou prova disso. Sou um exemplo vivo de como é duro frustrar e magoar alguém por não entender quão sérias são as implicações de começar um namoro. Certa vez, tentei despertar em mim o amor por uma garota muito legal que certamente cumpria todos os critérios para ser uma ótima esposa. Começamos a namorar. Visitava os seus pais com frequência. Parecia estar tudo muito bem. Mas, no final das contas, por não haver em mim nenhum sentimento real por ela, acabei machucando gravemente seu coração quando, após poucos meses de relacionamento, pedi para terminar. E é por esta razão que muitos namoros deveriam terminar: porque na verdade não deveriam nem ter começado.

O belo poema de Mário Quintana é cirúrgico sobre isso:

 

“Nunca diga ‘te amo’ se não te interessa. 

Nunca fale sobre sentimentos, se estes não existem. 

Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração. 

Nunca olhe nos olhos de alguém, 

se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti. 

A coisa mais cruel que alguém pode fazer 

é permitir que alguém se apaixone por você, 

quando você não pretende fazer o mesmo”.

Em outras palavras, precisamos ser honestos e diretos desde o início com alguém antes de criarmos falsos sonhos em seu coração que não conseguiremos tornar realidade. Não tomar essa atitude responsável no princípio da relação produz namoros longos e sem propósito. Tome, por exemplo, a fala de um rapaz que namorava uma menina há 10 anos. Perguntei a ele se tinham planos para casar. A resposta foi a pior possível: “Estamos juntos há dez anos, mas ainda não tenho certeza de que ela é a pessoa certa pra mim, preciso pensar mais um pouco”. A questão que se coloca é a seguinte: Se esse rapaz ficou dez anos ao lado dessa moça e ainda tem dúvidas, quantos anos mais ele precisará viver ao lado dela para começar a ter convicções? Não queria estar na pele daquela moça… não mesmo.

Mas vamos ao que interessa. Quais são os sinais de um relacionamento fadado ao fracasso? Como proceder sabiamente em direção ao término? Os conselhos que vou compartilhar aqui não são decretos imutáveis que funcionarão em qualquer relacionamento, nem princípios atemporais aplicáveis em todos os casos. Você terá que ser sábio e tomar a decisão por si mesmo. Tenha em mente que os alertas a seguir são como placas espalhadas pela estrada em meio a um nevoeiro, ou como sinais luminosos no chão para que você não se perca no caminho. Quatro sinais são extremamente relevantes: 1. Perda de propósito; 2. Ruptura na pureza; 3. Irresponsabilidade financeira; 4. Incompatibilidade de personalidades.

  1. Perda de propósito

Em primeiro lugar, a ausência de propósito num relacionamento é um sinal claro de que ele não vai a lugar nenhum. É possível que você tenha conhecido alguém por um “acaso” e, com o passar do tempo, desenvolveram suas responsabilidades, afeto, sonhos e propósitos juntos. Isso é um bom sinal. Uma curva do acaso para o propósito foi feita e isso é um indicativo de sucesso na relação. Por outro lado, se você conheceu uma pessoa, decidiram ficar juntos, os meses e anos têm passado e vocês simplesmente estão perdidos sem saber para onde ir… parece que o relacionamento não passa de um “passatempo”. Perguntem a si mesmos: Por que estamos juntos, afinal? Namoro não deve ser encarado como um passatempo. Namoro não é pegar alguém emprestado. Namoro é um ensaio para o casamento.

  1. Ruptura na pureza

Em segundo lugar, a perda da pureza sexual do casal — seja pelo sexo antes do casamento ou devido a uma traição — é outro sinal de alerta para alguém que pensa em ter um relacionamento sério. A lógica da sabedoria bíblica é a de que compromisso precede intimidade, casamento precede sexualidade, entrega de vidas precede entrega de corpos. Agir na contramão dessa lógica é semear desconfiança em seu próprio coração. Afinal, se o teu parceiro(a) quer intimidade antes de ter compromisso, quem te garante que ele(a) não buscará intimidade sem compromisso depois (com outros)? Conversem sobre isso de forma séria. Quem ama de verdade não verá problemas em esperar um pouco para não precisar esperar nunca mais. Se alguém “diz” que te ama, mas se nega a esperar para ter relações sexuais com você, na verdade essa pessoa não ama você, mas sim seu próprio desejo egoísta de ser feliz.

  1. Irresponsabilidade financeira

Em terceiro lugar, a completa falta de responsabilidade financeira e profissional de uma das partes é uma placa de alerta no relacionamento. De acordo com a sabedoria bíblica, um homem não deve unir-se a uma mulher a menos que esteja preparado para deixar a casa de pai e mãe. Não estamos falando do mito da estabilidade financeira, nem de ter uma casa própria, mas de ter trabalho, renda e condições mínimas para dar dignidade a quem você ama. Se você está namorando alguém que não apresenta a mínima preocupação em trabalhar, estudar, desenvolver-se profissionalmente, sair da casa dos pais e te oferecer uma vida digna, tenham uma conversa séria sobre isso e, caso mudanças não aconteçam, fuja dessa pessoa enquanto é tempo.

  1. Incompatibilidade de personalidade

Em quarto lugar, a total incompatibilidade de personalidades é uma trombeta contra um relacionamento saudável. É bom termos em mente que isso tem a ver com os aspectos essenciais de um relacionamento, não com os secundários. Do que estamos falando? Aspectos secundários são os gostos pessoais: time, predileções, comidas, traços da personalidade, entre outras coisas. Isso tudo é absolutamente normal e não deve preocupar o casal. Por outro lado, os aspectos essenciais dizem respeito a pelo menos três coisas: caráter, religião e sonhos. Se você não tolera desonestidade, será difícil conviver com alguém que ganha a vida pela trapaça. Se você professa uma religião diametralmente oposta à de seu namorado(a), será quase impossível concordarem com uma série de coisas essenciais da convivência (a menos que haja conversão). Se você tem o sonho de trabalhar viajando o mundo praticamente todos os dias do ano, será muito difícil se dar bem com alguém que almeja ser dona de casa e criar filhos. Não jogue nada disso para debaixo do tapete. Namoro serve para deixar tudo às claras e não brincar com a vida, o presente e o futuro dos outros.

Por fim, peça a Deus sabedoria antes de tomar qualquer decisão precipitada. Converse também com seus pais, amigos e casais experientes. Certamente a orientação deles vai ampliar os seus horizontes e te preparar para uma decisão acertada. Coloquem os quatro alertas na balança. Não leve a relação “com a barriga”. Não deixe para amanhã aquilo que pode ser feito agora. Relacionamentos sem dúvidas envolvem emoção, mas devem estar fundamentados, antes de tudo, na verdade. Espero que as placas de sinalização apresentadas aqui te ajudem a formar um juízo sóbrio sobre o rumo que seus relacionamentos estão tomando. Que Deus te ilumine e te dê sabedoria no caminho.

  1. Texto Excelente!
    Principalmente ao fazer esse relato:
    “Eu mesmo sou prova disso. Sou um exemplo vivo de como é duro frustrar e magoar alguém por não entender quão sérias são as implicações de começar um namoro. Certa vez, tentei despertar em mim o amor por uma garota muito legal que certamente cumpria todos os critérios para ser uma ótima esposa. Começamos a namorar. Visitava os seus pais com frequência. Parecia estar tudo muito bem. Mas, no final das contas, por não haver em mim nenhum sentimento real por ela, acabei machucando gravemente seu coração quando, após poucos meses de relacionamento, pedi para terminar. E é por esta razão que muitos namoros deveriam terminar: porque na verdade não deveriam nem ter começado.”

    Só o destaque é o suficiente, não é necessário mais comentários.
    Espero que muitas pessoas leiam esse texto!

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