Por Maurício Avoletta Junior

“A igreja é uma sociedade, o corpo de Cristo e o templo do Espírito. É uma sociedade visível que existe em meio à outras sociedades”.

– Peter Leithart

 

Não, Cristo não foi morto pelo Estado. Não, Cristo não lutou pelas liberdades individuais e nem pelas minorias. Não, Cristo não defendeu que bandido bom é bandido morto. Cristo veio nos salvar do pecado e nos dar uma nova vida, não batizar sua ideologia preferida.

Cristo não era conservador, não era liberal, não era socialista e nem comunista. Ele era homem e era também Deus. Ele é o Verbo que criou o mundo e não o autor de algum manifesto sobre desobediência civil. Não batizem ideologias. Não batizem Cristo. Deixem-se ser batizados por ele.

Quando declaramos o credo apostólico e dizemos crer no Deus pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, quer dizer exatamente isso e não o contrário. Cremos no Deus todo-poderoso, criador da realidade existente e capaz de criar qualquer outra realidade possível. Não cremos no Deus do socialista, nem do liberal ou do conservador. O Deus das Sagradas Escrituras é bem maior do que o deus deles.

O Cristo bíblico é conservador demais para ser revolucionário e revolucionário demais para ser conservador. Ele é liberal demais para ser estatista e é estatista demais para ser liberal. O Cristo redentor, o salvador da humanidade, o cabeça da Igreja não é um militante político. Embora ele tenha o costume de salvar alguns militantes, ele não tem a pretensão de agradá-los. Ele não veio trazer a paz, mas a espada. Ele veio trazer unidade entre os seus e separa-los dos outros (Mt 10:34, 35). Ele não veio para falar sobre algum golpe e nem para falar que algum senhor filósofo tem razão. Ele não veio pedir menos Marx e mais Mises, ele veio virar o nosso reino de cabeça para baixo.

Quer ser servido? Sirva. Quer ser o primeiro? Seja o último. Que ser grande? Seja pequeno (Mt 20:25, 28). Bem-aventurados os que choram, os que tem fome e sede de justiça, os pobres de espírito… (Mt 5:1, 11)

Sim, Cristo se importa com os pobres, da mesma forma que se importa com os ricos. Ele se importa com a propriedade privada, da mesma forma que ele se importa com que ninguém passe necessidade. Ele se importa que você cumpra as leis do Estado, da mesma forma que ele espera que o Estado não ocupe o lugar dEle. Um cristão deve ser dominado pelo Evangelho a tal ponto que não se satisfará com nenhuma ideologia terrena. Ele estará tão fascinado pela realidade do evangelho, que não ligará para nenhuma possibilidade ideológica.

Em tempo, não serei utópico e afirmarei que seja possível alguém viver livre de ideologias, no entanto, é possível sim, tentar fugir delas. Somos falhos e vamos sim nos aconchegar em algum lado da moeda, não há como fugir, mas nunca faça de um lado da moeda o seu lar. Nós não somos parte do reino desse mundo. Nós não somos parte desse mundo, nós estamos aqui de passagem, como meros estrangeiros.

Não seremos a diferença na sociedade enquanto nos parecermos com ela. Só seremos a diferença na sociedade quando ela conseguir distinguir o “nós” do “eles”. Enquanto formos todos iguais, nada de diferente acontecerá. Contudo, no momento em que ousamos ser diferentes do mundo e iguais a Cristo, aí sim as coisas começam a mudar (Jo 13:34; 17:11).

  • Maurício Avoletta Junior, 23 anos. Congrega na Igreja Batista Fonte de Sicar (SP). Formado em Teologia pela Mackenzie, estudante de filosofia e literatura (por conta própria); apaixonado por livros, cinema e música; escravo de Cristo, um pessimista em potencial e um futuro “seja o que Deus quiser”.
  1. Maravilhosa reflexão para nossa atualidade dentro das igrejas, tenho visto essas ideologias invadirem não só a mente, mais a postura de nossos jovens e crente que se dizem maduros e mais ainda, pastores que formam opiniões em nossas igrejas. Recentemente aqui no RJ um pastor usou as redes sociais e a página de uma das nossas organizações mais importante para falar da morte de uma representante politica do nosso Estado, mostrando a sua real intenção ideológica. Somos de Cristo para servir ai reino.

    • Pr. Alexandre, se nossos pastores usassem não apenas as redes sociais, mas também o próprio púlpito para denunciar os crimes que são cometidos contra os pobres e as minorias, a igreja brasileira seria menos conivente com esse atual cenário de horror que o país vive, e que piora a cada dia.

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