Estava tudo escuro. Sob o frio do inverno procurei correndo o interruptor de luz antes que me chocasse com algum móvel ou com alguma ponta procurando ardentemente encontrar meu dedo mindinho do pé. É incrível como quina de móvel e dedo mindinho do pé parecem se atrair.

Acendi a luz e logo ela apareceu. Basta um feixe de luz apenas e ela se manifesta. Às vezes se intensifica diante da claridade forte, mas mesmo em apenas uma faísca de fósforo ela se mostra: a sombra.

Olhando para minha sombra me lembrei de Davi, que diz no Salmo 121.5 “o SENHOR é a tua sombra à tua direita”. E não é que a sombra estava ali. Por mais que eu tentasse me livrar ou fugir dela, ela permaneceria ali. Em meio à escuridão eu posso ate não enxergá-la, mas ela permaneceria ali, visível a todos.

Esse salmo fala ao meu coração. Tem dias que parece que a vida é só escuridão e inverno. Você se sente sozinho, com frio e no escuro, mas é muito bom saber que seja você magro ou gordo, com roupa ou nu, alto ou baixo, pobre ou rico, branco ou preto, você tem uma sombra e ela não se separa de você. Deus é a tua sombra à tua direita. Você pode até não enxergá-lo, mas ele permanece ali. E quando vêm as “sombras do vale da morte” (Sl 23.4) eu não tenho medo, pois tu estás comigo e eu “descanso à sombra do onipotente” (Sl 91.1)

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Felipe Heiderich é graduado em Teologia pela Faculdade Teológica Seminário Unido, escritor, conferencista e pregador. Um mineiro morando no Rio de Janeiro, tendo artigos e estudos publicados neste site.