Por Rev. Sérgio Lyra

Opi_01_04_13_PerolasEra uma terça-feira pela manhã, e eu estava na capela do Seminário Presbiteriano em Recife (PE) para ouvir a mensagem do Rev. Tim Sulivan, um dos líderes da agência missionária Pioneers, que atualmente reside na Tailândia. Pensei que seria uma espécie de sermão-relatório de suas atividades, mas ao contrário do que eu esperava, a palavra anunciada foi impactante e, a medida que ele desenvolvia as explicações do texto bíblico, muitas implicações me vieram a mente. O Espírito de Deus me fez perceber realidades que ainda precisavam ser experimentadas com intensidade por mim e pela igreja. O texto usado está no capítulo 13 de Mateus, onde Jesus proferiu parábolas que ilustram aspectos do reino de Deus. Em particular, vamos nos ater à parábola do tesouro e à parábola da pérola (em Mateus 13.44-46), que enfatizam e focam as mesmas ênfases e os mesmos conceitos.

1. Um imenso tesouro foi achado
O propósito do Senhor Jesus na parábola não é esclarecer o processo de salvação. Ele já parte do fato de que a pessoa que encontrou o tesouro – no caso a vida no reino de Deus (Mt 13.44) – reconhece ser ele de imenso valor. Sabemos que a Bíblia ensina que o encontrar esse tesouro não é o resultado de uma iniciativa humana, e sim divina (Jo 15.16), embora reconheçamos que Deus colocou no ser humano o desejo da eternidade (Ec 3.11). Pertencer ao reino de Deus é o tesouro de seres humanos pecadores transformados em filhos de Deus (Jo 1.14), os quais tiveram o perdão dos pecados e receberão a vida eterna através da obra salvadora de Jesus na Cruz (Jo 3.16 e 5.24).

A parábola registra que o fato de encontrar o reino de Deus (tesouro e pérola) gera muita alegria (Mt 13.44). Note que quem o encontra não se lamenta ou fica saudoso das coisas que se desfez para ter o tesouro. Quem acha lugar na família de Deus achou o que existe de mais precioso em todo universo criado, e a ilustração de Jesus reflete a ação de uma pessoa, que descobrindo que foi salva pela graça de Cristo, reconhece e age adequadamente diante da imensidão e incalculável valor do que foi achado. Convido você a pensar comigo no que temos demonstrado e se, de fato, temos celebrado com muita alegria a realidade de pertencemos à família de Deus.

2. Uma completa troca de valores aconteceu
As duas comparações da parábola deixam claro que para desfrutar da posse do tesouro ou da pérola foi necessária uma troca completa de posses. No texto, aquele que reconheceu ter achado uma grande preciosidade, vai e vende tudo o que tem para assim desfrutar da posse do tesouro ou da pérola (Mt 13.44,46). Essas ilustrações são fortíssimas lições para a vida do nosso tempo, onde ter e ostentar coisas e bens é marca de sucesso. Jesus mostrou que uma pessoa que faz parte do reino de Deus fez uma troca completa de valores: Deus e o Seu reino tem o primeiro lugar! Na prática, significa que a vida mudou de propósito, pois após vender tudo o que tinha (desfazer-se de tudo), investe tudo no reino de Deus. Como estamos longe deste modo de vida! Como somos egoístas! Na prática, desejamos desfrutar do tesouro do reino dos céus sem nos desfazer do apego a coisas e bens terrenos. Aplicar esse ensino na vida cristã não significa fazer voto de pobreza, mas obedecer ao que as Escrituras dizem: “Vocês foram ressuscitados com Cristo. Portanto, ponham o seu interesse nas coisas que são do céu, onde Cristo está sentado ao lado direito de Deus. Pensem nas coisas lá do alto e não nas que são aqui da terra.” (Cl 3.1-2). Cidadãos do reino de Deus valorizam muito mais as coisas espirituais que as materiais.

3. O reino de Deus passou a ser a prioridade de vida
Chamou-me muito atenção o fato de que depois da mudança completa de valores, a pessoa que efetuou a troca agora só possui o tesouro, ou a pérola de grande valor e nada mais. É fácil perceber que nessa situação a vida dessa pessoa passou a girar em torno do seu tesouro. Em outras palavras, a ilustração do Senhor Jesus mostra que o tesouro passou a possuir e determinar as prioridades de quem o possuía. É exatamente isto que acontece no reino de Deus. Somos propriedades de Cristo, quando o achamos como nosso Senhor e Salvador (I Co 6.19-20 e I Pe 2.9). Quem de nós tem as prioridades da vida definidas por Cristo? Quantos de nós consultamos a Deus antes de fazer algo (Tg 4.13-15)? Quantos pedem permissão a Jesus para se aproximar amorosamente de uma pessoa visando o casamento? Será que realmente encontramos a pérola de grande valor? Vivemos como quem tem apenas um tesouro? Verifique o que hoje tem sido prioridade na sua vida e com sinceridade analise quem determinou tais prioridades. Servos do Rei devem lembrar e praticar o que disse Jesus: “Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas.” (Mt 6.33). Você acredita realmente que pertencer a Cristo é o maior tesouro?

Uma palavra de alerta missionária precisa ser destacada. O fato de o tesouro ter sido achado por uma pessoa e ele passar a lhe pertencer não significa que a parábola permite a interpretação de exclusividade. Quero dizer que a oportunidade de achar o precioso tesouro, de ser parte do reino de Deus, não deve ser escondida ou desfrutada no particular, sem compartilhar. Deus deseja que Ele venha a ser achado por qualquer ser humano. Foi isto que o apóstolo Paulo revelou: “Ele [Deus] quer que todos sejam salvos e venham a conhecer a verdade” (1 Tm 2.5). A chegada do reino de Deus faz parte do anúncio do evangelho; logo todos devem ouvir acerca desse grande tesouro. Relembro que o Senhor Deus ordenou ao profeta Jeremias dizer ao povo: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor” (Jr 29.13-14).

Algumas pessoas, mesmo declarando-se cristãs, se aventuram em experimentar viver colocando o foco principal nos valores terrenos, como se esta opção fosse melhor do que se submeter ao controle de Deus. Centenas de vezes a Bíblia ensina que Deus é bom, que tudo que Ele faz é perfeito e bom (Gn 1; Rm 12.2), e todo bom presente vem dele (Tg 1.17). Gosto muito de resumir esta verdade bíblica dizendo que não existe nada melhor do que o bom Deus. Assim, achar que um ser humano será mais feliz fora do reino de Deus é ilusão e desfrutar prazeres temporários, os quais frequentemente são enganosos. Investir a vida no reino dos céus é receber nesta vida cem vezes mais, e no mundo por vir a vida eterna (Mc 10.29-30). Quem achou isto, encontrou o melhor e mais precioso tesouro do universo.

 

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Sérgio Paulo Ribeiro Lyra é pastor e coordenador do Consórcio Presbiteriano para Ações Missionárias no Interior. Autor do livro “Cidades para a Glória de Deus” (Visão Mundial). É missiólogo e professor do Seminário Presbiteriano em Recife (PE).

  1. “…, achar que um ser humano será mais feliz fora do reino de Deus é ilusão e desfrutar prazeres temporários, os quais frequentemente são enganosos. Investir a vida no reino dos céus é receber nesta vida cem vezes mais, e no mundo por vir a vida eterna (Mc 10.29-30). Quem achou isto, encontrou o melhor e mais precioso tesouro do universo.”
    (Lyra).

    O parágrafo parecia prometer quando deixou claro mesmo quando os cristãos trocam de prioridades, etc. e tal.

    Mas ao final mudou, e no lugar de um cristão com prioridades trocadas, ele usou “um ser humano”. Todas as pessoas, os 7+bi da terra.

    Felicidade, suponho, a verdadeira, não é só para o cristão, com prioridades trocadas ou não. Mas está ao alcance de todo ser que respira.

    Pode-se debater com um cristão por horas, ele concederá que felicidade existe, mas nunca é a verdadeira felicidade, a não ser que a pessoa seja cristã. Felicidade é a cristã. O restante ou é derivativa ou falsa. Felicidade é algo ‘carimbado’ pelo cristianismo. É inútil debater.

    Imaginemos um cenário, hipotético. Sento à mesa e do outro lado um muçulmano que, para efeito de raciocínio equivaleria a um debate entre um cristão e um não-cristão. Ou, um feliz e outro [in]feliz ou não totalmente feliz, mas ‘frequentemente enganoso’ na felicidade.

    – gostaria de falar do amor de Alá
    – obrigado, mas não estou interessado
    – voce poderia pelo menos ser uma pessoa de mente aberta e ouvir, ainda que não aceita
    – e se eu ouvir e não aceitar? Ou melhor, e se eu não aceitar antes mesmo de ouvir?
    – mas voce não ouviu, como poderá negar?
    – mas se eu ouvir e não aceitar o inferno me aguarda?
    – bem, a escolha é sua…
    – eu acabo de fazer uma escolha: não quero ouvi-lo; vc alega que eu não posso decidir sem ouvir e escolher, e se eu ouvir e não aceitar corro o risco de ir para o inferno!
    – é o risco…
    – risco ou imposição? Afinal, a única ‘escolha’ que eu tenho é aceitar.
    – bem, pelo menos vc fez a escolha certa.
    – mas isso não é escolha! É imposição travestida de escolha com o mesmo resultado.
    – vc tem o livre arbítrio.
    – mas que livre arbítrio é esse que a escolha não trás o resultado que quero, mas o que me é imposto pelo seu “deus bom”!
    – com licença, não posso continuar. O senhor estragou o meu prazer de comer quando me fez um convite para conhecer o seu deus
    – desculpe, não foi minha intenção.

    (ao sair, vira-se para o interlocutor muçulmano)

    – já paguei. Se quiser, pode comer a vontade!

    O interlocutor saiu também sem comer, e com fome. Afinal, ele poderia ou não comer. Mas jamais um NÃO de um ‘ser humano’ poderá redundar em liberdade de escolha para ele.

    Eis o problema do deus das religiões! Cristianismo inclusive.

  2. Prezado Rev. Sérgio,

    Que rica reflexão! Ela vai ao encontro do tenho pensado nos últimos dias, sobre como viver a autenticidade do Reino de Deus hoje, em meio a tantas distrações e algumas prioridades (família, trabalho, sonhos, etc).
    Infelizmente, quando olho para mim e para os que me cercam, tenho dificuldade de encontrar tamanha valorização por pertencer a Jesus Cristo.
    Que Ele tenha misericórdia de nós e desperte o povo de Deus para o que realmente vale a pena!

  3. Otimo texto. Parabens!
    Obrigada, falou muito ao meu coração. Quem dera que pudessemos de fato fazer isso, dedicar as nossas vidas totalmente em prol do Reino de Deus.

  4. Eduardo,

    Você, eu e Deus temos livre arbítrio.

    A diferença que somente um de nós desejará e poderá realizar o que pensar.

    Se alguém, por livre arbítrio, deseja voar como um pássaro, este desejo pode ser legítimo, mas não conseguirá realizar tal feito.

    Se você quer realizar a sua felicidade da sua forma, o seu desejo é legítimo, por livre arbítrio, mas irá conseguir? Terás a certeza que será o melhor?

    Veja, eu não estou dizendo que a minha felicidade é melhor que a sua, somente porque eu por livre arbítrio a escolhi ou encontrei. Mas a felicidade somente é melhor quando se compara com outras “felicidades” e se conclue: esta é realmente melhor.

    Quanto a este Deus não ser bom, por não permitir você escolher e concretizar a felicidade da forma que você quer, bom, basicamente se ele fosse por este caminho ele criaria “deuses” como ele. Somente se fôssemos “deus”, para que realizássemos tudo o que desejássemos, então este Deus seria bom. E teríamos que ser “deus” igual a ele, ou seja, ilimitados.

    Neste sentido, não há lógica em Deus criar um outro “deus” igual a ele, posto que este “deus” é ele mesmo. Por isso somos criatura, ilimitados e limitados naquilo que ele, como Deus, determinou.

    Finalizando. O “NÃO” pode não ser do ‘ser humano’ e sim de Deus.

    De qualquer forma, tudo o que foi dito no texto e em meu comentário não fará sentido se você não crê num Deus real e pessoal.

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