Por Gabriel Louback

Por algum tempo, mantivemos nosso relacionamento harmonioso com o Eterno. Respondemos livremente a seu amor, amando-o e caminhando com Ele. Nos encontrávamos diariamente no jardim, quando a brisa do dia soprava, e ele andava ali, entre nós e conosco. Porém, um dia, tudo mudou: decidimos que aquilo ali não era mais o suficiente.

Queríamos mais, sem saber direito o que, com o desejo e a vontade de que precisávamos ser independentes, sermos senhores de nosso próprio destino, de sermos soberanos sobre nós mesmos. Decidimos, então, dar esse passo em direção à desconfiança, à suspeita de que Deus não havia sido sincero conosco e que estava escondendo algo de nós.

Comemos do fruto que Ele havia dito para não fazermos. Tínhamos escolha e tomamos nossa decisão. Medo, dúvida, descrença, incerteza e desesperança tomaram conta de nós e decidimos por isso em vez de permanecermos Nele.

Adão e Eva, então, pegaram folhas de figueira para cobrir-se. (Gen 3:7)

A ironia é que eles acharam que comer daquele fruto traria um conhecimento divino, mas não entenderam algo simples, como o fato de que a aceitação de Deus não depende de nossa aparência externa. As folhas significavam isso: cobriram-se para ficarem ‘melhores’ diante de Deus. Em vão, tentaram fazer isso por esforço e mérito próprios.

Essa nossa tentativa de produzir coisas externas para que Deus nos aceite continuaria até os dias de hoje, em todas as vezes que achamos que ler a Bíblia, orar, dizer as palavras certas, ir à igreja, agir do jeito certo e seguir rituais e tradições fará Deus olhar para nós e se agradar de quem somos com base no que fazemos. Ledo engano.

Tudo isso que parece sólido se desmancha no ar. Precisamos entender que a nossa conexão com Deus havia sido quebrada, definitivamente. Imagine o término de um relacionamento no qual houve uma traição. “Não tem volta”, é nossa reação. Nós traímos a Deus, escolhemos satisfazer nossos próprios desejos e vontades, decidimos não sermos leais a Ele e ao nosso relacionamento com Ele. Fomos desconectados da fonte da vida e não havia mais ponte natural entre o Homem e Deus. No lugar da luz, escolhemos a escuridão, o caos e a impossibilidade de continuarmos nosso relacionamento de conhecer a Deus.

Era o fim, Deus havia sido traído por nós. Ele poderia muito bem olhar para tudo, para a Criação contaminada, para nosso coração que havia morrido e escolher: “OK, isso não vai dar certo, vamos encerrar esse projeto”. Mas não é o que Ele faz.

Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim. Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando: ‘Onde está você?’.” (Gen 3:8–9)

Deus é o mesmo: todos os dias Ele vinha caminhar no jardim, e é o que fez de novo naquele dia, mesmo sabendo que tínhamos decidido não estar mais com Ele, escondendo-nos de sua presença. Ele sempre nos procura, ainda que corramos Dele. Deus nos ama, Ele vem em nossa direção e Ele é persistente.

Onde está você?”, Ele perguntou a Adão e Eva.
Onde está você?, Ele nos pergunta hoje.

  • Gabriel Louback é formado em jornalismo, com especialização em Missiologia na escola Gå Ut Senteret (Noruega) e missionário na Itália. Gosta de ouvir histórias e de contar as que não são ouvidas. Esse texto faz parte de uma série preparada para o Advento. Acompanhe os outros aqui.

 

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