Cinema, jornalismo, fama, moda, busca por sensações, comédia, propaganda, televisão… tudo isso faz parte do caldeirão da cultura contemporânea cada vez mais persuasiva. Mas como degustar este caldeirão, sem correr o risco de indigestão?

Este é o assunto do lançamento da Ultimato Engolidos pela Cultura Pop, escrito por Steve Turner, um respeitado jornalista, poeta e escritor de biografias de grandes nomes da cultura atual. A seguir você lê um trecho da entrevista com o autor incluída no final do livro.

 

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Prat_29_05_14_Capa_EngolidosO que o motivou a escrever Engolidos pela Cultura Pop?

Escrevi “Imagine” porque estava tendo muitas conversas com cristãos que tinham dúvidas sobre como conciliar sua fé com sua arte. Seria a arte algo inferior que deveria ser deixado de lado? Algo que poderia ser usado como “ferramenta evangelística”? Ou haveria uma maneira de integrar a fé e a arte em uma expressão da pessoa como um todo, e não apenas de um aspecto? Engolidos pela Cultura Pop vai além da arte e examina o mundo mais amplo por trás da cultura popular. Como eu disse, os livros servem não apenas para compartilhar informações, mas também para descobrir coisas que ainda não sei. Às vezes eu me surpreendia falando sobre a cultura popular sem nunca ter examinado sua história e teoria. Este livro me deu uma grande oportunidade de aprender e de tentar juntar os vários pensamentos que tive durante anos. Gosto de ser um comentarista, mas acredito que sou mais efetivo quando me concentro na área que conheço mais. É claro que, ao se falar sobre cultura, fala-se sobre pessoas e a forma como elas organizam suas vidas, e isso significa falar da vida como um todo.

De que maneira sua experiência como crítico e produtor de cultura influenciou a concepção deste e de outros livros?

Tenho escrito livros que me possibilitem ir mais fundo nos aspectos da cultura que mais me intrigam. Escrevo biografias de pessoas que fazem grandes perguntas – como Van Morrison, Jack Kerouac, Johnny Cash, Marvin Gaye. Esse é o tipo de pessoa que me interessa. Acho que tenho de encorajar esses questionamentos. Também pude explorar a relação entre religião e música em “Hungry for Heaven” [Faminto pelo céu] e a fé e a arte em “Imagine” [Imagine]. Além de disponibilizar informações aos leitores, esses livros também me permitem colocar em ordem o meu próprio pensamento.

Entre as pessoas com quem você trabalhou pessoalmente, quem é o seu produtor de cultura popular favorito? Por quê?

Acho que John Lennon e Paul McCartney. Entrevistei John quando eu era bem novo e foi muito significativo porque ele ocupava bastante espaço em minha imaginação adolescente. Eu gostava do seu jeito com as palavras, dos riscos que assumia com seu trabalho e de ele desafiar constantemente as opiniões expressas. Também entrevistei Paul, mas passei a conhecê-lo melhor porque fui o “ghostwriter” de Linda McCartney em seu livro de sessenta fotos. Eu tomava café da manhã com ele em sua casa em Sussex e às vezes ele participava de minhas entrevistas com Linda, compartilhando algumas de suas memórias. Quando eu tinha 19 anos, copiei o Salmo 37.4 (“Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração.”) e, embaixo do versículo, escrevi meus desejos. Um deles era “conhecer os Beatles”. O melhor disso não é conhecer pessoas que são famosas, mas conhecer pessoas que fizeram trabalhos tão memoráveis. Escrevi dois livros sobre os Beatles – um sobre suas músicas (“A Hard Day’s Write”) e um sobre suas crenças (“The Gospel According to the Beatles”).

Como sua carreira de jornalista moldou a sua visão sobre as artes e a cultura?

Tudo o que escrevo – como jornalista, autor e poeta – me ajuda a entender o processo criativo e a me identificar com pessoas criativas. Ao mesmo tempo, permite-me assistir a muitos eventos culturais importantes na primeira fila e ter acesso a pessoas que produzem cultura. Vejo como um grande privilégio poder sentar com vários produtores de cultura e perguntar a eles como e por que fazem o que fazem. Isso não apenas me ensina muito sobre o processo criativo, já que as pessoas me explicam de onde tiram suas ideias, mas também me permite ver as pessoas como responsáveis pelas visões incorporadas em seus trabalhos.

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Assista ao vídeo promocional de Engolidos pela Cultura Pop:

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