Por Rodolfo Gois

Vídeo game virou coisa de adulto. Os novos equipamentos conseguem simular algo tão real que rompeu com as barreiras da idade. Muitos encontram nesses games a possibilidade de ser e realizar coisas que jamais fariam de verdade. Ser um grande jogador de futebol, um exímio piloto de rally, um atirador voraz, o herói do universo ou o bandido mais perigoso da humanidade.

Quem nunca sonhou em ter superpoderes e fazer com eles o que quiser? O Tio Ben, no clássico filme Homem Aranha, diz ao seu sobrinho, Peter Parker, que “grandes poderes conferem grandes responsabilidades”. Será que estamos preparados pra isso?

Sansão foi um personagem bíblico que recebeu superpoderes. Logo de início, sua gestação foi um super acontecimento, pois sua mãe era estéril. Recebeu de Deus uma capacidade tamanha que nenhum lutador do UFC seria capaz de derrotá-lo. Tudo isso para cumprir a missão que Deus tinha para ele: libertar o seu povo de 40 anos de opressão dos filisteus.

Conforme cresceu, Sansão começou a perceber o dom que recebera de Deus. Imbatível, invencível, intocável, inatingível. Sansão “apropriou-se” do poder de Deus para fazer o que bem entendia. Casou-se com uma mulher de outro povo, tocou em animais mortos, usou a sua força para externar sua ira. Práticas já condenadas pelo código de conduta do povo de Israel, e mais ainda pelo fato dele ser alguém separado para uma missão. Ele não compreendeu que a fonte do seu poder não era o comprimento do seu cabelo, mas sua submissão e obediência ao Senhor. Tais atitudes de Sansão têm muito a ver com aquilo que a juventude do nosso tempo vive.

Sua dependência do prazer foi seu maior inimigo. Sansão, tão poderoso, tornou-se refém do seu desejo. Vivia pelo que lhe dava prazer. Quem poderia obrigá-lo a fazer algo contra a sua vontade? Nem mais aos seus pais ele ouvia. Não é assim que muitos decidem viver? O hedonismo impera e reina com folga nesta geração.

Sua autoconfiança foi sua maior fraqueza. Ninguém poderia impedi-lo. Ele tinha tanta autoconfiança, soberba e arrogância que dormia com o inimigo, não percebia as traições de Dalila e acabou por entregar a condição que lhe dava tanto poder. Não enxergava nada além da sua própria força. Narcisista. Nós também vivemos um tempo de arrogância e independência perigosas para o futuro desta geração.

Sansão, o homem mais poderoso de sua época, acabou sem a sua força, sem a sua honra, sem a sua visão. Não perdeu para Dalila ou para os filisteus, perdeu para si mesmo, pois deixou de olhar e submeter-se à sua fonte de poder, a missão que Deus lhe havia dado. Mas o tempo passou e, na sua morte cumpriu a missão que lhe fora dada, onde mais de três mil filisteus morreram quando destruiu o templo. Não acredito que precisaria ser assim. Mas foi.

Ainda não consigo definir a história de Sansão como feliz ou triste. Deus cumpriu o seu propósito. Sansão venceu morrendo. Nós não precisamos chegar a este ponto. Todos têm grandes sonhos, mas poucos têm grandes realizações, exatamente por esquecerem que os maiores sonhos se transformam em realizações quando reconhecemos que toda capacidade para marcar a sua história vem do relacionamento com Deus. Aprenda com Sansão a não render-se ao prazer e à autoconfiança. Sirva ao Senhor e cumpra sua missão em vida, e não somente na morte.

No vídeo game, se você perder, pode dar um reset e começar de novo. Na vida, nem sempre será assim.

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Rodolfo Gois é diretor pastoral do TeenStreet Brasil e pastor da IPIB de Maringá, PR.

  1. Sua mensagem foi objetiva,clara e com a exortação na medida.Nesses dias estava conversando com meu esposo sobre como trabalhar estas informaçoes com as crianças e adolescentes.Observei que musicas excelentes de grupos gospel estimulam essa ideia de sermos super, mas não conseguia expressar a ideia sem figurar como critica.Muito obrigada por vc ter feito essa publicação.Claudia ,PIB Neves-Ribeirão das Neves -MG.

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