Um trato pelos bons tratos
“Você já foi vacinado contra os maus tratos?”: se a pergunta não faz muito sentido, a reação das pessoas que eram abordadas na rua, em meio à pressa e compromissos a serem cumpridos, era mais estranha ainda. Esse quadro se repetiu várias vezes durante a I Campanha de Vacinação pelos Bons Tratos para Crianças e Adolescentes de Viçosa (MG). O que se viu em diversos locais da cidade foram dezenas de crianças e adolescentes vestindo amarelo e levantando a bandeira dos bons tratos. Devidamente instruídos, eles abordavam transeuntes, faziam a pergunta do início do texto e explicavam o porquê de estarem ali.
A palavra “vacina” causava espanto inicialmente, que logo era substituído pela curiosidade. A tal vacina era diferente e não provocava dor: era uma bala, representação da doçura dos bons tratos que deve ser passada adiante.
De acordo com os organizadores, os objetivos centrais da campanha estão estruturados na promoção dos direitos da infância e adolescência, na participação de adolescentes e jovens na defesa de seus direitos e na sensibilização de compromisso da própria comunidade a fim de promover relações igualitárias entre gêneros e gerações. Dessa forma, foram as próprias crianças e adolescentes que saíram em defesa desses objetivos. O resultado foi muito relevante.
O que pude notar quando participei da campanha de vacinação foi um engajamento de todos os envolvidos. De um lado os adultos davam suporte para as crianças e os adolescentes. Do outro, eram os menores que iam em busca de pessoas para serem vacinadas e ouvirem do recado que pregava amor e respeito aos pequenos. Saldo positivo e satisfatório. Também, em relação às pessoas que conversei e tive o privilégio de entregar a bala e o cartão de vacina, pude notar que a força da conscientização da mensagem era grande a ponto de levá-las a querer passar a ideia adiante.
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Bruno Menezes, 20, é estudante de Comunicação Social/Jornalismo a Universidade Federal de Viçosa
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