De todos os dons do Espírito, sem dúvida, o de que mais precisamos é aquele que torna Jesus Cristo, sua pessoa e seu ensino continuamente lembrado!

Que João Batista é o precursor de Jesus Cristo todo mundo sabe. Que o Espírito Santo é o “pós-cursor” de Jesus Cristo poucos se lembram.

João Batista era um homem exótico. Usava roupa feita de pelos de camelos presa à cintura com um cinto de couro. Alimentava-se de gafanhotos e mel colhido no mato. Nasceu de mãe estéril e muito velha, cerca de sete anos antes de Cristo. Era “aquela voz que clama”, de que falava o profeta Isaías com antecedência de sete séculos: “Uma voz clama: ‘No deserto preparem o caminho para o Senhor; façam no deserto um caminho reto para o nosso Deus’” (Is 40.3).

A responsabilidade de João Batista era enorme. Na linguagem poética, ele deveria aplanar as colinas e os montes e aterrar os vales. Na linguagem figurada, deveria mexer com a omissão de uns e a transgressão de outros, com a indiferença dos saduceus e a hipocrisia dos fariseus. Na linguagem prática, deveria pregar o arrependimento e levar o povo a uma mudança radical. Os três Evangelhos sinóticos entendem que João Batista era aquele representante, ou aquele batedor, que ia à frente de um monarca para preparar-lhe o caminho (Mt 3.3; Mc 1.3; Lc 3.4). No caso de João, o monarca é o Senhor Jesus Cristo. O próprio João Batista tinha plena consciência disso: “Eu sou a voz do que clama” (Jo 1.23).

O Espírito Santo é aquele que o Pai enviou depois da ascensão de Jesus para fazer lembrar aos discípulos de ontem e de hoje tudo o que o Senhor é e ensinou (Jo 14.26). O próprio Jesus, na reunião de despedida, de quinta para sexta-feira, deixou bem claro: “Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito” (Jo 15.26). Depois, Jesus insistiu mais uma vez: “[Quando o Espírito da verdade vier], ele me glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês” (Jo 16.14). “O dom do Espírito”, diz a nota de rodapé da Edição Pastoral da Bíblia Sagrada, “produz nas pessoas a contínua memória e compreensão sobre a pessoa de Jesus” (p. 1.581).

Como precursor, João Batista apontava para Jesus Cristo, que viria depois dele (Mc 1.7). Como “pós-cursor”, o Espírito Santo aponta para Jesus Cristo, que já veio. Jesus está no centro, entre o precursor e o “pós-cursor”. Os que ontem não deram ouvidos a João, não assistiram à inauguração do reino dos céus, em seu aspecto presente e futuro. Os que hoje não dão ouvidos ao Espírito correm o risco de se esquecer de Jesus Cristo como de fato ele é. Serão como aquela comunidade “cristã” de Laodiceia, bem estruturada, tranquila e autossuficiente, mas desesperadamente separada de Jesus Cristo (Ap 3.14-22).

De todos os dons do Espírito, sem dúvida, o de que mais precisamos é aquele que torna Jesus Cristo, sua pessoa e seu ensino continuamente lembrado!

Texto originalmente publicado na edição 293, março/abril de 2005, de Ultimato.

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