Um dos ministérios do Espírito Santo é fornecer a capacitação extra-humana para o serviço prestado a Deus. É por esta razão que os discípulos deveriam permanecer em Jerusalém à espera do batismo especial do Espírito, por meio do qual receberiam poder para serem testemunhas de Jesus em todo o mundo de então (At 1.4-8). Coisa parecida aconteceu com Bezalel, o artífice principal do Tabernáculo.  Está registrado que “o Espírito de Deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento, em todo artifício, e para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, para lapidação de pedras de engaste, para entalhe de madeira, para toda a sorte de lavores” (Êx 35.31-33).

A interação entre o Espírito e a Igreja é tanta que o pecado de Ananias e Safira foi contra o Espírito Santo: eles mentiram ao Espírito e não aos homens (At 5.3-9). Outra evidência dessa interação está no prólogo da epístola de Jerusalém: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós (os apóstolos)…” (At 15.28).

Como tal, o Espírito tem direitos sobre a Igreja, como claramente se vê em Atos. Tem o direito de cair tanto sobre judeus como sobre gentios: “Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós no princípio” (11.15). Tem o direito de presidir, dirigir ou comandar: ele mandou Filipe para a banda do sul (8.26), Pedro para a casa de Cornélio (10.19-20) e Paulo e Barnabé para os campos missionários mais distantes (13.2), e ainda impediu que Paulo e Timóteo se dirigissem para a Ásia e para a Bitínia. levando-os finalmente para a Macedônia (16.6-10). Tem o direito de encher não só os apóstolos, mas também homens como Estêvão (7.55), Barnabé (11.24), Paulo (13.9) e a coletividade toda (2.4; 4.31).

Os cristãos primitivos aprenderam a arte de reprimir a carne com o auxílio sobrenatural do Espírito (Rm 8.13). Aprenderam a andar no Espírito e não na carne (Gl 5.16 e 25). Aprenderam a colher o fruto do Espírito em lugar de produzir as obras da carne (Gl 5.16-24). Eram exortados a não entristecer (Ef 4.32) e muito menos a apagar o Espírito (1Ts 5.19). Eram convidados a se encher do Espírito sempre que, por qualquer negligência ou circunstância adversa, houvesse alguma quebra na plenitude (Ef 5.30).

Enquanto tudo isso acontecia internamente, o Espírito, do lado de fora, continuava a convencer “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8-11), sem o que não pode haver novas conversões e novos acréscimos.

Não se deve pensar que o Espírito Santo hoje já deu o que tinha para dar e se tornou uma espécie de Paráclito Emérito. Não existe semelhante absurdo no vocabulário cristão!

 

Publicado originalmente na edição 207, outubro de 1990, da revista Ultimato.

 

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