Por Simone Carvalho*

As estações mudam, já fui a jovem com expectativa de ir para o campo missionário, hoje sou a mãe que libera. Não posso começar a escrever sobre pais de missionários sem antes dizer que as preocupações, os medos e as dúvidas de cada pai que libera seu filho para seu destino em missões são completamente legítimos!

Como pais, desejamos sobretudo que nossos filhos sejam felizes e bem-sucedidos. Mas, qual a régua para medir a felicidade e o sucesso da jornada de uma vida? O que coloca a vocação missionária em um nível menor ou maior de sucesso e felicidade?

Este século observa alguns pontos para medir a plenitude da vida humana. O primeiro perigo é resumir a vida em nascer, estudar, ser avaliado, graduar-se, ser avaliado e entrevistado até conseguir o “emprego dos sonhos”, com objetivo principal de se sentir seguro, estável e ter condições de ir a restaurantes caros, fazer viagens regulares e postar fotos nas redes sociais. Não, não tem nenhum mal nisso, se esse processo de vida for o real propósito para aquela pessoa, o triste é se ela apenas está seguindo um padrão.

O outro perigo, tão mortífero quanto o primeiro, é o da comparação. Como pais temos de estar atentos a isso, é sutil e nada justo começar a olhar outras jovens na mesma idade dos nossos filhos e observar de acordo com a régua deste século o quanto nossos filhos são bem-sucedidos.

Se olharmos para a Palavra Viva, tudo se torna leve e generoso, as direções bíblicas para criação de filhos se resumem em ser pais que tenham um relacionamento saudável e real com Deus, com busca intensa de aprender do caráter dele e segui-lo com isso, que ensinem sobre este mistério prático aos seus filhos, de modo que quando forem adultos alcancem o alvo de ter um relacionamento real e crescente com Deus, desejando obedecer sua voz. Se usarmos as Escrituras como régua de medir sucesso e felicidade para nossos filhos, enxergar em nossos jovens o desejo por um relacionamento profundo com Jesus, em temor e reverência sincera no Senhor que os levem a buscar o propósito de vida que Deus sonhou para eles, então, sim, teremos sido pais bem-sucedidos que geraram filhos bem-sucedidos e felizes!

Afinal, perigos, tristezas, privações e riscos de vida podem acontecer a qualquer um de maneiras diferentes, seja um missionário ou um milionário.

Se eu estou preocupada em liberar nossa filha pra missões? MUITO! Se me sinto e a vejo bem-sucedida e feliz com o passo que ela está dando? MUITO!

Se sonhei com esse destino pra ela? NÃO! Se dependemos e confiamos no Deus que apresentamos a ela para ser o cuidador dela nessa aventura? SIM!

Eu sei que ainda temos muito pra falar sobre este assunto, mas por hora encerro com a clássica frase de Charles H. Spurgeon: “Meu filho, se Deus te chamou para ser missionário, eu ficaria triste em vê-lo reduzido a um rei”.

*Simone Carvalho trabalha com treinamento em Jovens Com Uma Missão (JOCUM) na nova base em Chapada dos Guimarães (MT). Casada com Vagner, mãe de três Annas e Isabel.

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