Na varanda com o autor | Márcia Barbutti

 

Ela é editora, responsável pelo material infanto-juvenil da Editora Cultura Cristã, mas é conhecida como “tia Márcia” por uma multidão de crianças, adolescentes, jovens e até adultos. Colunista do portal Ultimato, Marcia Barbutti de Lima Barreto é pedagoga e também tem a “velha e boa” formação do Instituto Bíblico Eduardo Lane, celeiro de educadores e educadoras cristãs.

O “Na Varanda com o Autor” de junho conversou com a professora Márcia Barbutti, especialmente para aproveitar a sua longa experiência com a teoria e a prática da educação cristã. Para ela, educação de criança é coisa séria.

 

Alguma pessoa ou livro, em especial, influenciou sua aproximação da leitura e da escrita?

Meus pais me cercaram de livros e isso foi fundamental para essa aproximação e gosto pela leitura e escrita.Os textos do rev. Élben Cesar, o jeito despojado ao mesmo tempo elaborado, simples e profundo me cativaram há décadas. Ter tido a oportunidade de conviver com ele e ver de perto sua paixão pela leitura e pelas pessoas, me inspirou e instigou.

O trabalho com o rev. Cláudio Marra tanto na igreja de Viçosa como na editora Cultura Cristã me fez ver os textos por ângulos objetivos sem perder a sensibilidade. Ele me abriu a porta da escrita como autora de revistas infantis e, anos mais tarde, como editora desses materiais.

 

Quando a inspiração para escrever não vem…

Quando a inspiração para escrever não vem… não tento brigar com sua ausência (já briguei muito no passado). Levanto e foco em outra coisa, geralmente em algo nada a ver com o que tenho que escrever. Passado um tempo eu vejo, leio ou ouço algo que se aproxima do tema e vou devagar, se necessário, e vou me aproximando do tema central. Mas, muitas vezes a escrita vem sem inspiração mesmo, ela vem com muito suor e muitas tentativas.

 

Márcia e Marcelo, com as filhas Elisa e Alice e o genro Matheus

O que os adultos devem ler para as crianças?

Nós adultos devemos despertar o gosto pela leitura nos pequeninos, desde os livros de plástico para serem usados na banheira, passando pelos livros coloridos sem palavras que mexem com a imaginação, até os clássicos. Mas prioritariamente, devemos ler a Bíblia para as crianças, e o que não faltam são versões como a Bíblia do bebê, Bíblia de Estudo da Garotada… Vamos utiliza-las! Porém, é mais do que ler, é ler com vida e com a própria vida. Biografias também são inspirativas e desafiadoras.

 

Que conselho você gostaria de ter recebido na sua juventude?

Pratique esportes. Ria mais de si mesma.

 

Como você lida com o envelhecer?

O fato de ter tido a síndrome de burnout há algum tempo me fez ver a vida de outra forma. Pela graça de Deus recebi um bom tratamento (terapêutico e medicamentoso) e comecei a olhar as limitações da idade como o cansaço que chega mais rápido que antes, as falhas de memória, a necessidade de pausas e uma boa seleção das batalhas a serem enfrentadas, de uma forma mais natural. Também aprecio mais os momentos com pessoas queridas, os momentos de solitude, meditação e oração.

 

O que mais a anima e o que mais a incomoda no meio evangélico?

Sou uma entusiasta incurável quando se trata da educação cristã, em especial com os pequeninos, afinal “dos tais é o reino dos céus” e vejo tantas pessoas criativas engajadas nessa causa. É fascinante! Por outro lado, vejo uma liderança que ainda vê as crianças como seres bonitinhos que se contentam com pouco e estão ali para serem entretidas. É triste.

 

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