A igreja da qual o teólogo e escritor inglês John Stott foi pastor e, depois, pastor emérito desde 1975 até a sua morte, em julho do ano passado, aos 90 anos, abriu as portas para os turistas, com direito a chá, sorvete e, claro, um telão para ver os Jogos.
Confira a matéria da correspondete da BBC, em Londres, Camilla Costa.

Jogos até na igreja (e com sorvete para acompanhar)

Uma igreja anglicana em frente ao prédio da BBC foi transformada em local de exibição das provas olímpicas até o dia 12 de agosto.

Decidido a atrair visitantes e ser uma igreja aberta, o templo de All Souls (“Todas as almas”), aqui na rua Langham Place, exibe as competições de Londres 2012 em telões, em seus dois andares.

Além de sentar-se confortavelmente para assistir aos Jogos, quem quiser parar um pouco na igreja pode comer algo no café com wi-fi que foi montado provisoriamente dentro do primeiro andar, tomar um sorvete ou, simplesmente, relaxar.

As escadarias de All Souls já costumam ficar cheias de passantes que se sentam momentaneamente para descansar ou – como é costume dos ingleses – comer um sanduíche qualquer, que eles chamam de almoço.

Há uma semana, quem passa por ali também recebe uma garrafinha de água mineral, cortesia do Exército da Salvação – ou melhor – de um doador anônimo que contribuiu com a iniciativa do Exército da Salvação de distribuir água durante os Jogos em diversos pontos da cidade. Só esta igreja recebeu 67 mil garrafas.

Todos os dias ao passar em frente a All Souls, me perguntava que espécie de igreja era aquela onde eu sempre via telões, sinais sobre um café com wi-fi, distribuição de água e placas sobre acessibilidade de cadeirantes, mas nunca uma missa.

Hoje, ao entrar, descobri que as missas acontecem normalmente aos domingos. Em um canto da nave principal (é complicado chamar de “nave”, porque a igreja é circular), logo em frente à entrada, um cartaz pergunta: “de onde você é?” e copinhos coloridos – uma cor para cada continente – esperam receber papéis com nomes de novos países.

Um dos funcionários do local, Dave Miller, me deu seu cartão da igreja – que tem uma marca moderninha de bom gosto e e-mail corporativo – e disse que eles querem que a igreja seja multicultural, e também um espaço receptivo a quem quiser entrar. “Percebemos que muita gente nem entra em uma igreja, porque é um lugar que está sempre fechado e vazio”.

Ao voltar para o trabalho, tomando um sorvete de manga que comprei lá dentro, comentei sobre a igreja com colegas, que encararam a iniciativa com algum ceticismo. Para eles, a igreja quer somente “arrebanhar fieis”.

Não poderia argumentar sobre a validade da estratégia nesse caso, mas devo confessar que gostei da ideia da All Souls. Em pleno centro, no meio das pessoas correndo para trabalhar, comer rapidamente, pegar o metrô ou coisa do tipo, eles se tornaram um local que convida ao descanso momentâneo. Um lugar para gente como eu, que tem que trabalhar cobrindo a Olimpíada, lembrar que assistir aos Jogos também é diversão.

Até o dia 12, também se rezará pelo ouro no local de oração de All Souls
A igreja virou ponto de encontro para descansar durante o almoço

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