Jesus foi um mestre extremamente talentoso e seu meio preferido e distinto de instrução foi a parábola. Basicamente, o termo parábola significa uma comparação ou analogia, na maioria das vezes em forma de narrativa dramática. A primeira função das parábolas de Jesus era ilustrar alguma verdade, especialmente com respeito ao caráter, aos valores e à vinda do reino de Deus. Em segundo lugar, elas tinham a intenção de levar seus ouvintes a algum tipo de decisão. E em terceiro, elas ocultavam a verdade e a revelavam ao mesmo tempo, uma vez que, “vendo, eles não veem e, ouvindo, não ouvem nem entendem” (Mt 13.13).

 

A parábola da semente

O Reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente sobre a terra. Noite e dia, estando ele dormindo ou acordado, a semente germina e cresce… por si própria (Marcos 4.26-28).

Se seguirmos a cronologia do Evangelho de Marcos, a parábola da semente que germina e cresce foi uma das primeiras. Naquele tempo o reino era extremamente pequeno e consistia apenas de algumas poucas pessoas que tinham ouvido Jesus pregar o evangelho e respondido à sua convocação. Essa parábola, portanto, tinha como objetivo tranquilizar seus seguidores e trazer-lhes encorajamento quando a disseminação do reino parecesse lenta.

Em alguns aspectos importantes, o reino cresce como crescem as plantas. Um agricultor espalha a semente e, no tempo devido, quando o grão amadurece, ele maneja sua foice e faz a sua colheita. Entre o tempo da semeadura e o da ceifa, no entanto, ele não faz praticamente nada. Se ele dormir ou se ficar acordado, não faz nenhuma diferença, pois, de uma forma ou de outra, a semente brota e cresce.

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Parece legítimo considerar que, juntas, as sete igrejas da província da Ásia (Apocalipse 2 e 3) representam a igreja universal. E já que um aspecto específico é destacado em cada igreja, talvez possamos entender essas sete características como as marcas de uma igreja ideal.

Amor. Essa é a primeira marca de uma igreja ideal. A igreja em Éfeso possuía muitas qualidades. Cristo conhecia seu trabalho árduo e perseverança, sua intolerância ao mal e seu discernimento teológico. Alguns anos mais tarde, no início do segundo século, o Bispo Inácio de Antioquia, a caminho de Roma para ser executado como cristão, escreveu aos efésios em termos muito elogiosos: “Vós todos viveis de acordo com a verdade e nenhuma heresia tem abrigo entre vós; aliás não vos prestais a ouvir ninguém que fale outra coisa senão acerca de Jesus Cristo e sua verdade”.1

Ainda assim, Jesus tinha algo contra a igreja efésia: “você abandonou o seu primeiro amor” (2.4). Todas as virtudes dos efésios não compensavam aquela falha. Não há dúvida de que na época da conversão o amor deles por Cristo havia sido ardente e vivo, mas agora as chamas haviam definha­do. Lembramos da reclamação de Javé a Jeremias acerca de Jerusalém: “Eu me lembro de sua fidelidade quando você era jovem: como noiva, você me amava…” (Jr 2.2). Como em Jerusalém, assim também com Éfeso: o noivo celestial procurava cortejar a noiva para que ela voltasse ao primeiro êxtase de seu amor: “Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio” (2.5). Sem amor, tudo é nada.

 

Sofrimento. Se a primeira marca de uma igreja viva é o amor, a segunda é o sofrimento. A disposição de sofrer por Cristo prova a genuinidade de nosso amor por ele.

Cristo conhecia as aflições, a pobreza e injúria que a igreja de Esmirna estava tendo de enfrentar. Talvez esses sofrimentos estivessem associados com o culto local ao imperador, pois Esmirna orgulhava-se de seu templo em homenagem ao Imperador Tibério. De tempos em tempos, os cidadãos eram convocados para jogar incenso no fogo que queimava diante do busto do Imperador e confessar que César era o senhor. Mas como os cristãos poderiam negar o senhorio de Jesus Cristo? Em 156 d.C., o venerável Policarpo era Bispo de Esmirna. Ele enfrentou esse mesmo di­lema. No anfiteatro lotado, o procônsul instou-o a reverenciar o gênio de César e insultar Cristo, mas Policarpo recusou-se, dizendo: “Por oitenta e seis anos o tenho servido, e ele nenhum dano me causou; como então poderia eu blasfemar meu rei que me salvou?” Ele preferiu ser queimado numa estaca a negar a Cristo.2

Mais de um século antes daquilo, Cristo já havia alertado a igreja de Esmirna de que provações severas estavam chegando, inclusive prisão e talvez morte. “Seja fiel até a morte”, disse-lhes Jesus, “e eu lhe darei a coroa da vida” (2.10).

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Se nós pelo menos observássemos ‘unidade nos essenciais, liberdade nos não essenciais, caridade em todas as coisas’, as nossas relações certamente estariam na melhor situação possível. (Rupert Meldenius, teólogo luterano do século 17)

A unidade é um dos principais abordados por Paulo na Carta de Filipenses. Ao que parece, tinha havido algum desentendimento sério na igreja. Não sabemos exatamente o porquê , mas uma pista pode ser as três conversões notáveis  que se deram durante as visitas missionárias de Paulo (At 16. 11-18, 27-34). Seria difícil imaginar um trio mais desigual: os três convertidos diferiam um do outro enquanto à nação, grupo social e provavelmente até quanto ao temperamento. Lídia era uma mulher de negócios bem-sucedida, da província da Ásia; a escrava anônima vinha de outra extremidade do aspecto social; já o carcereiro romano , provavelmente um soldado aposentado, poderia ser descrito como pertencente a uma respeitável classe média. Estes três foram membros fundadores da igreja de Filipos. O impressionante é que, pelo batismo, eles puderam ser aceitos na comunidade cristã sem discriminação. Talvez existissem outros convertidos, de passados igualmente diferentes. É bem possível que a tensão entre raças, classes e personalidades tenha vindo à tona  outra vez depois da conversa deles, causando algum conflito.

Unidade no Evangelho

Em todo caso, convém atentarmos para as exortações do apóstolo. Ele pede os seus leitores que permaneçam  firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica (Fp 1.27). E prossegue advertindo-os: Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento (2.2).

É importante observarmos, no entanto, que tipo de unidade  Paulo está lhes recomendando. Não é uma unidade que se busque a qualquer preço, mesmo que para isso se comprometam verdades fundamentas; nem é uma unidade nos mínimos detalhes, que implique afastar-se de qualquer um que deixe de colocar pontos nos “is” e cortar todos os “tes” como nós fazemos. É unidade no Evangelho, nas coisas essenciais  do Evangelho,  firmes… lutando juntos pela fé evangélica (versículo 27).

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