Ao falar sobre o serviço dos cristãos a Cristo e ao próximo, John Stott lembra que há diferentes tipos de ministério, conforme o dom e a vocação de cada servo. Cada um pode servir com suas orações, dons, interesses e capacidades, encorajando ou engajando-se em alguma atividade e respondendo à chamada de Deus para nos especializarmos de acordo com nossa vocação, conforme os dons, os interesses e oportunidades.

Além dos diferentes dons, há diferentes esferas do ministério cristão, começando do nosso “centro” pessoal (lar e trabalho), passando pela igreja e vizinhança, até atingir o mundo todo. A respeito do ministério cristão em nosso trabalho ele diz:

O local de trabalho é a segunda esfera na qual somos chamados a servir, a exercitar um ministério cristão. Há cristãos que entendem isso apenas em termos de evangelização – acham que o seu emprego é primordialmente uma oportunidade para testemunhar aos seus colegas ou companheiros de trabalho. Isso é verdade, principalmente se eles forem os únicos cristãos ali, e especialmente se o seu testemunho se refletir acima de tudo na qualidade de seu trabalho. Mas o nosso trabalho diário tem o seu próprio valor como forma de ministério cristão, totalmente independente da questão evangelística. Nós precisamos de uma filosofia cristã de trabalho.

O lugar certo para começar é em Gênesis 1, onde vemos Deus como um trabalhador atencioso, criativo, diligente e responsável. Depois de criar o mundo, ele continuou supervisando, sustentando e renovando-o. Então, ao criar os seres humanos à sua própria imagem, ele os fez igualmente trabalhadores criativos. Lembrar que ao trabalhar estamos sendo como Deus acrescenta honra e dignidade ao nosso labor. O nosso trabalho ganha ainda mais importância porque nos permite beneficiar a outros, tanto porque ao ganhar nosso salário podemos sustentar nossa família e ajudar os necessitados, quanto porque o produto de nosso trabalho contribui para o bem comum.

Continue lendo →

A oração parece ser uma coisa muito simples, quando Jesus fala sobre ela. Simplesmente Pedi …, buscai …, batei …, e, em qualquer caso, receberemos a resposta. Não obstante, é uma simplicidade ilusória; há muita coisa por detrás dela.

Primeiro, oração pressupõe conhecimento. Considerando que Deus só concede dádivas de acordo com a sua vontade, temos de esmerar-nos em descobri-la – pela meditação nas Escrituras e pelo exercício da mente cristã disciplinada nessa meditação.

Segundo, oração pressupõe fé. Uma coisa é conhecer a vontade de Deus; outra é nos humilharmos diante dele e expressarmos a nossa confiança em que ele é capaz de executar a sua vontade.

Terceiro, oração pressupõe desejo. Podemos conhecer a vontade de Deus e crer que ele pode executá-la, e ainda assim não deseja-la. A oração é o principal meio ordenado por Deus para a expressão de nossos mais profundos desejos. É por isso que a ordem de “pedir – buscar – bater” está no imperativo presente e em escala ascendente, para desafio de nossa perseverança.

Assim, antes de pedir, precisamos saber o que pedir e se está de acordo com a vontade de Deus; temos de crer que Deus pode concedê-lo; e precisamos genuinamente desejar recebê-lo. Então, as graciosas promessas de Jesus se realizarão.

Trecho extraído do livro A Mensagem do Sermão do Monte.

No trecho do livro Os Cristãos e os Desafios Contemporâneos em que fala sobre a atuação dos cristãos num mundo complexo, John Stott lembra que é importante que eles estejam seguros dos fundamentos teológicos do envolvimento social. Como cristãos, é preciso que estejam certos de ter uma cosmovisão cristã, o que só acontece se tiverem um entendimento bíblico completo sobre as doutrinas básicas da sua fé. Segundo o autor, somente isso os preservará de simplificações ingênuas e do senso de desespero que pode acometer os cristãos.

Além de dar-se conta das doutrinas sobre Deus, sobre o ser humano, sobre Cristo, sobre a salvação e sobre a igreja, os cristãos podem lembrar-se, para o seu encorajamento, de dons dados por Deus:

A mente
O primeiro dom é a mente, com a qual pensamos. Deus nos fez criaturas racionais, inteligentes. Ele ainda nos proíbe de comportarmos como cavalos ou burros, que não têm entendimento, e nos diz para não sermos crianças quanto ao modo de pensar, mas adultos (Sl 32.9; 1Co 14.20).

Continue lendo →