Quando confrontados com a complexidade da vida moderna, os cristãos podem ser tentados a se dirigir a dois extremos.

Primeiramente, eles podem sucumbir ao desespero e até mesmo ao cinismo. Eles mencionam, como razões de a situação estar incorrigível, as discórdias entre cristãos, uma Bíblia antiquada e assuntos que só podem ser compreendidos por especialistas. Eles não creem que Deus fala conosco por meio das Escrituras e nos leva à verdade. Em segundo lugar, podem ser ingênuos e simplistas. Essas pessoas querem soluções rápidas e frequentemente veem os assuntos em preto e branco, em vez de refletir sabiamente sobre eles à luz das Escrituras. Elas negam os problemas, citam textos justificativos, criticam aqueles que discordam e fazem qualquer coisa, exceto lutar com os assuntos que nos confrontam, à luz das Escrituras. Assim, o que é necessário, é desenvolver uma mente cristã e isso significa analisar as questões, ler as Escrituras, ouvir outras pessoas e agir.

Entretanto, mesmo se já fizemos nosso dever de casa e discutimos, debatemos e oramos juntos, precisamos nos perguntar: “Nos ombros de quem está a responsabilidade política?”. Não fazer e responder a essa pergunta é uma das principais razões da atual confusão sobre o envolvimento cristão na política. Precisamos distinguir entre indivíduos, grupos e igrejas. Todos os cristãos, como indivíduos, deveriam ser politicamente ativos, no sentido de, como cidadãos conscientes, votarem nas eleições, informarem-se sobre assuntos contemporâneos, participarem de debates públicos e talvez escreverem para um jornal, argumentarem com seus candidatos eleitos ou participarem de manifestação. Continue lendo →

Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28.19).

Somente a partir do nono século é que o primeiro domingo após o Pentecostes passou a ser popularmente celebrado como o Domingo da Trindade. Trata-se de um arranjo bastante apropriado, sedimentado por Cranmer em seu Livro de Oração, de 1549. Temos seguido o calendário da igreja através do Antigo Testamento (a história do Deus-Pai Criador) e do Natal à Páscoa (a história de Jesus), chegando ao seu ponto culminante com a vinda do Espírito. Vimos assim a revelação histórica da Trindade.

Tem sido de grande ajuda para mim, por muitos anos, recitar a liturgia trinitariana a seguir – que começa louvando a Deus e termina com uma oração -, no início de cada dia.

Deus Todo-Poderoso e eterno,

Criador e sustentador do universo, eu te adoro.

Senhor Jesus Cristo,

Salvador e Senhor do mundo, eu te adoro.

Santo Espírito,

Santificador do povo de Deus, eu te adoro.

Glória ao Pai, ao Filho e a Espírito Santo.

Tal como era no princípio, é agora e será para sempre,

até o final dos tempos.

Amém.

Pai Celestial, que eu possa viver cada dia

Em tua presença e agradar-te mais e mais.

Senhor Jesus Cristo, peço-te que neste dia

Eu possa tomar a minha cruz e te seguir.

Espírito Santo, oro para que neste dia teu fruto possa amadurecer 

Em minha vida – amor, alegria, paz, paciência, bondade,

mansidão, fidelidade, generosidade e autocontrole.

Santa, bendita e gloriosa Trindade, três pessoas e um único Deus,

Tem misericórdia de mim.

Amém

Para saber mais: Efésios 2.18

Texto originalmente publicado em A Bíblia Toda o Ano Todo.

Exaltado à direita de Deus, ele recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e derramou o que vocês agora veem e ouvem. (Atos 2.33)

O dia de Pentecostes foi um evento de múltiplos aspectos. Primeiramente, ele foi o último ato do ministério salvífico de Jesus antes da parúsia, e nesse sentido foi um evento único, tanto quanto o dia de Natal, a Sexta-Feira Santa, o domingo de Páscoa ou o dia da ascensão. Ele marcou o início de uma nova era do Espírito e preparou os apóstolos para que exercessem sua função de mestres. O dia de Pentecostes pode ser considerado também como o primeiro reavivamento, no qual Deus visitou seu povo poderosamente.

“O dia de Pentecostes”, Christina Balit, 2002.

A narrativa de Lucas começa com um breve relato dos acontecimentos. O Espírito de Deus veio sobre os discípulos, e sua vinda foi acompanhada de três sinais sobrenaturais: o som de um vento forte, línguas como que de fogo, e capacidade de falar em outras línguas. Mas, o que seria essa glossolalia? Primeiramente, não foi consequência de intoxicação alcoólica, como alguns disseram, em tom de zombaria. Não foi também (como alguns têm sugerido) um milagre de ouvir. De fato, “cada um os ouvia falar em sua própria língua” (v. 6), mas eles só ouviram porque antes aconteceu um fenômeno de fala. Não se tratava também de algumas palavras sem nexo interpretadas erroneamente por Lucas como sendo uma linguagem. De acordo com Lucas, o que aconteceu de fato foi que eles receberam uma habilidade sobrenatural para falar uma língua conhecida, mas que eles nunca haviam aprendido, e proclamar as maravilhas de Deus através dela.

Lucas procura enfatizar a variedade de culturas e línguas da multidão ali reunida. Embora fossem todos judeus da dispersão que estavam em Jerusalém, eles vinham “de todas as nações do mundo” (v. 5), ou seja, do mundo greco-romano situado ao redor da bacia do Mediterrâneo. É óbvio que não estavam presentes pessoas de “todas as nações” no sentido literal, mas representantes de várias nações, pois Lucas inclui deliberadamente em sua lista os descendentes de Sem, Cam e Jafé, e apresenta uma “lista de nações” comparável à encontrada em Gênesis 10. Desde a época dos pais da igreja primitiva a bênção de Pentecostes tem sido considerada como uma reversão deliberada e dramática da maldição de Babel. Na torre, os idiomas humanos foram confundidos, e as nações se espalharam; em Jerusalém, a barreira da língua foi superada de maneira sobrenatural, como um sinal de que as nações se uniriam em Cristo.

Leitura recomendada: Atos 2.1-13

Texto originalmente publicado no livro A Bíblia Toda o Ano Todo.