Lendo o Sermão do Monte com John Stott é o primeiro volume da série “Lendo a Bíblia com John Stott”. Neste livro, o leitor pode encontrar a essência, o significado e a aplicação do texto bíblico de um dos trechos clássicos da Bíblia sem detalhes técnicos e acadêmicos. O livro, que também pode ser usado como leitura diária, contém, ao final de cada capítulo, orientações e guia de estudo para uso individual ou em grupo.

Ultimato ilustrou algumas frases do livro. Veja o resultado:

Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los. (Mateus 5.1-2)

Um tópico que precisa ser discutido antes de examinarmos cada uma das bem-aventuranças é a bênção que Jesus promete. Cada indivíduo que exibe a qualidade recomendada por Jesus é chamado de “bem-aventurado”. A palavra grega makarios significa “feliz”, portanto a tradução do Novo Testamento que você está lendo pode dizer: “Felizes os que […]”. Vários comentaristas explicam as bem-aventuranças como prescrição de Jesus para a felicidade humana.

Ninguém sabe melhor do que nosso Criador como trazer felicidade ao ser humano. Ele nos fez e sabe como funcionamos melhor. Mas é um sério equívoco traduzir makarios por “felizes”. A felicidade é subjetiva, enquanto Jesus está fazendo um julgamento objetivo sobre essas pessoas. Ele não está declarando o que elas podem sentir em uma determinada ocasião (felizes), mas o que Deus pensa a respeito delas e do que elas realmente são: bem-aventuradas.

A segunda metade da bem-aventurança explica a bênção que desfrutam os que exibem essas qualidades. Eles possuem o reino dos céus e herdam a terra. Os que choram são consolados e os que têm fome, satisfeitos. Recebem misericórdia, veem a Deus, são chamados filhos de Deus. Grande é a sua recompensa celestial. E todas essas bênçãos são desfrutadas ao mesmo tempo. Assim como as oito qualidades descrevem todo cristão, as oito bênçãos são dadas a todo cristão. É verdade que a bênção em particular prometida em cada caso é apropriada à qualidade descrita em particular. Ao mesmo tempo, certamente não é possível herdar o reino dos céus sem herdar a terra, ser consolado sem ser satisfeito ou ver a Deus sem receber a misericórdia divina.

As oito qualidades juntas constituem as responsabilidades e as oito bênçãos, os privilégios, que o cristão recebe por ser cidadão do reino de Deus. É isso que significa desfrutar da lei de Deus em nossa vida.

Trecho extraído do livro Lendo o Sermão do Monte com John Stott. Editora Ultimato, 2018.

Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a levou até ele. (Gênesis 2.21-22)

Adão e Eva no jardim do Éden. Artista: Jim Padgett.

Não está claro no texto se devemos entender essa cirurgia divina sob um divino anestésico de forma literal. Porém, algo profundo e misterioso aconteceu ali, inspirando Adão, diante da visão de Eva, a escrever o primeiro poema de amor da história:

Esta, sim, é osso dos meus ossos
e carne da minha carne!
Ela será chamada mulher,
porque do homem foi tirada.
(Gênesis 2.23)

O fato de a mulher ter sido retirada “do lado” tem sido interpretado pelos comentaristas como tendo significado simbólico. Pedro Lombardo, que se tornou bispo de Paris em 1159, por exemplo, escreveu um ou dois anos antes, em seu famoso sumário da doutrina cristã intitulado O Livro das Sentenças: “Eva não foi tirada dos pés de Adão para que fosse sua escrava, nem da cabeça para que governasse sobre ele. Deus tirou-a de seu lado para que ela fosse sua parceira”. Matthew Henry, ao escrever seu comentário bíblico em 1704, provavelmente deve ter se lembrado de Pedro Lombardo quando afirmou que Eva “não foi feita a partir da cabeça de Adão para não superálo, nem de seus pés para não ser esmagada por ele, mas de seu lado, para estar ao lado dele, em igualdade; sob seu braço para ser protegida, e perto de seu coração para ser amada”.

É correto, portanto, que em praticamente todas as sociedades o casamento seja uma instituição reconhecida e regulamentada. Porém, não se trata de uma invenção humana. O ensino cristão sobre o casamento começa com a alegre declaração de que ele é ideia de Deus, não nossa. Como está escrito no prefácio do Marriage Service [Culto de casamento] de 1662, o casamento foi “instituído pelo próprio Deus antes da queda, no tempo em que o homem era ainda inocente”.

Para saber mais: Cântico dos Cânticos 2.14-17

Trecho extraído do livro A Bíblia Toda, o Ano Todo. Editora Ultimato.

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