(…) Kyrios Iesous (“Senhor Jesus”) foi o primeiro de todos os credos cristãos. Ele é seguramente um testemunho da encarnação, já que é uma afirmação da identidade do Jesus humano e do Senhor divino.

A palavra kyrios era usada com uma grande variedade de significados. Por um lado, podia ser usada simplesmente como um título de cortesia (“senhor”) ou para designar o dono de algum tipo de propriedade. Por outro lado, usava-se durante todo o período clássico grego com referência aos deuses, que eram assim reconhecidos como tendo autoridade sobre a natureza e a história. Depois veio a ser aplicada a governantes humanos, especialmente o imperador (Kyrios Kaisar), e era a paráfrase comumente usada para Javé pelos estudiosos ao traduzirem a Bíblia do hebraico para o grego. Daí passou a ser usada no Novo Testamento com relação ao Cristo ressurreto,1 com a implicação de que seus seguidores eram seus escravos, comprometidos a adorá-lo e obedecê-lo, numa clara indicação de que eles reconheciam sua divindade. O mais impressionante é o fato de que os seus primeiros discípulos tenham usado este epíteto, pois eles eram monoteístas tão fanáticos quanto qualquer muçulmano hoje. Eles recitavam o Shema todo dia, confessando que “o Senhor nosso Deus, o Senhor, é um só”.2 Mas, apesar disso, eles chamavam abertamente Jesus de Senhor e o adoravam como Deus.

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Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor […]. Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja (Ef 5.22, 25).

Muitos consideram que o apóstolo Paulo teria sido um incorrigível misógino (alguém que tem aversão a mulheres). Mas aqueles que pensam assim provavelmente não levaram em conta as implicações de Efésios 5.21-33, pois nessa passagem, séculos à frente de seu tempo, há um sublime ensino cristão que precisa ser esclarecido urgentemente. Considere seus cinco aspectos:

Primeiro, a exigência que a esposa se submeta a seu marido é uma aplicação particular de uma regra cristã geral, pois a ordem para as esposas se sujeitarem (v. 22) vem imediatamente após a ordem para todos se sujeitarem uns aos outros (v. 21). Se, portanto, é obrigação da esposa sujeitar-se ao marido, é também obrigação dele, como participante da nova humanidade de Deus, sujeitar-se a ela. A submissão não deve ser unilateral. Trata-se de uma obrigação cristã universal, exemplificada pelo próprio Senhor Jesus.

Segundo, a esposa deve ser submissa a um marido amoroso, e não a um monstro. Paulo não diz: “Esposas, sujeitem-se; maridos mandem”, mas: “Esposas, sujeitem-se… maridos amem”. Entre um marido amoroso e um tirano há uma diferença enorme.

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Nem todo aquele que me diz: “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. (Mateus 7.21)

Jesus coloca diante de nós, na conclusão do sermão do monte, a escolha radical entre obediência e desobediência. Não que possamos, é claro, ser salvos por meio de nossa obediência, mas que, se verdadeiramente somos salvos, mostremos isso através dela.

Primeiro, Jesus nos adverte do perigo de uma confissão meramente verbal (v. 21-23). É certo que uma confissão expressa verbalmente é essencial; “Jesus é Senhor” é o primeiro, mais curto e mais simples de todos os credos. Contudo, se isso não for acompanhado de uma submissão pessoal ao senhorio de Jesus, é inútil. Podemos ouvir no último dia as terríveis palavras de Jesus: “Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal” (v. 23).

Segundo, Jesus nos adverte do perigo de um conhecimento meramente intelectual. Enquanto o contraste nos versículos 21 a 23 era entre falar e fazer, o contraste agora é entre ouvir e fazer (v. 24-27). Jesus então ilustra isso por meio de sua famosa parábola dos dois construtores. Ela apresenta um homem sábio, que construiu sua casa sobre a rocha, e um tolo, que teve preguiça de fazer alicerces e construiu sua casa sobre a areia. Quando ambos entraram em suas construções, um observador menos atento não teria notado a diferença entre elas, pois a distinção se encontrava nos alicerces, e alicerces não são vistos. Somente quando a tempestade caiu e atingiu ambas as casas com fúria é que a diferença fatal foi revelada. Do mesmo modo, cristãos praticantes (tanto genuínos quanto espúrios) têm a mesma aparência. Ambos demonstram estar edificando vidas cristãs. Ambos ouvem as palavras de Cristo. Vão à igreja, leem a Bíblia e escutam sermões. As profundezas de seus alicerces, no entanto, estão ocultas à vista. Somente a tempestade da adversidade nesta vida e a tempestade do juízo no último dia revelarão quem somos.

O sermão do monte termina com uma nota solene de escolha radical. Só há dois caminhos (o estreito e o largo) e somente duas fundações (a rocha e a areia). Em que estrada estamos viajando? Sobre qual alicerce estamos construindo?

Para saber mais: Mateus 7.13-29

Trecho extraído do livro A Bíblia Toda, o Ano Todo. Editora Ultimato.