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Guerra e paz

books-0-2-1535732-1279x852Ainda em clima de celebração pelo prêmio como “livro do ano” (Areté), compartilhamos a seguir mais um trecho de Os Cristãos e Os Desafios Contemporâneos, de John Stott.

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De todos os problemas globais que nos confrontam hoje, nenhum é tão grave quanto a ameaça de autodestruição da raça humana. A guerra não está mais restrita ao combate entre exércitos. Por um lado, nações têm desenvolvido constantemente armas de destruição em massa capazes de erradicar sociedades inteiras e, de fato, destruir a civilização humana. Por outro lado, vemos o aumento de grupos terroristas cometendo atos de violência poderosos e simbólicos ante os olhos atentos do mundo.

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Quatro dons de Deus para pensarmos corretamente

Prat_27_02_14_Capa_OCDCOs Cristãos e os Desafios Contemporâneos foi a maior e mais abrangente obra do pastor e teólogo inglês John Stott. Em 2014, a Editora Ultimato resolveu encarar o trabalho de editar e publicar mais de 600 páginas da pena do bom e velho Stott. Deu resultado. Apesar de ter sido publicado há décadas, o livro continua atual. Seus temas ainda estão na boca dos cristãos: violência, direitos humanos, aborto, diversidade étnica, trabalho e desemprego, meio ambiente, casamento e divórcio, homossexualidade, globalização, entre outros.

Além disso, Os Cristãos e os Desafios Contemporâneos foi reconhecido nesta semana (dia 12) como o “Livro do Ano” pela Associação de Editores Cristãos (ASEC) e como melhor livro na categoria “Vida Cristã”.

A propósito disso, podemos nos perguntar: como Stott conseguiu escrever esta obra? Sem dúvida, seu compromisso com Cristo foi o principal. Mas, na prática, como ele conseguiu elaborá-la? Em sua sabedoria clara e concisa,  o próprio Stott explica no capítulo 2: usando quatro dons fundamentais. Eles servem não somente para escrever livros, mas para pensar corretamente e viver uma vida cristã frutífera e relevante num mundo cada vez mais complexo e cheio de dilemas éticos. Confira abaixo o que Stott disse.

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Os quatro dons

Nossa mente

O primeiro dom é a mente, com a qual pensamos. Deus nos fez criaturas racionais, inteligentes. Ele ainda nos proíbe de comportarmos como cavalos ou burros, que não têm entendimento, e nos diz para não sermos crianças quanto ao modo de pensar, mas adultos (Sl 32.9; 1Co 14.20).

A Bíblia

Em segundo lugar, ele nos deu a Bíblia e seu testemunho de Cristo, para direcionar e guiar nosso raciocínio. Ao absorver o ensino bíblico, nossos pensamentos se conformarão cada vez mais com os de Deus. Isso não acontece por memorizarmos vários textos-prova, os quais recitamos em momentos convenientes, cada um rotulado para responder a uma pergunta. Antes, isso acontece por termos compreendido os grandes temas e os princípios das Escrituras, além da estrutura de quatro partes que estamos abordando neste capítulo.

O Espírito Santo

O terceiro dom de Deus é o Espírito Santo, o Espírito da verdade, que nos abre as Escrituras e ilumina nossa mente de tal maneira que podemos entendê-las e aplicá-las.

A comunidade cristã

Em quarto lugar, Deus nos deu a comunidade cristã como o contexto dentro do qual raciocinamos. Sua heterogeneidade é a melhor defesa contra uma visão limitada. A Igreja tem membros de ambos os sexos, de todas as idades, temperamentos, experiências e culturas. Cada igreja local deve refletir essa diversidade multicor. Com compreensões tão valiosas contribuindo para a interpretação das Escrituras a partir de diferentes experiências, será difícil manter nossos preconceitos.

Ao usarmos esses quatro dons juntos – uma mente, um livro, um professor e uma escola –, deve ser possível desenvolvermos cada vez mais uma mente cristã e aprendermos a pensar corretamente.

No restante deste livro, isso será mostrado explícita ou implicitamente em todos os capítulos. Independentemente de o assunto ser o processo político, o qual já mencionei, ou temas ligados a sexualidade, guerra ou meio ambiente, a mente cristã é diferente na abordagem, humilde na atitude e piedosa no caráter.

 

Semana John Stott: para não esquecer seu legado

JS_25_07_14_John_StottHá 4 anos morria John Stott. O pastor e escritor inglês se tornou uma das vozes mais respeitadas no meio evangelical a partir da década de 70, com participações no meio estudantil e liderança num movimento de mobilização da igreja global para sua tarefa missionária (o conhecido Movimento Lausanne). Stott não ficou conhecido por causa da força de sua denominação (anglicana), mas por seu dom de explicar a Bíblia com simplicidade e, ao mesmo tempo, profundidade. Também por seu esforço persistente de fomentar a unidade da igreja e seu entusiasmo na formação de lideranças jovens, principalmente, no meio estudantil.

O catálogo da Ultimato e da ABU Editora reúnem os principais livros de John Stott. Mas não somente isso; nós mesmos nos sentimos encorajados por seu exemplo de vida e convicções cristãs. Stott nos chama a viver uma espiritualidade bíblica, cristocêntrica e engajada com a “contracultura” cristã. Por isso, reunimos artigos na “Semana John Stott” (no final de julho). Veja a seguir o que publicamos:

1. Discípulos. Alguns radicais, outros nem tanto
2. John Stott e a solteirice
3. Sou muito agradecido a Deus por John Stott (Elben César)
4. John Stott, o “tio Juan” (Antonia van der Meer)
5. A ONG “Rio da Paz” e o obituário de John Stott em “O Globo” (Antonio Carlos Costa)
6. John Stott: apenas um pastor (Ziel Machado)
7. John Stott: um discípulo radical (René Padilla)
8. Um presente de Deus para a igreja na América Latina (Samuel Escobar)