Introdução

Vivemos em um mundo de sofrimento e fragilidade sem precedentes. Estas condições humanas incluem diferentes tipos e níveis de sofrimento social e psicológico que muitas vezes são minimizados, negligenciados ou não são tratados porque vão além do que as pessoas podem lidar em determinado momento, ou abordados a partir de perspectivas fora de contexto. Acreditamos que essas omissões são tanto injustas quanto caras para indivíduos e comunidades. Praticamente todos os principais problemas de saúde pública no mundo têm um componente psicossocial. Não há saúde sem saúde física, comunitária, psicológica.

Ao mesmo tempo, muitas vezes em determinadas regiões há uma escassez de recursos e treinamento para efetuar mudanças em comparação com o Ocidente. Por exemplo, em termos de uma medida específica, profissionais trabalhadores de saúde mental per capita, as estatísticas da Organização Mundial de Saúde indicam que tais recursos são 250 vezes mais abundantes em certas regiões do mundo do que outras. É imperativo que nós respondamos a essas necessidades de maneira consistente com nossos compromissos cristãos e com abordagens culturalmente sensíveis, holísticas, sistêmica e colaborativas.

Nossa esperança é que esta declaração vá nos apontar para a criação de um novo paradigma, para a aprendizagem mútua, capacitando a formação de profissionais de saúde mental, leigos e pastores de todo o mundo ao longo das quatro dimensões seguintes:

Cristã

  • Acreditamos que a verdadeira cura inclui a reconciliação com Deus, com si mesmo, com o próximo, os inimigos, e a criação através de
  • Saúde, cura, restauração, paz, liberdade, harmonia e alegria são dons de Deus, refletidos na vida, morte e ressurreição de Cristo e orientados e capacitados pelo Espírito
  • Estamos comprometidos como parte da igreja cristã global a seguir Jesus e servir todas as pessoas em todo o mundo, afim de que eles possam florescer em todos os sentidos, incluindo psicologicamente e
  • Acreditamos que, como cristãos, somos chamados a orar, bem como a trabalhar para cumprir os propósitos de
  • Nós acreditamos que é uma questão de justiça bíblica de que os recursos e iniciativas que satisfaçam as necessidades humanas básicas e promovam o bem estar psicológico devem ser incentivados, nutridos e distribuídos de forma mais equitativa em todo o
  • Uma perspectiva autenticamente cristã sobre a psicologia vai nos levar à compaixão e busca de justiça e reconciliação em nossa militância, prática, formação e investigação.
  • Em nossa perspectiva, nenhuma área da ciência, sociedade ou cultura é perfeita ou neutra. É essencial reconhecer, criticar e responder à ética implícita, formas de poder, e / ou opressão embutidos nelas.

Holística e sistêmica

  • A criação de Deus reflete uma concepção de sistemas interdependentes e por isso estamos comprometidos com uma compreensão global da pessoa integral / sistema no contexto do sofrimento e da saúde.
  • Nós reconhecemos a existência do mal no mundo que pode ser amplamente manifestado em pecado pessoal, males naturais, os maus espíritos e poderes, e do mal na sociedade. As consequências destes estão presentes por gerações. Além disso, acreditamos que a fragilidade humana / patologia é complexa e enraizada no mal sistêmico estrutural, o conflito espiritual e escolhas pessoais, bem como influências biológicas, psicológicas e sociais. Reconhecemos a necessidade de mais estudos nesta área informados por estudiosos e profissionais das disciplinas de teologia, pastoral, a medicina, a psicologia e demais ciências sociais, e de muitas perspectivas
  • Patologia, espiritualidade, tratamento e cura devem ser entendidos em perspectivas individuais e
  • Embora a ênfase ocidental sobre o indivíduo tem o seu lugar em certos ambientes, acreditamos que, por vezes, pode minar os compromissos comuns e, portanto, nós encorajamos abordagens holísticas e sistémicas.
  • Prevenção do sofrimento bio-psico-social-espiritual e a promoção do bem estar, cuidado integral, na pessoa e na comunidade é para nós uma prioridade crítica e
  • Além disso, damos prioridade aos mais vulneráveis da sociedade, incluindo os pobres e carentes e aqueles que os servem com sacrifício.

Indígenas

  • Acreditamos que a capacidade de criar as diversas culturas do mundo é um dom de Deus à humanidade na criação. A tarefa fundamental para cristãos indígenas que oferecem cura é discernir e se envolver com a forma como Deus já está no trabalho em cada
  • Acreditamos que é importante honrar como uma parte importante do processo de cura, os rituais indígenas, práticas e histórias de uma cultura que são consistentes com teologias cristãs bíblicos indígenas

Assim, a comunidade global deve:

  1. desenvolver uma perspectiva de se relacionar e aprender com as comunidades locais;
  2. ser incentivada a desenvolver perspectivas teológicas, teorias, modelos e recursos; culturalmente apropriados e biblicamente congruentes,
  3. ser habilitada a desenvolver centros de formação; e
  4. ser convidada a participar na partilha mundial de seus conhecimentos e experiências.
  • Notamos que a psicologia ocidental tem sido amplamente adotada como modelo de compreensão humana em muitas instituições de ensino psicológico/aconselhamento em todo o mundo. No entanto, uma vez que estamos convencidos de que Deus está presente com seu poder de cura em todas as sociedades, devemos incentivar um processo que valoriza e inclui entendimentos indígenas locais da pessoa e da comunidade também.
  • Por isso, procuramos desenvolver modelos integrais (holísticos) da psicologia e da psicoterapia que utilizam modelos indígenas e cristãos do funcionamento humano, integridade e resiliência selecionados e integrados de maneira sensível com os insights da psicologia de todo o mundo.

Colaborativo

  • Estamos comprometidos com a capacitação mútua em todo o mundo e aprendizagem colaborativa entre todos os envolvidos em ajudar as pessoas, incluindo profissionais de saúde mental, educadores, agentes comunitários, leigos e
  • Acreditamos que a jornada em direção à saúde é uma relação de colaboração em que tanto os conselheiros quanto os que são aconselhados, vivem processo de crescimento
  • Nós respeitamos que os pesquisadores locais, líderes e as comunidades devem, finalmente, determinar a finalidade para a pesquisa, o seu método de recolha de dados e será usado o modo como os resultados da investigação psicológica.
  • Reconhecemos e buscamos responder a estas questões em parceria, observando a necessidade urgente de formação apropriada para indivíduos que necessitam ser qualificados e que não conseguem obter acesso a esses programas de formação.

 

Nota: Texto publicado por Bradford M. Smith. Tradução livre de Karen Bomilcar. Versão original em inglês.

Lausanne_logoA reunião de líderes cristãos de todo o mundo no 3º Congresso de Lausanne na Cidade do Cabo em dezembro de 2010 produziu o Compromisso da Cidade do Cabo. Como base para o envolvimento dos cristãos com o islamismo e os muçulmanos, o Movimento de Lausanne afirma a seção 2C em sua inteireza e chama a atenção para o seguinte na Seção 1:

(a) Nós nos comprometemos a ser escrupulosamente éticos em nossa evangelização. Nosso testemunho deve ser marcado por “mansidão e respeito, conservando boa consciência” (1Pe 3.15-16). Por isso, rejeitamos qualquer forma de testemunho que seja coercivo, antiético, enganoso ou desrespeitoso.

(b) Em nome do Deus de amor, nós nos arrependemos por não procurar criar laços de amizade com pessoas de outras formações religiosas. No espírito de Jesus, tomaremos a iniciativa de demonstrar amor, boa vontade e hospitalidade para com eles.

(c) Em nome do Deus da verdade, nós (i) nos recusamos a promover mentiras e caricaturas de outras religiões e (ii) denunciamos o preconceito, o ódio e o medo racista incitados na mídia popular e na retórica política e resistimos a eles.

(d) Em nome do Deus da paz, rejeitamos o caminho da violência e da vingança em todas as nossas relações com pessoas de outras crenças, mesmo quando atacados com violência.

À luz dos compromissos acima, o Movimento de Lausanne adota e recomenda o seguinte como DECLARAÇÃO DE LAUSANNE SOBRE NOSSA INTERAÇÃO COM MUÇULMANOS. Confiamos que, tendo uma visão mais clara do que envolve a missão cristã no mundo do islã e respondendo a propostas realistas para concretizar essa visão, os cristãos serão desafiados e estimulados a desenvolverem um meio de promover esses pontos de ação em seu país e região e serem enriquecidos e apoiados pelo trabalho com cristãos em outras partes do mundo. Continue lendo →

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Atibaia, Brasil, 30 de março a 2 de abril de 2014

 

PREÂMBULO

Nós, os participantes da Consulta de Lausanne sobre “Teologia da Prosperidade, Pobreza e o Evangelho”, reunimo-nos no Brasil para discutir, debater e compreender melhor a crescente influência e a obra do que é conhecido como a Teologia da Prosperidade (TP) em nosso mundo hoje, sua relação com a pobreza e como ela afeta a missão “da igreja toda levando o Evangelho todo ao mundo todo”. Estudamos as Escrituras, oramos juntos, ouvimos histórias e relatos de várias partes do mundo, e trabalhamos para discernir a voz profética do Espírito Santo para a igreja. Nós nos reunimos movidos pela paixão pelo Evangelho de Jesus Cristo e em obediência ao mandato de compartilhar as Boas Novas por meio de palavras, ações e caráter, por termos em comum a consciência de que a TP oferece um Evangelho raso que, de fato, solapa a inteireza das Boas Novas de Jesus. A inteireza do Evangelho inclui um plano de salvação pessoal, que leva à vida eterna, no contexto da história bíblica ampla daquilo que Deus fez para salvar toda sua criação por meio da morte e ressurreição de Cristo.

Compreendemos que o termo “Teologia da Prosperidade” é por si só impreciso. Há várias teologias da prosperidade, todas elas arraigadas, expressas e aceitas em contextos específicos. Também reconhecemos ser necessária uma compreensão melhor dos diversos contextos históricos, sociológicos, culturais, econômicos, psicológicos e teológicos em que os ensinos da TP se firmam. Reconhecemos que as questões levantadas nesta consulta não serão exauridas ou resolvidas em poucos dias, e que um entendimento mais profundo da TP pode conduzir a uma resposta mais diferenciada com relação às suas manifestações em diferentes partes do mundo. Apesar das limitações, porém, oferecemos humildemente estas recomendações à igreja em geral como um chamado para maior reflexão e ação da parte dos evangélicos à medida que trabalhamos juntos para servir ao Reino de Deus e participamos da obra de Deus na reconciliação do mundo com Ele mesmo.

Essa consulta edificou-se sobre obras anteriores e fontes dentro do Movimento Lausanne. Em particular, os Grupos de Trabalho Teológico de Lausanne Declaração de Acropong (2008 – 2009) e Seção IIE do Compromisso da Cidade do Cabo, “Chamando a Igreja de Cristo de volta à humildade, à integridade e à simplicidade”.1 Encorajamos as igrejas e as organizações cristãs a estudar e a considerar com cuidado os desafios levantados nesses documentos.

I. UM CHAMADO À CONFISSÃO

  • Reconhecemos que o Movimento Lausanne nasceu e perdura principalmente num contexto privilegiado. Tal contexto molda nossa cosmovisão, influencia nossas perspectivas em relação à simplicidade e limita nosso entendimento das complexidades da pobreza. Portanto, andar em humildade inclui uma profunda consciência das maneiras pelas quais qualquer chamado à simplicidade ou a um estilo de vida bíblico pode ser irrelevante ou até um grande fardo para os que já se encontram oprimidos pela pobreza.
  • Reconhecemos que com frequência temos sido muito rápidos em julgar e fazer pronunciamentos sobre justiça, pobreza ou distribuição da riqueza, sem separar tempo para ouvir e estar presente com aqueles cujas vidas são moldadas pela pobreza e opressão. Confessamos que o fato de não conseguirmos viver o Evangelho é, em alguns casos, responsável por algumas das aberrações e injustiças.
  • Reconhecemos que com frequência denunciamos os excessos da TP, enquanto falhamos em denunciar as formas pelas quais o Evangelho terapêutico ou de autoajuda tem substituído a supremacia de Cristo em muitas de nossas igrejas.
  • Reconhecemos que um entendimento consumista da vida cristã difunde-se em muitas igrejas. Esse entendimento nos cega para o sofrimento, perseguição e opressão suportados por muitos de nossos irmãos e irmãs ao redor do mundo.

II. UM CHAMADO À AÇÃO

  • Justiça, misericórdia e serviço:

Os cristãos são chamados a agir com justiça e a amar de coração. Somos ainda chamados para servir aos outros e, ao fazê-lo, reconhecer Cristo no menor de nossos irmãos e irmãs. O serviço não é só para os outros, mas feito com os outros — com o pobre, com o oprimido, com o próximo.

  • Atos de serviço — tais como educação, cuidados médicos, serviços de socorro — e atos de justiça e advocacia são parte essencial do testemunho em favor do Evangelho. A exploração da pobreza e da necessidade não tem lugar nos esforços evangelísticos cristãos. Ao testemunhar do Evangelho por meio do serviço e da advocacia, os cristãos devem denunciar e evitar a exploração da pobreza, incluindo oferecimentos de falsa esperança, baseadas num entendimento mecanicista de recompensa e de bênção divinas.
  • Ética do poder e da riqueza:
    Os cristãos são chamados para denunciar a injustiça. Em muitas partes do mundo, a mídia expõe escândalos de abuso e corrupção de líderes dos movimentos da TP. Sejam esses males públicos ou encobertos, os cristãos precisam desafiar (i) o abuso de poder, incluindo poder espiritual; (ii) o espírito de “direito à riqueza” que desencoraja a prestação de contas e promove campanhas não éticas para levantar fundos; e (iii) práticas que exploram e oprimem os mais vulneráveis.
  • Os cristãos precisam confrontar todo ensino que mede seu sucesso pela saúde e riqueza material com uma teologia coerente da criação, do pecado, da redenção cristocêntrica e na futura esperança criacional.
  • Generosidade e bênçãos:
    Nós, cristãos, somos chamados para entregar a própria vida e compartilhar os dons que Deus nos tem dado. Reconhecemos a capacitação que resulta de doações e da importância que Jesus nosso Senhor atribuiu até à menor das ofertas oferecidas sacrificialmente para o Reino. Atos de generosidade e bênçãos devem ser marcas centrais da igreja cristã.
  • Justiça estrutural e shalom:
    Os cristãos são chamados não só para dar e compartilhar generosamente, mas para trabalhar pela atenuação da pobreza. Isso deve incluir oferecer meios alternativos e éticos para a geração de riqueza e manutenção de negócios socialmente responsáveis que capacitem os pobres e proporcionem benefício material e dignidade individual e comunitária. Isso deve ser sempre feito com o entendimento de que toda riqueza e toda criação pertencem acima de tudo a Deus.
  • Reconhecemos que há lugares em que devem ocorrer mudanças estruturais antes que se possam criar fontes alternativas de renda. Em tais casos, os cristãos precisam denunciar a corrupção e a opressão que limitam as opções para aqueles presos à pobreza e, desse modo, envolverem-se na busca de estruturas políticas, econômicas e culturais alternativas e justas.
  • Cura e compaixão
    Como parte essencial de nosso testemunho do Evangelho, os cristãos exercem ministérios de cura e compaixão. Somos chamados para ter grande discernimento ao desenvolver esses ministérios, respeitando plenamente a dignidade humana e nos certificando de que a vulnerabilidade das pessoas e sua necessidade de cura e/ou compaixão não sejam exploradas. Afirmamos a necessidade de um evangelismo compassivo, sabendo que sofrer pelo Evangelho e levar a dor dos outros são atos dignos do Reino de Deus e meios genuínos de encarnar Cristo junto aos que sofrem.
  • Construindo relacionamentos
    Os cristãos devem se empenhar para edificar relacionamentos de confiança e respeito com todas as pessoas, buscando meios para diálogos genuínos e verdadeiros em que seja possível desafiar convicções e esclarecer o Evangelho.

III. UM CHAMADO À VIDA NO REINO 

  • Afirmamos uma visão bíblica em favor do bem-estar da humanidade e de toda a criação de Deus.
  • Afirmamos que Deus deseja o melhor para seus filhos, e nós também procuramos cumprir seu desejo; mas reconhecemos como nossas culturas distorcem nossos desejos e nos afastam da plenitude de vida que é oferecida a todos em Cristo Jesus. O materialismo e o consumismo são duas formas básicas da distorção dos desejos. Onde os ensinos da TP manipulam e controlam, os cristãos devem ser uma voz profética, oferecendo justiça e esperança genuínas.
  • Afirmamos a necessidade de se fazer distinção entre uma resposta pastoral que cuida de indivíduos e a denúncia profética dos líderes responsáveis por qualquer tipo de manipulação e opressão. Jesus teve compaixão dos que estavam confusos e perdidos por terem sido desviados, mas denunciou com veemência os que os desviavam. Toda liderança cristã deve encarnar o modelo de serviço e sacrifício pessoal que nos foram dados por Jesus Cristo.
  • Convocamos a igreja a retornar à vida no Reino — uma vida marcada por serviço, humildade e integridade, onde falamos a verdade aos que estão no poder, denunciamos os falsos deuses de nossas culturas e vivemos como seguidores de Cristo na multiplicidade de nossos contextos.

Em obediência a Deus Pai, convocamos a igreja a ter a mesma mente, a mente que está em Cristo Jesus; a partilhar a vida no Espírito, vida em toda sua plenitude, de modo que brilhemos como estrelas para que o mundo venha a conhecer o amor salvador de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

 

IV. UM CHAMADO À REFLEXÃO

  • Precisamos reagir a manifestações imoderadas e sutis da TP com um envolvimento criterioso com a totalidade das Escrituras. Isso significa que (i) vamos nos envolver com a narrativa bíblica completa; e (ii) vamos apresentar uma expressão clara do Evangelho e uma reflexão ponderada sobre as pressuposições hermenêuticas e práticas por trás das interpretações da Bíblia. Não basta simplesmente alegar que “a Bíblia está a nosso favor”, já que cristãos de diferentes convicções, que também professam a autoridade das Escrituras, fariam a mesma afirmação, destacando inúmeros textos que acreditam apoiar suas práticas.
  • Somos chamados para participar de um diálogo produtivo a respeito de como a Bíblia inteira deve moldar as convicções acerca da saúde e da prosperidade, e como compreendemos nossos estilos de vida à luz do ato salvador de Deus em Jesus Cristo.
            – Como nos relacionamos com aqueles cujas estratégias hermenêuticas são tão diferentes, que um diálogo frutífero sobre interpretação parece quase impossível?
  • Reconhecemos que às vezes Deus usa o sofrimento para refinar a fé e fortalecer seu povo. É muito frequente a igreja concentrar-se em pregar o Evangelho de bênçãos, enquanto a proclamação de todo o Evangelho ao mundo todo exige que a igreja tome consciência adequada do lugar do luto e do lamento.
            – Quais os recursos e práticas bíblicos que precisam ser aprendidos para estar presentes e nos envolvermos melhor com aqueles que sofrem e se afligem?
  • Reconhecemos que a pobreza é uma realidade complexa e multidimensional. Ela inclui (i) falta de renda e de recursos produtivos suficientes para garantir meios sustentáveis de subsistência; (ii) fome e desnutrição; (iii) saúde precária; (iv) acesso limitado ou inexistente à educação e a outros serviços básicos; (v) morbidade e mortalidade potencializadas por doenças; (vi) falta de moradia ou moradia inadequada; (vii) ambientes de risco; e (viii) discriminação social e exclusão. É também caracterizada por uma falta de participação nas tomadas de decisão e na vida civil, social e cultural. Ela afeta tanto o indivíduo como a comunidade e repercute amplamente em toda a criação.
             – Ao ser uma realidade relacional, a pobreza possui causas econômicas, físicas, sociais, mentais e espirituais. Qual seria a resposta que um Evangelho bíblico e evangélico ofereceria a essas pobrezas?
  • Reconhecemos que, na economia de mercado global, uma das ferramentas mais eficazes para a eliminação da pobreza é o desenvolvimento econômico, mas os evangélicos com frequência falham na promoção de soluções para a pobreza que envolvam iniciativas empresariais éticas.
              – Como podemos trabalhar de maneira mais eficaz para o estabelecimento de empreendimento de negócios criativos, éticos e sustentáveis na luta contra a pobreza? (Veja o site de BAM Think Tank)
  • Temos consciência de que muitas manifestações da TP, tanto nas suas manifestações mais simples como nas mais complexas, oferecem às pessoas um lugar de pertencimento, um senso de esperança e uma teologia que desafia o status quo.
               – Como podemos oferecer uma experiência comunitária mais profunda, uma esperança melhor e uma teologia que desafie o status quo e a opressão através da personificação da justiça e do amor? Quais os recursos bíblicos que nos permitiriam desenvolver uma antropologia cristã que abarque emoções, experiências religiosas, sentimentos e processos mentais das pessoas e das comunidades na multiplicidade de seus contextos?

 

EPÍLOGO 

Uma Consulta como esta muitas vezes produz mais perguntas do que respostas. Esperamos que tenhamos ajudado a lançar luz sobre alguns dos desafios trazidos pela TP. Também esperamos que, mediante reflexão meticulosa, possamos reconsiderar nosso modo de pensar acerca da riqueza e da pobreza e da relação delas com um testemunho cristão ético.

Nossa oração é que os cristãos em todo o mundo tomem este texto e o empreguem com sabedoria nos muitos contextos em que Deus nos tem colocado. Confiamos que ele inspire a pregação, o ensino e a vida baseados na Bíblia, que confronte os abusos da TP e que encoraje os cristãos a adotar estilos de vida éticos que, de fato, nos tornem portadores de uma esperança melhor, a esperança que temos em Jesus Cristo.

 

Apêndice I: “Declaração de Acropong” (2008-2009) (EM INGLÊS / EM PORTUGUÊS)

Apêndice II: Compromisso da Cidade do Cabo (2010) Seção IIE-5: “Andar em simplicidade, rejeitando a idolatria da ganância” (EM INGLÊS / EM PORTUGUÊS)

Apêndice III: Baixe a Declaração de Atibaia em PDF.

Lausanne ’74: Bons mordomos do legado

S Douglas Birdsall

 

Quando Billy Graham foi entrevistado pela revista “Newsweek em 2006, perguntaram qual teria sido o impacto mais duradouro de seu notável ministério global de sessenta anos. Para surpresa do entrevistador, ele respondeu que sua contribuição mais significativa talvez fosse o Congresso Mundial de Evangelização de 1974 em Lausanne e o Movimento de Lausanne que dele surgiu. Este ano comemoramos o 40.o aniversário daquele congresso que marcou época e foi, a meu ver, o encontro missionário mais significativo da era cristã.

Leia este texto e o documento completo em português.

Para ler o documento completo em inglês clique aqui.

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(Parte 3)

Por Dr. Samuel Escobar

logo_lausanne_40anos_medioQue Lausanne é definido como movimento evangélico está muito claro no Pacto, com as afirmações fundamentais dos parágrafos iniciais sobre o propósito de Deus e a autoridade da Bíblia. Podemos entender melhor o parágrafo 3 sobre a singularidade e a universalidade de Cristo prestando atenção à prática dos dirigentes de Lausanne. O Pacto diz: “Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização”.  Não se pode negar a nota cristocêntrica na pregação de Graham e na docência de Stott. Como eles, os entusiastas de Lausanne podem dizer à consciência como o apóstolo Paulo: “Pregamos ao Cristo crucificado”.

Quando eu estava terminando meus estudos universitários, o livro de Stott, Cristianismo Básico (1958), me seduziu pela claridade e riqueza de sua apresentação de Jesus Cristo. E acho que é um sinal da capacidade deste autor para ir enriquecendo e aprofundando sua proclamação no fato de que, no ano 2000, nos oferecesse o seu livro O Incomparável Cristo, em diálogo com a cultura do começo do século XXI.

Agora também posso pensar em apresentações contextuais de Cristo (surgidas no âmbito de Lausanne, pelos meus amigos Vinoth Ramachandra, de Sri Lanka, Kwame Bediako, de Gana, e uma geração de pregadores e teólogos latino-americanos que redescobrimos): a humanidade de Jesus como chave para entender o que significa o seguimento nesta segunda década do século XXI.1

Um redescobrimento da missão integral
Como bem se sabe, em Lausanne 1974, a palestra de René Padilla e a deste servidor causaram muita polêmica. No caso de René, porque partindo do próprio conteúdo do evangelho fazia uma crítica severa à equiparação entre evangelho e cultura estadunidense ou “American way of life” e propunha um regresso ao conteúdo bíblico da boa nova do evangelho.  No meu caso, porque propunha que no processo evangelizador se levasse a sério a busca humana de liberdade, justiça e realização2.

No processo de congressos regionais que se seguiram Berlim 1966, na Europa, Ásia, África e América Latina, começou-se a redescobrir a importância da dimensão social do evangelho, com ideia de urgência. Isso explica a receptividade que nossas palestras encontraram. Houve pressões de setores muito conservadores, principalmente dos Estados Unidos, que queriam que a missão fosse definida principalmente como comunicação verbal do evangelho a fim de obter um rápido crescimento numérico. Mas prevaleceram as vozes que, nos países e ambientes mais variados, haviam visto a necessidade de praticar uma evangelização integral, do modo de Jesus, com uma presença transformadora da Igreja que respaldasse a comunicação verbal do evangelho.

O consenso está muito bem expresso no parágrafo 5 do Pacto de Lausanne sobre a responsabilidade social, na qual se afirma, entre outras coisas:  “Expressamos, além do nosso arrependimento, tanto por nossa negligência, como por ter concebido, às vezes, a evangelização e a preocupação social como coisas que se excluem mutuamente… Embora a reconciliação com o homem não é o mesmo que a reconciliação com Deus, nem o compromisso social é o mesmo que a evangelização, nem a liberação política é o mesmo que a salvação, não obstante, afirmamos que a evangelização e a ação social e política são parte do nosso dever cristão. Ambas são expressões necessárias da nossa doutrina de Deus e do homem, do nosso amor ao próximo e da nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo à toda forma de alienação, opressão e discriminação, e não devemos temer o denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam”.

Um renovado sentido de urgência
O parágrafo 9 do Pacto expressa bem a tomada de consciência do desafio missionário que tínhamos pela frente, e que ia acompanhada de um reconhecimento de culpa: “Mais de 2,7 bilhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, não foram evangelizadas ainda. Nós temos vergonha de que tantas pessoas tenham sido ignoradas; isto é uma contínua repreensão para nós e para toda a igreja”. Aqui, o olhar se dirigiu para o futuro com uma agenda ambiciosa: “Hoje, no entanto, há muitas partes do mundo em que há uma receptividade sem precedentes diante do Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que é o momento em que as igrejas e as agências paraeclesiásticas orem fervorosamente pela salvação dos inconversos, e iniciem novos esforços para realizar a evangelização do mundo”.

A agenda incluía a sugestão de mudanças de estratégia. Naquela década de 1970, tinha surgido, especialmente na África, o pedido de uma “moratória” no envio de missionários. O Pacto o reconhece desta maneira: “A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas”. Depois, reconhecendo também a presença crescente de missionários das igrejas jovens da Ásia, da África e da América Latina, o Pacto propõe: “Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas”.

Este renovado sentido de urgência leva a propor um novo estilo de vida em umas linhas do Pacto que foram muito debatidas antes de chegar ao texto final.  “Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam”. Vários líderes que tinham acesso ao comitê de redação do Pacto insistiam para que deixássemos de fora a expressão “conturbados pelas injustiças que a provocam”. Para eles, era bom que se falasse da pobreza, mas não que fosse relacionada com a injustiça. O parágrafo termina com uma proposta de mudança: “Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles”.

A ideia de adoção de um estilo de vida simples foi também objeto de debate. Uma dama muito importante, de cujo nome não quero me lembrar, comentou que achava normal que um solteirão como John Stott adotasse um estilo de vida simples, mas achava que era inadmissível que ele quisesse impor este mesmo estilo vida aos demais. São muitos aqueles dentre nós que agradecem o exemplo de Stott que, de forma explícita, adotou um estilo de vida simples. Assim, por exemplo, todos os direitos que recebia pelos seus livros foram destinados a um fundo para a produção de literatura cristã e para a formação de evangelistas e pregadores em países pobres.

Acho que, se o movimento de Lausanne mostrou a sua capacidade de adaptação e sobrevivência nos tempos mutáveis em que vivemos, se permanece guiado e motivado por estes princípios que destaquei, tem futuro no mundo e também na Espanha. Porque estamos em tempo de missão.

Notas
1. Estudei este processo no meu livro En busca de Cristo en América Latina (Editorial Kairós, 2012).
2. A palestra de Padilla pode ser lida no seu livro Missão Integral (Editora Ultimato, 2014, 2 edição) e a de Escobar em Evangelio y realidad social (Casa Bautista de Publicaciones, 1988).

 

Traduzido por Wagner Guimarães

 

• Samuel Escobar trabalhou com estudantes universitários da América Latina e Canadá durante 26 anos. É professor na Faculdade de Teologia Protestante de Madri e autor de “Santiago: La Fe Viva que Impulsa a La Misión” (Tiago — a fé que impulsiona a missão).


Leia também

Movimento Lausanne: quatro décadas em missão (parte 1)
Inquietude: uma leitura atenta dos sinais dos tempos (parte 2)

 

(Parte 2)

Por Dr. Samuel Escobar

logo_lausanne_40anos_medioO evangelista Billy Graham foi colocando em evidência em diferentes países e continentes um desejo de responder às necessidades espirituais da população. Sua prática de buscar a colaboração do maior número de igrejas em suas campanhas foi mostrando que tinha uma inquietude generalizada por obedecer à grande comissão de Jesus. O outro arquiteto de Lausanne, o pastor anglicano John Stott, percebeu a mesma inquietude no âmbito universitário e no qual evangelizava e em sua tarefa pastoral no centro da cidade de Londres. Quando ambos convocaram o Congresso de Lausanne, havia um número notável de evangélicos em diferentes partes do mundo que responderam com entusiasmo.

A inquietude estava também em outros âmbitos. Precisamente em 1974, o Sínodo dos bispos católicos de todo o mundo pediu ao Papa Paulo VI um documento sobre a evangelização e, no ano seguinte, a encíclica “Evangelii Nuntiandi”, documento surpreendente para um leitor evangélico. Por outro lado, na Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas em Nairobi, em 1975, os evangélicos insistiram em que se tratasse o tema da evangelização, e se desencadeou um processo que culminou em 1982, quando o Conselho publicou uma “afirmação ecumênica” sobre Missão e Evangelização. Para aqueles dentre nós que acompanharam de perto os processos de descobrimento mútuo, diálogo e consulta depois de Lausanne, estas similaridades não são casuais.

Um ponto de partida entusiasta, mas humilde
No Congresso de Lausanne, houve uma atmosfera de entusiasmo pela tarefa evangelizadora e de propostas para avançar nela, mas também de realismo e, até certo ponto, de humildade, a qual não costumava ser frequente no mundo dos executivos de organizações evangélicas, particularmente no mundo anglo-saxão. Repassando o Pacto de Lausanne, as várias notas de autocrítica e arrependimento que o matizam me surpreenderam de novo.  Não há espaço nem tempo para todas, mas cito aqui algumas:

A Introdução do Pacto diz: “Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização”. Tive o privilégio de ser parte do comitê que redigiu o Pacto e ainda lembro que havia participantes que não queriam que houvesse referência a “nossos fracassos”. Houve também debate sobre o parágrafo 1 que, no final, afirmava: “Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente.”

A nota de humildade que torna a autocrítica missionária possível aparece também em aspectos específicos como os referentes à cultura, à falta de cooperação ou à acomodação da mensagem. Assim, no parágrafo 10, se afirma: “As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras.” No parágrafo 7 se admite: “Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço”. Depois, no parágrafo 12: “Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes à aceitação do mundanismo em nossos atos e ações, ou seja, ao perigo de capitularmos ao secularismo. (…) na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. Tudo isto é mundano”.

Um propósito desprovido de vontade de poder eclesiástico
Lausanne é um movimento, não uma instituição. A genialidade dos organizadores foi convocar as pessoas de todo o mundo que tivessem vocação evangelizadora, sem importar sua afiliação denominacional, nem sua posição em uma hierarquia eclesiástica. O evangelicalismo dos organizadores era teologicamente articulado e, ao mesmo tempo, aberto e realista, sabendo que o protestantismo mundial está dividido em setores muito diversos. Pode-se dizer dos patrocinadores e organizadores como Billy Graham, John Stott, Leighton Ford, o Bispo Jack Dain, o evangelista Paul Little, para mencionar uns poucos, que tinham convicção evangélica e abertura acima dos critérios denominacionais ou institucionais estreitos.

Tive o privilégio de participar na Comissão do programa e fui testemunha de tentativas de desqualificação de alguns participantes e expositores por pessoas cujo evangelismo era bem fechado, isolacionista e separatista, ou seja, mais próximo do fundamentalismo: “Se fulano participar, eu saio”1. A genialidade de Lausanne foi conseguir um consenso teológico amplo que foi bem expresso no Pacto.

Outro fator importante é que Lausanne não ameaça ninguém. Não é um grupo de poder interessado na política institucional eclesiástica. Não intenciona representatividade da maioria das igrejas ou pessoas. Procura, sobretudo, o consenso e a cooperação no que concerne à evangelização e à ação missionária, o estímulo mútuo e o apoio efetivo.
Nota
1. Eu tratei do Fundamentalismo em Maximo García Ruiz, Ed. Protestantismo en cien palabras, CEM, Madrid, 2005.

 

• Samuel Escobar trabalhou com estudantes universitários da América Latina e Canadá durante 26 anos. É professor na Faculdade de Teologia Protestante de Madri e autor de “Santiago: La Fe Viva que Impulsa a La Misión” (Tiago — a fé que impulsiona a missão).

(Traduzido por Wagner Guimarães)

Continue a leitura
Leia na próxima semana a terceira e última parte do artigo “Movimento Lausanne: quatro décadas em missão”. Vamos falar sobre o cristocentrismo do Movimento Lausanne. Leia a primeira parte do artigo aqui.

 

logo_lausanne_40anos_medioO Portal Ultimato e o Blog Lausanne Brasil têm a satisfação de publicar em português o artigo do Dr. Samuel Escobar sobre a história e relevância dos 40 anos do Movimento Lausanne. O movimento, marcado pelo primeiro congresso na cidade suíça de Lausanne, produziu o famoso Pacto e influenciou indelevelmente a história recente da igreja evangélica global. Para maior conforto da sua leitura, o texto (gentilmente cedido pelo site em espanhol Protestante Digital) foi dividido em três partes que serão publicadas em uma sequência semanal. Acompanhe a seguir o primeiro artigo da série.

 

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QUATRO DÉCADAS EM TEMPO DE MISSÃO
(Parte 1)

Por Dr. Samuel Escobar

Passei uns sessenta dos meus oitenta anos conectado, de alguma forma ou de outra, com o movimento evangélico em nível mundial. No começo destas décadas, tive de trabalhar fazendo parte da obra evangélica no mundo universitário em toda a América Latina. Isso me conectou com organizações missionárias, editoras, organismos de cooperação e milhares de pessoas. Nos três anos em que dirigi os GBU do Canadá, cheguei também a conhecer de perto e por dentro o mundo das organizações missionárias norteamericanas. Depois, por vinte anos, estive ativo na educação teológica em um Seminário que se orgulha de ser evangélico. Posso dizer, com realismo e sem amargura, que, de certo modo, estou por dentro das grandezas e misérias desse mundo evangélico. E, dentro dele, quero ficar, ainda que conheça e respeite também outros âmbitos que fazem parte do Cristianismo. Continue lendo →