Por Jean Mendes

Vingadores: Guerra Infinita finalmente estreou nos cinemas. Os fãs não poderiam estar mais felizes e, também, chocados. O filme foi surpreendente em todos os sentidos. Quem já assistiu sabe do que estou falando. Mas, se você não assistiu ainda, pare por aqui, pois você pode se deparar com  algum spoiler. Vá logo ver o filme e volte para cá mais tarde.

Bom, caso você não saiba, Guerra Infinita já tem a maior bilheteria de estreia da história. O longa faz parte de uma grande franquia iniciada em 2008, que já contempla outros 18 filmes, além de curtas-metragem, séries de TV e histórias em quadrinhos. O que explica esse sucesso? Provavelmente você vai pensar: os super-heróis que todos amam, muitas cenas de ação, efeitos especiais grandiosos, um bom elenco e, claro, uma boa história. Se pensou nesses elementos, acredito que você está certo, sobretudo na parte da “história”.

Você conhece alguém que não goste de ouvir ou contar histórias? Creio que não. Isso porque as histórias não apenas nos entretêm, mas também nos ajudam a encontrar sentido nas coisas. Ao colocar a história de vida de uma pessoa em perspectiva, podemos saber quem ela é, o que valoriza e até investigar suas motivações passadas e aspirações futuras. É claro que podemos fazer interpretações equivocadas, mas não entrarei nesse méritos.

O fato é que, evidentemente, todos os filmes contam histórias, algumas boas e outras ruins. As melhores, sem dúvida, são as que nos levam para dentro delas, produzem comoção, geram reflexões e, após isso, boas conversas e discussões. O novo longa dos Vingadores pode ser colocado nessa seleta lista; ainda bem. Afinal de contas, entretenimento barato já existe aos montes. E, se muita gente gasta boa parte do tempo com filmes e séries, que estes pelo menos tragam alguma “edificação”.

Sem querer forçar muito a barra, e guardadas as devidas proporções, eu diria que o “Universo Cinematográfico da Marvel” é uma mitologia moderna que mistura um pouco das epopeias gregas com as distópicas histórias de ficção científica. E digo isso principalmente pelo fato destas narrativas fazerem uso de elementos ficcionais como pano de fundo para desenvolver e comunicar temas universais como bem e mal, a dinâmica da vida em sociedade e as estruturas de poder.

E é exatamente essa a premissa de Guerra Infinita. O vilão, Thanos, não é per si um ser mal, que quer conquistar todo o universo – embora ele precise fazer isso para atingir seu verdadeiro objetivo. Sua motivação é, digamos, mais “humana”. Para ele, o universo está em desequilíbrio; há pessoas demais e recursos de menos. A solução seria então “eliminar” metade de toda a população. Não muito diferente do que vemos por aí, quando se trata de guerras e ditaduras. O resultado, como sempre, é a morte de inocentes. E, no caso do filme, de muitos heróis também.

Por falar nisso, as mortes representam seu grande acerto no filme. O motivo é que isso é “factível”, principalmente em um contexto de guerra. É ótimo para a narrativa que hajam elementos de “coerência com a realidade” que minimizem a postura de “suspensão da descrença” do espectador. O que eu quero dizer é: Se há guerra, há mortes. E certamente é mais significativo quando o espectador pode olhar para algum elemento da história (ou toda ela) e dizer: “Isso poderia acontecer na vida real”. Que medo.

Voltando à pergunta do início: o que explica o sucesso de Guerra Infinita? O poder de uma boa história que, sendo coerente dentro de sua proposta, seja também capaz de criar identificação com o público. Afinal, todos nós nutrimos medos e esperanças. E, quando surge o temor do perigo, inevitavelmente ansiamos por salvação. Isso faz parte da nossa realidade, já que vivemos em mundo cheio de violência, injustiça e abuso de poder. A diferença é que não temos heróis para nos salvar. Ou temos?

Algumas pessoas colocam sua esperança na política, outros na ciência. Para alguns mais niilistas, não há esperança. No entanto nós, cristãos, acreditamos que o destino da humanidade não está jogado ao acaso e nutrimos a esperança de que o mal um dia acabará. Além disso, quando olhamos para o mundo e para a história, não nos desesperamos pela falta de sentido das coisas. A narrativa bíblica da criação, queda e redenção nos dá a certeza de que aquele que confia no “supremo roteirista e diretor do universo” não se decepcionará.

• Jean Mendes, 25 anos. É estudante de Letras, coopera no trabalho com jovens e adolescentes na Igreja Presbiteriana de Viçosa-MG e faz parte do Conselho Editorial Jovem e do Núcleo Web da Editora Ultimato.

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  1. Eu gostei muito do texto e do filme. Sei que alguns ficaram sem entender o final, mas eu creio que ele fez isso por um trauma vivido em seu próprio planeta. Ao desenrolar da história a ideia parecia absurda, dava a impressão que sua ganância era o poder; todavia o que realmente ele queria era manter o equilibrio do universo. E um lugar ao sol seria o agredecimento dos ecossistemas para ele. É claro que devastar metade da população do universo, afim de manter o equilibro é algo absurdo, principalmente da ótica cristã; no entanto, se fizermos um paralelo com a vida real, aquilo que trazemos de novo pode parecer, a princípio, ridículo, patético, absurdo. Podemos nos lembrar de Freud. Quando surgiu com a Psicanálise ele não foi bem visto, inclusive dentro da própria nação. E Jesus, rejeitado pelos seus? Claro que não vamos incentivar ideias absurdas, mas entendo que se temos um plano, uma ideia, uma boa hipótese ( que não fira a moral e os princípios cristãos) mesmo que as pessoas critiquem, continuemos. Um dia fará a diferença.

  2. Texto muito bom, mais o filme muito ruim , não gostei do filme “sem sentido” principalmente o final por ser o ultimo da franquia deixou a desejar, porem o texto foi ótimo

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