Por Karol Coelho

O medo paralisa e há dias em que ele entra com tudo. Exaltando nossa fragilidade, nossa covardia, e até nossa finitude material, ele pode mudar não só uma segunda-feira, mas o que nos resta de uma vida. Ele derrama em nossa cabeça a ideia de que não dá mais para ficarmos em pé. Ele nos dá mais medo. Medo de dirigir máquinas, medo de perder alguém, medo de atravessar a rua, e até de dizer que está com medo.

Ele pode nos atingir com uma bala, pode nos tirar o pão, a poesia, a exposição – ao potencializar nosso receio pelo ridículo ou pela incompreensão. Ele pode nos abraçar ao sermos demitidos de nossos empregos. Ele pode na nossa falta de diálogo, na nossa desamizade gratuita, na nossa oposição cega, surda, que só quer falar, com medo de perder, nos fazendo esquecer que dá pra ganhar junto.

Mas, o sábio já disse que basta estar vivo, não é? E não há jeito de ser sem se arriscar, tem? Não dá para ficarmos ocupados apenas em nascer e morrer, junto daquela galera na mesa de jantar, ignorando os tigres e os leões do quintal, dá? Não interessa! “O verdadeiro amor lança fora todo o medo”, tá escrito. E agora eu apenas peço em oração: lance fora o meu, então.

  • Karol Coelho, 26 anos. Ama as nuvens, adora descobrir músicas de dois acordes para tocar no seu violão velho e escreve poesias. Frequenta o Projeto 242 e é jornalista, formada principalmente pelas histórias do Campo Limpo, zona sul de São Paulo.

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