Por Renan Vinícius

Há algumas semanas vários amigos compartilharam em seus perfis no Facebook um texto intitulado “Nós, os nascidos na igreja”. Fui ler e, assim como eles, me identifiquei bastante com vários assuntos abordados na publicação, que retrata bem a realidade de quem teve a oportunidade de “nascer na igreja” e crescer nela. Boa parte das minhas recordações, por exemplo, se referem a momentos que passei na igreja, seja nas aulas da escola dominical, nos ensaios da banda – que, quando criança, eu ia com um sax de brinquedo – ou simplesmente quando ficava esperando todo mundo ir embora para pedir que os diáconos me deixassem apagar as luzes.

O texto também falava que muitos dos nascidos na igreja poderiam, em algum momento, se distanciar. Foi exatamente o que aconteceu comigo. Quando estava terminando o ensino médio, passei a frequentar cada vez menos os cultos da minha igreja. Também deixei de participar da banda na qual eu tocava – agora um sax de verdade. De repente, eu simplesmente não estava mais frequentando igreja alguma.

Certa vez, já na faculdade e morando em uma outra cidade, alguns amigos me convidaram para ir a uma igreja. Aceitei o convite e, por alguns finais de semana, estive lá. Vergonhoso, evitava o culto de jovens aos sábados, mesmo tendo sido muito bem recebido. Uma prova aqui, outra acolá, e desculpas surgiram para deixar de frequentar os cultos. Recentemente alguém me disse que “quanto mais você frequenta uma igreja, mais você quer ir”. Da mesma forma, quanto menos você frequenta, menos você tem vontade de ir. E não é que é verdade?

Minha memória não me ajuda muito, mas lembro de frequentar alguns cultos quando estava com alguma prova muito complicada por perto. E lembro também que, sempre que eu ia, as mensagens me tocavam. Não esqueço de uma vez em que cheguei e uma senhora me recebeu com um caloroso abraço e um sincero “que bom que você está aqui”. Me senti em casa, como se estivesse com uma família ali e, a partir de então, pedi a Deus que tirasse de mim a preguiça que surgia sempre que eu pensava em ir à igreja. Mas eu já estava terminando a graduação e não moraria ali por mais tempo.

Foi quando me mudei para São Paulo que voltar à igreja foi praticamente inevitável. Inicialmente, tentei relutar. Depois de três semanas, visitei uma igreja e comecei a frequentar os cultos. Também com vergonha, demorei um pouco mais para ir ao primeiro culto de jovens. Num desses cultos, foram tratados alguns temas sob o olhar da graça e de um Jesus que odeia o pecado, mas ama o pecador. Embora desde pequeno soubesse quem é Jesus, passei a querer aprender mais sobre Ele e a conhecê-lo melhor.

A cada semana, no discipulado, eu chegava com mais e mais perguntas. Saía com respostas, um coração agradecido e um sentimento de “meu Deus, eu não mereço tudo isso, por que me amas tanto mesmo eu sendo assim, tão imperfeito?”, que me fazia voltar com ainda mais perguntas na semana seguinte. Em um dado momento, tudo passou a fazer sentido. Aquele Jesus de quem eu sempre falei e sempre ouvi falar não era alguém que morreu na cruz por morrer, mas que morreu em meu lugar para me dar vida. Aquele Jesus de quem eu sempre ouvi falar abriu mão de sua glória para sofrer em meu lugar e para me perdoar, embora eu não merecesse.

Embora tenha nascido na igreja e crescido nela, meu verdadeiro encontro com Jesus foi acontecer só na juventude. Não tardiamente, mas quando eu compreendi que precisava de um salvador. Um salvador que me ama de tal maneira que nada pode nos separar. Não por minhas obras, mas pela sua infinita graça.

“Portanto, fiquemos firmes na fé que anunciamos, pois temos um Grande Sacerdote poderoso, Jesus, o Filho de Deus, o qual entrou na própria presença de Deus. O nosso Grande Sacerdote não é como aqueles que não são capazes de compreender as nossas fraquezas. Pelo contrário, temos um Grande Sacerdote que foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou. Por isso tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda.” (Hebreus 4:14-16 NVI)

  • Renan Vinícius tem 23 anos, é paulista de certidão e goiano de coração. Faz mestrado em computação, onde investiga a utilização de recursos computacionais no processo de reabilitação motora. É membro da Igreja Presbiteriana de Higienópolis, em São Paulo. Escreve em seu blog pessoal, Assim eu sou.