Por Maurício Jaccoud da Costa

amizadeO brasileiro é reconhecido como um povo alegre, hospitaleiro, festeiro, e, principalmente, por fazer amizades de maneira fácil. Para a juventude atual, os amigos são muito importantes na formação de valores e opiniões, e eles estão abertos a conversar sobre qualquer assunto. Jesus ficou conhecido como amigo de publicanos e pecadores (Mt 11.19) e cabe aos universitários cristãos fazerem amizades dentro das universidades para assim pregar o Evangelho a tantos jovens que estão perdidos sem Cristo no meio acadêmico.

Jesus é o nosso modelo para interagirmos com os não cristãos ou com pessoas que não têm clareza sobre sua fé. A igreja primitiva, simbolizada na pessoa de Pedro, teve grandes dificuldades em interagir com os não cristãos, não seguindo o modelo de Jesus. A igreja evangélica – em especial, os universitários evangélicos dentro das universidades – tem adotado a mesma postura de Pedro e também enfrenta dificuldade em interagir com os não cristãos ou fazer amizades com eles.

Durante todo o seu ministério, Jesus interagiu com pessoas de má fama para que estes pudessem se relacionar com Deus e ordenou aos seus discípulos que fizessem o mesmo (Mt 28.18-20). Jesus ensinou,  assim, a superar preconceitos e qualquer forma de discriminação. Ironicamente, porém, seus discípulos, que eram rejeitados pelos fariseus nos dias de Jesus, começaram a agir mais como os fariseus, inclusive tendo muita dificuldade de pregar o Evangelho fora de Jerusalém (Atos 1.8). Os discípulos relutaram enquanto podiam para pregar aos não judeus. E quando o fizeram tiveram uma enorme dificuldade em interagir com eles, por causa de seu apego à religiosidade e às leis judaicas.

Os jovens universitários evangélicos apoiam-se em regras supostamente vindas de Deus, como os judeus fizeram com a tradição de não comerem sem lavar as mãos. Regras em relação às quais o apóstolo Paulo escreveu para não nos submetermos, pois “tem aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne” (Cl 2.23). Com a desculpa de não escandalizar o próximo, esses jovens deixam de ir a certos lugares e ao encontro de pessoas, quando o próprio Jesus escandalizou a muitos (Mt 13.57) por causa do seu amor aos “perdidos”.

É preciso que os jovens universitários evangélicos deixem seus guetos eclesiásticos e penetrem na sociedade atual com um testemunho vibrante e convincente. A mulher samaritana somente se relacionou com Deus porque Jesus insistiu em passar por Samaria e tomar a iniciativa de conversar com ela, contra o que previa a lei judaica. O povoado onde aquela mulher morava somente se relacionou com Deus porque Jesus ficou dois dias dormindo, bebendo e conversando com eles. O leproso e a mulher com hemorragia só foram curados porque Jesus deixou ser tocado por eles. O rico Zaqueu somente se relacionou com Deus porque Jesus tomou a iniciativa de se hospedar em sua casa, correndo o risco de ser considerado conivente com a corrupção. Se Jesus desse ouvido às pessoas que o criticavam por agir dessa maneira, muitas pessoas continuariam sem oportunidade de se relacionar com Deus.

Os jovens universitários evangélicos não podem ter medo de se relacionar com não cristãos. Não podem ter medo de se sentar onde não cristãos sentam. Não podem ter medo de ir onde se encontram pessoas diferentes e com outras opções de vida e de fé. Se quiserem propagar o Evangelho, os jovens universitários evangélicos precisam fazer amizades com qualquer pessoa. Eles precisam aproveitar toda a sua brasilidade e ir, com toda a alegria, anunciar o Evangelho para que muitos universitários se tornem amigos de Deus.

• Maurício Jaccoud da Costa é pastor e missionário do Movimento Estudantil Alfa e Ômega – um ministério da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo. É mestre em Teologia pela Escola Superior de Teologia. Atualmente, exerce as funções de professor e coordenador do curso de Missiologia da Faculdade Teológica Batista Equatorial, em Belém (PA).

  1. Olá pastor, tive alguns problemas com os pontos defendidos nesse artigo, por favor não entenda esse comentário de forma prepotente, mas se possível dê respostas bíblicas às minhas oposições:

    Porque você diz que a igreja primitiva estava errada na forma com que se relacionava com os não cristãos? Pelo que está escrito no versículo citado de atos, não necessariamente eles iriam ir até as outras nações imediatamente após a vinda do Espírito Santo. E da mesma forma, não vejo como isso se aplica no contexto atual para alcançar os não cristãos, uma vez que os judeus também eram não cristãos.

    Não vejo também, como as ideias de não “fazer amizade” são falsa aparência de sabedoria, e tradições que não vem da bíblia: 2 Coríntios 6:14-17, 1 Coríntios 15:33. Não creio que isso defenda um afastamento total dos que não creem em Cristo, por causa da forma com que Jesus tinha contato com ele, mas que isso limita a forma como os relacionamentos devem acontecer.

    O fato de Jesus ser chamado de “amigo dos pecadores” pelos fariseus hipócritas, não quer dizer que ele o era de fato, mas sim que tinha uma convicção de sua missão de alcançar os que se reconheciam pecadores para conduzi-los ao arrependimento (Marcos 2:17). Ele mesmo afirmou que aqueles que não seguem seus mandamentos não são seus amigos: “Vocês são meus amigos se fizerem o que eu digo” (João 15:14)

    Jesus não se relacionou com a mulher samaritana, ou Zaqueu de forma a ser amigo deles antes de te-los como seus seguidores. Ele foi até eles com o objetivo claro de trazê-los até Ele. Ele não fez isso com ninguém que não estava interessado nEle, e também não passou muito tempo construindo todo um relacionamento por meses. Ele foi direto ao ponto e foi aceito, então eles puderam se tornar amigos dele.

    Espero que você responta, grato.

  2. A palavra de Deus diz que não devemos fazer acepção de pessoas, mas vejo em nossos dias que o problema não é fazer ou ter amizades não cristãs e sim em falar do amor de Deus, temos que pregar abertamente e com alegria de Jesus sem negar ou ter vergonha da nossa fé. É não ter medo de demonstrar no que cremos.

  3. Eu tenho observado, em especial na igreja que sou membro, que os crentes tem mais amigos não crentes que amigos crentes. Os crentes muitas vezes são levados a acreditar nas mentiras que parecem verdade e essas mentiras são proclamadas com convicção pelos não crentes de tal forma que a verdade do Evangelho é proclamada como se fosse mentira pelos crentes.
    Jesus foi chamado de amigo dos pecadores, dos fariseus, mas sempre que Ele se aproximava de alguém mais fariseu ou pecador que fosse sempre havia restauração e transformação de vida.

  4. Queridos,
    Entendo a preocupação de todos e condeno o puro proselitismo. Mas, entendo também, que ser verdadeiramente amigo e evangelizar são coisas que estão relacionadas. Pois, se cremos que a eternidade das pessoas com quem nos relacionamos depende de conhecerem a Jesus, e não nos importamos em ajudá-los a conhecê-lo, não podemos dizer que os amamos, verdadeiramente. Jesus, mesmo, é nosso principal modelo. Ele cultivava relacionamentos sinceros, pois comia à mesa com publicanos e pecadores (Lc 15.01; Mc 02.16; Mt 09.10; Lc 05.30; Mt 11.19; etc.). Entretanto, Ele não se omitia em anunciar, com atos e palavras, o Reino de Deus. Semelhantemente, nós somos a carta de Cristo (2 Co 03.03). Não é que devemos ser hipócritas e nos aproximarmos das pessoas com interesse proselitista, mas, em nos aproximarmos delas, por amá-las, lhes anunciamos o Reino de Deus em atos e palavras. E isso deve ser algo espontâneo, fruto de nosso relacionamento com Deus. Se identificamos que nos falta isso, isto é, relacionamentos íntegros, movidos por amor e com o propósito de abençoar as vidas e glorificar a Deus, podemos confessar isso a Ele pedir que nos transforme e esperar a resposta de sua Graça.
    Que o Senhor nos dê coração compassivo, nos faça reparadores de roturas e endireitadores de veredas (Is 58.12), carvalhos de justiça, para louvor da sua Glória (Is 61.03).

  5. Algumas pessoas pensam que a evangelização é somente palavras jogadas ao ar e pega-as que as quiser, entretanto não é bem assim. Para pregar a mensagem das boas novas é necessário fazer do nosso próximo um amigo. Pois, um inimigo não parará para ouvi-lo já que é seu inimigo, primeiramente haver-se-á de faze-lo seu amigo para que ele pare e te ouça. Ao aproveitar a amizade para falar do evangelho não se que demonstrar tirar proveito da situação, quer dizer preocupação com o estado da pessoa, nesta hora o amigo pode afirmar a sua escolha e o outro acatará a escolha do amigo não desfazendo a amizade por esta razão. Falar do evangelho é apresentar o que há de melhor para a humanidade, é falar sim do grande amor de Deus pela criatura que Ele projetou, tocou com as mãos e as criou. Isso nos leva a lutar para mudar o pensamento d’aquele que supostamente entende-se ser inimigo para amigo, e sendo amigo recebe a palavra ou não. O que não se pode nessa situação é fazer o que alguns fazem, querer obrigar o amigo a ser ou fazer o que ele não quer, pois Deus sendo o Todo poderoso não obriga ninguém a fazer o que não quer, Ele adverte sobre o perigo, um dos exemplos está no mal ato de Caim. Gênesis 4.6-16, Deus advertiu, Caim não atendeu, veio a sentença. Assim é o trabalho do amigo evangelizador, adverte, convida se aceitar bem se não, segue-se ao juízo. Continuaremos advertindo até o fim para que não haja desculpas no futuro e nem culpa do evangelizador. quando se prega as boas novas a alguém, não quer dizer que ele é obrigado a seguir, mas ele precisa saber sobre o caminho e o seu final. E essa é a nossa responsabilidade nesta jornada, fazer do inimigo, um amigo verdadeiro e mais chegado que um irmão.
    Parabéns aos que têm se esmerado e dedicado a fazer amigos irmãos, principalmente amigos de Deus em Cristo Jesus.

  6. Maurício Jaccoud da Costa

    Olá Thiago Pereira Maia.
    Agradeço por se manifestar e não o vejo prepotente por discordar ou não entender alguns pontos que defendo no artigo. Tentarei responder e espero que o ajude no entendimento das posições defendidas, mas não se preocupe se mesmo assim continuar discordando, pois nós protestantes temos esta liberdade sempre!
    O irmão Nelber Ximenes Melo já deu uma ótima contribuição para entender melhor o artigo, mas darei mais algumas explicações.
    1- “Porque você diz que a igreja primitiva estava errada na forma com que se relacionava com os não cristãos?” Eu respondo: veja a atitude de Pedro e dos demais apóstolos em Atos 8.1,4. Houve uma violenta perseguição contra a igreja primitiva e todos, com exceção dos apóstolos, se dispersaram para Judeia e Samaria, anunciando o Evangelho. Pedro e os demais apóstolos ficaram em Jerusalém, pois tinham muitas dificuldade em anunciar o evangelho para pessoas de costumes tão diferentes do deles. Pedro para pregar a Cornélio (Atos 10) precisou ser convencido em sonho por Deus e homens tiveram que ir buscá-lo para que finalmente ele fosse a casa de Cornélio. Em Atos 11, Pedro teve que se explicar seriamente com os líderes da igreja primitiva por tal ato de comer e entrar na casa de “incircunsivos notórios”. Isso demonstra como a igreja primitiva se equivocou na forma de se relacionar com os não cristãos, principalmente com os não cristãos – não judeus.
    2- “Não vejo também, como as ideias de não “fazer amizade” são falsa aparência de sabedoria, e tradições que não vem da bíblia: 2 Coríntios 6:14-17, 1 Coríntios 15:33”. Aqui penso que você compreendeu errado o texto. Não afirmo que não fazer amizades são falsa aparência de sabedoria. O que afirmo é que os jovens universitários evangélicos apoiam-se em regras supostamente vindas de Deus, assim como os judeus fizeram com a tradição de não comerem sem lavar as mãos. O problema são as regras que as pessoas criam que nada têm com a Palavra de Deus e usam para não fazerem amizades com os não cristãos. Os textos citados não falam sobre não fazer amizades com não cristãos. Jugo desigual é bem diferente do que fazer amizades e esta não era a intenção de Paulo a falar sobre isso. E 1 Coríntios 15:33 fala sobre o perigo das más companhias corromperem os bons costumes. É exatamente este perigo que precisamos enfrentar para pregar o Evangelho aos não cristãos. Jesus enfrentou este perigo e o interessante é que Ele santificou estas pessoas de má fama, ao invés de ser corrompido. Este é o nosso chamado também!
    3- “O fato de Jesus ser chamado de “amigo dos pecadores” pelos fariseus hipócritas, não quer dizer que ele o era de fato”. Discordo totalmente de você, pois Jesus era sim amigo de publicanos e pecadores. Você diz que “Jesus não se relacionou com a mulher samaritana, ou Zaqueu de forma a ser amigo deles antes de te-los como seus seguidores… Ele não fez isso com ninguém que não estava interessado nEle, e também não passou muito tempo construindo todo um relacionamento por meses…”. É claro que foi. Veja por exemplo, os próprios discípulos. Mateus era chefe dos publicanos, ou seja, ele mesmo era um publicano e ainda era chefe do grupo que era totalmente marginalizado pelos judeus. Jesus o chama para segui-lo, se torna seu amigo, anda com eles por cerca de três anos!E o que dizer de Judas Iscariotes, Jesus se torna amigo dele, o ama até o último momento, mesmo sabendo que este o trairia.
    Enfim, como já afirmei no início, não há problemas de termos opiniões contrárias, mas sendo amigo ou não dos não cristãos, espero que você pregue o Evangelho sempre, a tempo e fora de tempo, a todas as pessoas.
    Grande abraço.

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