Por Rodolfo Gois

Tempos atrás estive no Rio de Janeiro. Conhecer a “cidade maravilhosa” foi uma experiência inesquecível por todas as razões que a maioria das pessoas já conhece. Uma coisa que me chamou a atenção, no entanto, foram as obras de arte esculpidas em areia nas diversas praias daquela cidade. Os castelos, as esculturas, os monumentos eram fantásticos! Fiquei imaginando o trabalho dos artistas, o tempo de preparação, os problemas com previsão do tempo e maré e, realmente, fiquei impressionado. Não eram castelos como os que eu costumava fazer quando criança. Eram grandes e imponentes. Trabalhos de dias, talvez semanas.

Dias depois fazendo uma pesquisa me deparei com outra obra maravilhosa: as muralhas chinesas. Sua construção durou mais de dois milênios, extensão de aproximadamente três mil quilômetros, milhares de homens que doaram suas vidas, animais que carregavam os blocos de pedras, tudo isso para proteger os limites daquele país. A lenda de que é possível ser vista da lua a olho nu não se confirma, mas é compreensível. Vista pelo tempo de existência, construção e analisada pelo ângulo da história é uma obra maravilhosa, mas, se observada pela estética, torna-se feia, mal acabada, suja.

Como as duas imagens estavam muito recentes em minha mente comecei a pensar em como temos tratado nossas vidas com Deus e nossa carreira de discípulos de Jesus. Vivendo em uma sociedade que valoriza a aparência, o imediatismo e o alto rendimento, temos dificuldades em valorizar o “não-visível”. Damos preferência aos tratamentos de resultado rápido, que muitas vezes são, na mesma proporção, temporários. Muitos optam pelo mais atraente, ainda que menos eficiente. Grande parte, também, visa o rendimento e a produtividade em massa, mesmo que interiormente seja comprometedor e de curto prazo de duração. Pode ser bonito, mas é fraco. Optamos pelo castelo de areia.

Entretanto, observando a vida e o exemplo de Jesus, percebo que sua prática tem muito mais a ver com a muralha chinesa, que envolveu esforço, sacrifício, tempo, mas que até hoje estáem pé. Estaé a semente do discipulado, que não se faz com estratégias rápidas, algumas apostilas e certificados de cursos. Se hoje temos acesso ao evangelho é porque o discipulado de Jesus frutificou através dos apóstolos, dos discípulos e de cada geração. O discipulado leva tempo, exige perseverança, nem sempre apresenta uma estética agradável, mas promove raízes profundas, estabilidade nos terremotos, durabilidade inquestionável, e uma história mais bela e relevante que apenas um “rostinho bonito”.

O risco de nossa geração é preocupar-se demais com a aparência e a pressa e, por isso, construir castelos de areia. Construir uma muralha chinesa leva muito mais tempo que um castelo de areia. Entretanto, a muralha chinesa ainda estáem pé. E o castelo de areia, até quando?

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Rodolfo Gois é diretor pastoral do TeenStreet Brasil e pastor da IPIB de Maringá, PR.

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