Algumas experiências e reflexões vividas me levaram a fazer essa listinha. Nela, inclui algumas das muitas coisas que eu não quero. Estas simplesmente vieram primeiro à cabeça. Bom, nesse ano, EU NÃO QUERO…

– ser gentil o tempo todo
– acenar “sim” quando na verdade quero dar um “não” bem forte
– ser submisso à vontade dos outros
– perdoar aquele que me agride
-perdoar sete vezes sete
– ter que ficar perdoando a mesma pessoa pelo mesmo motivo a vida toda
– apertar a mão e sorrir pra quem eu não gosto
– fazer o que não quero
– gostar de quem eu não quero gostar
– não fazer o que quero
– ser bonzinho no trânsito
– ser doce com quem é azedo
– andar na velocidade regulamentada
– parar para dar passagem aos pedestres
– dividir o que tenho com os outros
– repartir o que ganhei com o suor do meu trabalho com alguém que não trabalhou tanto como eu
– chorar na frente dos outros
– ser sempre calmo, quando gostaria de explodir
– deixar meus sonhos para serem realizados por outros
– carregar uma cruz
– orar e jejuar
– ler a bíblia todos os dias
– responder com ternura quando na verdade quero GRITAR
– fugir da tentação
– servir ninguém
– buscar primeiro o reino de Deus
– deixar aquela pessoa ir pro céu
– dar preferência pra outros

 

Diante disso tudo, posso reconhecer uma coisa que faz toda a diferença nesta “listinha”: se vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim (Gálatas 2:20), então sou livre de mim mesmo, e posso todas as coisas naquele que me dá forças (Filipenses 4:13), então eu posso fazer tudo isso!

Só é verdadeiramente livre quem tem capacidade de dizer não à sua vontade, para dizer sim àquele que é a Verdade (João 14:6)… se não for assim, eu me torno refém de mim mesmo, e esta é a pior prisão em que eu posso me meter, pois sem dúvida nenhuma, sou meu pior carrasco (Romanos 7:24).

Por isso, molda-me, Senhor, como o Oleiro moldou o vaso e o refez do jeito que ele queria (Jeremias 18:1-6)! Isso é o que EU QUERO!

__________

Rodolfo Gois é Diretor Pastoral do TeenStreet Brasil e pastor da IPIB

 

  1. Já fui muito de arroubos!

    Tenho! faço! evito! posso! quero! desejo! e outros. Os arroubos também variaram muito de época para época em minha vida. Quando perdi meu pai, quando me separei, quando perdi quase tudo.

    Os arroubos têm um valor, sim, mesmo quando começam pela porta dos fundos, se me permite, em seu artigo corajoso: dizendo não para depois dizer sim.

    Quando recebi meu diploma de advogado, enchi o peito. Os arroubos nos ajudam. Sobretudo porque eu tinha 50 anos e a turma de formandos beirava os 24-25 anos. Os arroubos, sobretudo do ponto de vista psicológico, ajudam muito.

    Lembro-me, porém, de minha primeira audiência, já como advogado. Tive uma descarga intestinal que quase me impediu de comparecer à audiência. Literalmente tremia!

    Os arroubos de nada servem, por melhores que sejam, por mais fundamentados que estão, quando chega certas horas angustiosas da vida. Viram pó. As vezes não viram pó na hora, esvaem-se anos depois, até no momento em que a gente está vivendo numa boa.

    Quero visitar Auschwitz, este ano ainda. Quero ver como vou reagir, com esse pouco sangue de Judeu que carrego, diante daquilo tudo: “arbeit macht frei” (‘o trabalho liberta’, está escrito na entrada!). Será que sairei de lá inteiro na minha integridade humana? Tremo, só de pensar!

    Lembro-me de uma cirurgia, dois anos atrás. Muito embora o médico cirurgião e o anestesista me assegurassem que o gerador do hospital estava em ordem, temi até o momento em que me lembro de ter contado 1, 2, 3… e apaguei.

    Quando um dos meus filhos quase veio a óbito à época (tinha 2 anos, hoje tem 40), não houve fé que me consolasse!

    É um artigo muito bonito esse seu, meu jovem. Inspirador mesmo. Fui ver vc, a sua foto e ao lado, presumo, sua esposa, pela qual parece apaixonado. Meus parabéns!

    Há contudo, muito arroubo juvenil nesse texto, também. Eu reluto em usar a palavra arrogância, o rosto de vocês dois não parece traduzir isso.

    Mas o texto do artigo sim. O evangélico tem uma estranha arrogância na certeza da fé. É uma coisa que nunca consegui entender!

    Acho que foi Calvino, se não me engano, que estabeleceu o limite da certeza da fé e elaborou sobre a palavra ‘pietas’ (piedade, Latim). Algo (fé) que ficava exatamente onde começava a impiedade. Só que ele não sabia onde era a linha divisória.

    Sim, foi Calvino, ainda me lembro vagamente de que piedade é aquela reverência junto com o amor a Deus em que o conhecimento de seus benefícios (ou misericórdias) nos induz (conduz a). Acho que a essência é isso mesmo.

    As vezes ouço pessoas dizerem, com um certo ar desafiador, ‘quem está de pé, veja para que não caia’. Acho esse texto, desculpe a expressão, detestável, sob as mais variadas formas eu ouvi e eu mesmo usei-o contra pessoas.

    Mas Mateus 13:12 — “… ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.” — me espanta até hoje e me traz calafrios, e eu o prefiro. Estou usando-o aqui como um texto fora do contexto, claro, mas ele me dá a medida do quanto eu posso ir e recuar.

    Não tenho nenhuma recomendação a dar-lhe, Rodolfo. Certamente se estivéssemos ao redor de um café e um pão de queijo, eu falaria em voz baixa, com calma e mansidão como me sinto agora.

    Nunca é demais propor ‘o que não se quer’, o duro, Rodolfo, é aguentar o tranco quando a vida ‘quer porque quer’.

    Cordial abraço,
    Eduardo

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