Ainda em luto, “Esperança” é a palavra que enche a capa da primeira edição da revista Ultimato depois da morte do seu fundador, o pastor e jornalista Elben César, no último dia 6 de outubro.

capa_ult363_prat_27_10A capa da edição de novembro-dezembro é uma criação do design gráfico  Rick Szuecs – a partir da foto da Cruz Vazada –, e celebra algumas ênfases ou “ideias fixas”, do pastor Elben César. Trata-se de uma preciosa seleção de textos de sua autoria, agora devidamente “assinados”, ao contrário do que ele fez ao longo dos últimos 48 anos à frente da revista Ultimato.

O professor e colunista Paul Freston encerra a matéria de capa com uma homenagem e um alerta: “Não nos entristecemos como os que não têm esperança”. Para ele, “suprimir o luto é sub-humano; faltar com a esperança é subcristão. Temos de nos enlutar com todo o nosso ser e nos agarrar à esperança com todo o nosso ser”.

Na seção “Cartas”, publicamos algumas das centenas de manifestações deixadas no Livro de Visitas que, carinhosamente, acolheu o lamento e a gratidão dos leitores pelo nosso querido diretor-redator.

Confira o Sumário da edição 363 que começa a chegar na casa do assinante na próxima semana.

SUMÁRIO, edição novembro-dezembro, 2016

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Nas edições de outubro do ULTimas, fomos mostrando algumas das ilustrações de James Andrew inspiradas no universo de Nárnia. Elas estão presentes também no nosso lançamento desse mês, Leituras Diárias das Crônicas de Nárnia – Um Ano com Aslam.

Está faltando imaginação? é nossa campanha editorial, e você pode conferir vários artigos com essa temática pelo portal. Se você precisar de uma ajudinha a mais para entrar no mundo da imaginação, pode fazer o download gratuito do e-book com as ilustrações do James. É só imprimir e soltar a criatividade.

Se você ainda não assina nosso boletim, clique aqui para inscrever seu e-mail e recebê-lo gratuitamente. E o próximo boletim é especial, sai em 31 de outubro, com o tema dos 499 anos da Reforma Protestante!

Para celebrar a semana da Reforma Protestante, o blog estudos bíblicos publica a partir de hoje 5 estudos bíblicos sobre as, digamos, bandeiras da Reforma mais conhecidas. Os cinco “solas” de Lutero precisam ser relembrados e também estudados na igreja: “Sola Scriptura” (Somente as Escrituras), “Solus Christus” (Somente Cristo), “Sola Gratia” (Somente a Graça), “Sola Fide” (Somente a Fé), e “Soli Deo Gloria” (Somente a Deus a Glória).

A Reforma é antes de tudo um redescobrimento da Palavra de Deus e não é por outra razão que colocamos à disposição dos leitores mais essa série de estudos bíblicos.

Para ler, estudar e imprimir o seu estudo bíblico, acesse nosso blog de estudos bíblicos ao longo da semana.

Acesse, imprima e espalhe agora os estudos bíblicos:

> Sola Scriptura – a Escritura contra a ameaça da tradição e do autoritarismo

> Solus Christus – a suficiência de Cristo para a salvação

> Sola Fide – Somente a Fé

> Sola Gratia – A graça de Deus em oposição à doutrina de méritos e às indulgências

> Soli Deo Gloria – A glória de Deus em oposição à nulidade dos ídolos

 

Acesse também a nossa página Reformadores, com frases, imagens e muitos outros recursos sobre a Reforma Protestante.

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Por Bráulia Ribeiro

foto_reveEu morava numa casinha de madeira na selva atrás do centro missionário do Summer Institute of Linguistics em Porto Velho, que alguns anos depois viríamos a comprar para sediar a Jocum Ministério Transcultural. Na época nem sonhar com propriedades ou crescimento da missão era possível de tão pobres éramos.

Minha vida não era simples. Eu ia para a porta dos mercados da cidade pegar folhas externas de repolhos e verduras considerados muito estragadas para serem vendidas. Trazia, feliz da vida, a carga no único carro que a comunidade, um opala velho, que transportava desde a feira semanal para 40 pessoas, até caixão com gente morta para devolver ao solo materno nas tribos. Eu preparava as refeições para os novos alunos com arroz integral que no meu ponto de vista era como melhor podíamos alimentar a todos. Ninguém gostava. Além disto dava aulas, me ocupava da correspondência nacional e internacional da missão, acompanhava meu marido em seus compromissos com igrejas na cidade, e em visitas às tribos, sentava-me em longuíssimas reuniões de oração e aconselhamentos, porque nossa turma de jovens insistia em “pisar na bola” sem parar.

Enfim, tínhamos uma vida intensa e amalucada marcada pelo sonho de ter alguma relevância no gigantismo de necessidades que a Amazônia representava.

Foi ali que conheci o Rev. Elben que viajava em uma de suas expedições do “mineiro com cara de matuto.” A cordialidade, o espírito franco, de quem já tinha deixado para trás os preconceitos denominacionais, me conquistaram. Ele olhava para o corpo de Cristo no Brasil não só com o ar curioso de pesquisador, mas com carinho, como um pai, ou um irmão mais velho, ansioso para ver como os “filhos” iriam crescer. Conversamos, percorri com ele o terreno da missão explicando projetos e sonhos. Contei também sobre meu pai, escritor mineiro, que havia deixado uma imensa obra literária não publicada que me assombrava sempre. Tomamos café em xícaras de plástico, e em algum momento me atrevi a mostrar-lhe um texto que havia escrito sobre a questão do sustento missionário.

Ele se mostrou curioso, em nenhum momento me desencorajou, só disse, me dá o texto, vou analisar com calma e te escrevo. Aí meses depois, não me lembro se pela lenta internet discada que tínhamos na cidade ou se pelo correio físico, me chegou a notícia de que a revista Ultimato iria publicar meu artigo. A publicação me serviu de incentivo e à partir daí de vez em quando eu escrevia ao Rev. Elben. “Olha Pastor Elben, veja se gosta deste texto.” Alguns anos mais tarde ele me convida a fazer parte do quadro de contribuidores permanentes da revista. Não entedi como nem porquê. Entre tantos escritores no Brasil ele me escolheu, tirando da obscuridade a questão missionária indígena, e a mineira missinária com alma de escritora. Muito obrigada por isto, reverendo.

O Brasil vai sentir falta de sua mente arguta, do seu amor pelas letras, pela história do evangelho em nosso país, mas principalmente por sua capacidade de semear a unidade nos setores mais diversos da igreja, Católicos, Protestantes, Pentecostais novos e antigos, Batistas, Jocumeiros, missionários, todos nós fomos tratados com decência pela revista fundada pelo mineiro com cara de matuto.

Descanse em paz, reverendo. O céu e nós temos muito para celebrar em sua passagem por aqui.

Texto publicado originalmente em www.braulia.com.br