O segundo estudo se intitulou “Chamando o povo de Deus” e se baseou em Êxodo 19.1-6:

No terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia desse mês, vieram ao deserto do Sinai. Tendo partido de Refidim, vieram ao deserto do Sinai, no qual se acamparam; ali, pois, se acampou Israel em frente do monte. Subiu Moisés a Deus, e do monte o Senhor o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos filhos de Israel: Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos cheguei a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.

Nesta passagem, conforme Chris Wright, Deus aponta em três direções: para o passado (graça), para o futuro (visão), e para o presente (obediência).

Primeiro, o versículo 4 destaca a graça de Deus em libertar o povo de Deus por meio do êxodo apenas três meses antes. Esta graça salvadora ou libertadora precede a entrega da lei da mesma forma que a obediência à lei (boas obras) segue a manifestação da graça de Deus (Ef 2.9-10). A salvação não é resultado da nossa salvação, mas a salvação exige consequentemente a nossa obediência. Êxodo 1-19 conta a história da manifestação da graça de Deus enquanto capítulos 20-40 elaboram as exigências da lei. A ordem é essencial. Até mesmo os Dez Mandamentos começam não com uma ordem e sim com uma afirmação que demonstra a graça de Deus. Toda a nossa obediência precisa ser fundamentada na graça de Deus. E o mesmo ocorre em termos da missão: vamos em missão como resposta a graça de Deus e nem tanto diante das necessidades do mundo.

Segundo, o versículo 5 realça a graça futura da missão de Deus. Imagine a filmagem de um jogo de futebol. É como se Deus estivessem nos filmando com um olho aberto na lente da máquina filmadora para nos focar mas ainda mantendo o outro olho também aberto para ver o cenário todo (mundo).

Terceiro, o versículo 6 descreve a graça presente do povo de Deus vivendo no mundo que Deus criou. Nós, como sacerdotes (a nação de Israel todo), temos o duplo papel de ensinar a lei de Deus para os outros (as nações) quanto trazer os sacrifícios do povo (interceder a favor de) para Deus. Este é o nosso papel no mundo, o que o próprio apóstolo Paulo reconheceu e também Pedro…

 para que eu seja ministro de Cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de anunciar o evangelho de Deus, de modo que a oferta deles seja aceitável, uma vez santificada pelo Espírito Santo. — Romanos 15.16

Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia. —1 Pedro 2.9-10

Concluindo, a obediência, novamente, não é condição da salvação, mas é condição, sim, da missão!

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