Na infância, ela gostava de assistir programas, reportagens, tudo que fosse relacionado à natureza e à região Amazônica. Nessa época, sua família não era cristã. Mas ela conta que, “mesmo assim, amava a Jesus e dizia que queria ser repórter, para levar o amor de Deus aos indígenas, aos ribeirinhos e ao povo que vivia nas florestas”. A paulista Margarete Araújo não imaginava que o sonho de criança se tornaria realidade um dia.

Em 2005, já na vida adulta, Margarete conheceu a Jesus e a partir da convivência na igreja foi descobrindo sua vocação missionária. Em uma experiência de trinta dias na reserva Krahô, pela Missão Jocum, em 2013, a missionária “se apaixonou pelo povo”. A continuação dessa história, ela conta na entrevista a seguir.

P10 – Como você foi parar entre o povo Krahô?

Em outubro de 2013, estava em missão no Sul e fazendo um curso da Jocum, em Almirante Tamandaré, PR. Para o período prático do curso, eu e uma equipe fomos enviadas para o estado do Tocantins, na reserva Krahô, no norte do Brasil. Ficamos ali cerca de 30 dias e me apaixonei por aquele povo. Orei perguntando a Deus se era para eu continuar ali e Deus confirmou em meu coração, através da minha família e líderes. No final de Janeiro de 2014, me mudei para Palmas, capital de Tocantins, para poder servir na reserva Krahô.

P10 – O que você aprendeu servindo entre os Krahô?

Deus se manifesta de maneira que não esperamos. Mesmo um povo que é esquecido, sem estudo, saneamento básico, que tem uma cultura totalmente diferente da minha, eles têm práticas de princípios bíblicos. Muitas vezes, se mostravam mais fiéis a Deus do que eu mesma. É surpreendente ver a fé, a convicção e como eles reconhecem a Deus, da forma deles, sem lerem ou entenderem a Bíblia. Nesses anos, aprendi que temos que ganhar o direito de sermos ouvidos; quando coloquei em prática e passei a conviver com eles, aprender da cultura, dos deuses deles, eu pude ter uma visão diferente e soube contextualizar o evangelho, aí ganhei o direito de ser ouvida por eles. Aprendi que ao chegar à outra etnia ou cultura, temos que fazer um estudo antropológico primeiro, para com o tempo compartilhar da pessoa de Jesus Cristo, e não impor uma religião.

P10 – Por que ir para um centro de treinamento mesmo já tendo experiência no campo missionário?

Após três anos no campo com os Krahôs, um de meus líderes achou bom que eu tivesse um tempo de renovo fora do campo, para o aprimoramento ministerial, para melhor servir, com ferramentas diferentes. Um missionário jamais deve parar de estudar, se aprimorar. E se for necessário sair do campo para depois voltar, é preciso fazer, pois somos seres humanos e temos que cuidar de todas as áreas de nossas vidas. Não é fácil, mas temos que fazer em certos momentos, sem nos preocuparmos em estar deixando o campo, pois a obra não é nossa, é do Senhor.

P10 – Quais lições marcantes você pode citar desse tempo de treinamento?

Fiz certo em obedecer a Deus. Esse é o tempo de, eu e minha filha, estarmos aqui no Centro Evangélico de Missões (CEM). Como já disse, a obra é de Deus e não minha, por isso posso descansar que ele está cuidando de tudo, cuidando do povo Krahô enquanto eu estou me aprimorando. E se ele quiser, voltarei para lá. Se não, colocará outras pessoas em meu lugar e me enviará para outro canto. Para cumprir nosso chamado é fundamental amar e obedecer a Deus.

P10 – Quais seus planos após concluir o curso no CEM?

Eu pretendo voltar para região Norte e terminar de escrever meu livro sobre a etnia krahô, para despertar outros missionários a trabalharem com esse povo ou outros. Quero estar novamente próximo a eles. Mas eu digo “pretendo”, porque a última palavra é de Deus. Estou à disposição do que ele mandar.

• Margarete Araújo é mãe da Yara, 11 anos, natural de Jundiaí, SP, membro da Primeira Igreja Batista em Campo Limpo Paulista, e missionária afiliada a Mocidade para Cristo (MPC-Brasil), MPC Conexões e Agência Missionária Koinonia (AMIK).

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