“Uma família viajava em um rabeta [pequena embarcação motorizada muito comum na região], quando foi surpreendida por um forte temporal, que fez a embarcação virar no meio do rio. O pai, apavorado, começou a gritar, pois na rabeta havia uma criança. Milagrosamente, Deus providenciou um meio de se salvarem. Depois do ocorrido, o pai contou que Jesus os livrou porque tinha o propósito de salvá-los da condenação eterna. A família inteira se rendeu a Jesus”.

Quem narra o breve relato é o pastor Pedro Godinho. Ele mora em Porto Trombetas, no Pará, e lá pastoreia a Igreja Batista. Além do trabalho pastoral na cidade, ele desenvolve várias atividades de evangelização, discipulado e treinamento de líderes em comunidades ribeirinhas e indígenas. Com mais de duas décadas espalhando o Evangelho pelos rios do Pará e Amazonas, o pastor Pedro tem muitas outras histórias para contar, como essa:

“Certa vez estive em uma comunidade próxima a cidade de Manacapuru, no Amazonas. O povo daquela vila não gostava de crentes, por isso não tivemos uma resposta positiva ao nosso pedido para realizar um culto lá. Eu estava na companhia de vários pastores, pois estávamos em treinamento estudando o livro de João. O professor me perguntou o que iríamos fazer. ‘Vamos orar!’, respondi. Assim fizemos. Após a oração, sentimos que devíamos voltar à vila, mas sem a Bíblia na mão desta vez. O líder da comunidade estava com o coração duro, mas através da oração não tem coração duro que Deus não possa amolecer. Resultado: conseguimos realizar o culto e toda vila ouviu o Evangelho. No final, perguntaram quando iríamos voltar outra vez e nos presentearam com muitos peixes. Aprendi que não devemos desistir de falar de Jesus diante das resistências.”

Leia a entrevista que o Paralelo 10 fez com o pastor Pedro e conheça um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido por ele.

Como começou este trabalho e há quanto tempo você está envolvido nele?
O meu chamado para o ministério pastoral, começou em 1992. Sempre tive a graça de desenvolver esse trabalho juntamente com Luiza, minha esposa. Nosso envolvimento passou a ser maior em 2008, quando conheci muitos rios e vilas nas proximidades da cidade de Maués, no Amazonas: Rio Marau, Urupadi, Lago Preto, Lago do Castanhal, Maués-Açu. Também já desenvolvemos trabalhos em cidades amazonenses: Boa Vista do Ramos, Barrerinha e Parintins. No estado do Pará, estamos trabalhando com os quilombolas no rio Trombetas e no rio Cuminá.

Quais atividades você desenvolve?
Faço o trabalho de pastoreio, evangelismo, discipulado, formação de líderes e trabalhos sociais em comunidades ribeirinhas e também nas aldeias indígenas como: etnia Wai Wai, que fica situada no rio Mapuera acima do alto Trombetas, no Pará, e com a etnia Sateré Maué, no rio Marau e Urupadi, no Amazonas.

Como é a realidade das pessoas que vivem nessa região?
Em termos de saúde, temos no momento a pior, se na cidade não esta fácil, imagine nas comunidades. Quando tem médico, não tem remédio e vice versa. Na maioria das vezes não tem nenhum dos dois. No período da subida e descida da água dos rios, são frequentes os casos de vômito, diarreia e coceiras no corpo, pois a maioria das comunidades não tem agua potável e nem posto médico. Na cheia, os ribeirinhos convivem com os perigos ainda maiores como cobras e jacarés.

Outra dificuldade é obreiros disponíveis para essa região. Por isso coordeno um Instituto Bíblico Beira Rio, que tem como objetivo preparar líderes das próprias comunidades para trabalharem onde vivem. Quase todos os alunos que estudam no instituto não têm condições de pagar passagem, alimentação, material didático e hospedagem. Então o instituto arca com todas as despesas desses obreiros. Recebemos ajuda de uma igreja para realização desse seminário, pois as despesas são altas, mas, por se tratar de vidas, entendemos que não é gasto e sim um investimento.

Quais são as maiores dificuldades enfrentadas?
É muito importante ter apoio para desenvolver o trabalho de maneira mais tranquila. Entretanto, temos algumas dificuldades com transporte e ajuda financeira. Na maioria das vezes, faço as viagens com dinheiro próprio.

O trabalho que realizado é vinculado a alguma igreja, denominação ou missão?
Sou pastor da igreja Batista de Porto Trombetas, no Pará, que está vinculada a Convenção Batista do Brasil. Até 2010, tinha apoio da Missão Paranorte. Depois tive que conseguir outros recursos para continuar as viagens missionárias. A igreja onde pastoreio, tem me dado apoio nesse trabalho e fico grato a Deus por isso.

Já é possível ver algum resultado do trabalho?
Sim, e isso nos encoraja a continuar. No rio Maués Açu, hoje tem vários trabalhos abertos. Também temos vários trabalhos funcionando com obreiros locais no rio Marau e rio Urupadi. Os próprios índios que já receberam treinamento estão levando o trabalho em frente. Hoje temos um missionário indígena trabalhando naquela região, apoiando e abrindo novos trabalhos. No rio Cuminá, os trabalhos estão avançando com os próprios obreiros locais. No rio Alto Trombetas, onde mora somente os quilombolas, temos vinte comunidades e parte delas já foram alcançadas com o evangelho. Lá, também desenvolvemos trabalhos sociais em parceria com a Missão Paranorte. Na comunidade Mamaurú, região de Óbidos (PA), estamos instalando sistema para que o povo tenha acesso a água potável.

Pedro da Conceição Godinho é pastor há 23 anos na Amazônia. É casado há 28 anos com Luiza e tem três filhos: Suzana, 26, Pedro, 24, e Lucas, 21.

 

  1. Antonia Leonora van der Meer

    Que lindo testemunho de um pastor incansável alcançando muitas comunidades com o evangelho. Que o Senhor continue renovando as suas forças e abri ndo as portas para a mensagem e o serviço de amor. Louvo a Deus também pela formação de obreiros locais. E oro por mais obreiros…. para essa seara enorme.

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