maosA professora e fisioterapeuta Deborah Santos foi uma das profissionais que deixou a sala de aula e foi para as comunidades ribeirinhas. Durante sua viagem e trabalho nas comunidades de Mocambo e Sabina, Deborah desenvolveu um trabalho de pesquisa entre mulheres e realizou atendimentos, palestras e oficinas. Veja o depoimento de Deborah, que conheceu e foi impactada pela realidade da Amazônia.

“Muitas vezes nos esquecemos da saúde das mulheres, que sofrem de disfunções sexuais, que não têm qualidade de vida, que não conseguem dormir uma noite inteira sem se levantar para urinar. Com recursos terapêuticos práticos da fisioterapia, através de exercícios realizados, podemos melhorar a qualidade de vida dentro da realidade de cada uma delas e evitar que seja necessário uma cirurgia.

Nas comunidades, fiz uma palestra informativa, uma avaliação fisioterapêutica uroginecológica e depois demonstrarei as técnicas fisioterapêuticas que poderiam ajudar a prevenir e tratar as disfunções existentes. As mulheres ficaram muito interessadas e no outro dia tinha gente de outras vilas que veio e queria participar dos atendimentos e palestras. Foi maravilhoso realizar este trabalho com os ribeirinhos.

Sou mulher do século 21, trabalho fora, cuido dos filhos, de casa, do marido. Sou uma filha presente, enfim, tenho uma vida totalmente estressada, pois administrar todas essas coisas ao mesmo tempo requer muito esforço.

Mas o que vi na vida destas mulheres da comunidade me fez refletir. Elas têm tranquilidade no dia a dia, não têm estresse, e passam muito tempo com seus filhos.

Acho que somos todas mulheres guerreiras lutando pelo bem estar da família, mesmo vivendo em realidades tão diferentes. Ainda assim essa experiência me fez decidir minha carga horária, para ter mais momentos com a família.

Mudei os meus conceitos sobre felicidade. Cheguei nestas comunidades com uma visão de pessoas infelizes com a vida que levam. Me enganei completamente. São pessoas carentes de recursos, mas felizes. A maioria das pessoas que conversei demonstravam estarem satisfeitas com suas vidas e isso foi interessante para mim. Aprendi a dar mais valor às coisas simples da vida e, como a própria Bíblia diz, ‘tudo é vaidade e correr atrás do vento’.”

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Depoimento publicado originalmente no jornal Visão do Alto nº44 (setembro/outubro de 2013) da ONG Asas de Socorro.

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