Oração é o esforço humano de estabelecer comunicação com Deus. Precisamos admitir que nem sempre vamos até a presença do Eterno com um coração puro. Isto não assusta ao Senhor pois conhece o nosso coração. Sabe por exemplo quando estamos tentando manipular aquele que tem o controle da vida em suas mãos.

Um dos grandes efeitos da oração ocorre justamente quando a gente se vê mudado. Quando a nossa perspectiva muda, nossas ações seguem este movimento de transformação. Foi isto que aconteceu na história do menino possuído por demônios quando o pai busca uma audiência com o Mestre. “Jesus se encontra com um pai aflito” seria um subtítulo mais apropriado para a versão dos acontecimentos descrita por três dos quatro evangelistas: Mateus, Marcos e Lucas.

Mateus e Lucas contam a história de forma abreviada enquanto Marcos gasta o dobro de palavras. Na manhã seguinte à subida do Mestre e os três discípulos, Pedro, Tiago e João, ao monte onde ele foi transfigurado, Jesus encontrou lá embaixo, uma situação embaraçosa. Os nove discípulos que tinham ficado discutiam com líderes religiosos sobre o problema de um pai que queria ajuda para seu filho.

Chama a atenção o fato que eles discutiam a situação do menino, e enquanto discutiam, a criança permanecia oprimida. Quem sabe eles recorreram às disputas para esconder o fato de que não tinham conseguido libertar o menino?

Jesus entrou em cena e a primeira pessoa a se dirigir a ele foi o pai do menino. Nem os escribas, nem os discípulos tinham resolvido nada. O pai não disfarçou sua decepção ou angústia. No evangelho segundo Mateus, encontramos o detalhe de que ele se coloca de joelhos ao dizer, “Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito.” No evangelho segundo Lucas, descobrimos mais um detalhe comovente: “Mestre, peço-te que olhes para meu filho, porque é o único que eu tenho.”

A situação é grave, já acontece a muito tempo, coloca a vida do menino em risco porque são frequentes os ataques e costumam acontecer quando o menino está perto de água ou fogo. O menino não fala. Os ataques o deixam como se estivesse morto. 

Depois de relatar o quadro, o pai diz, “Se tu podes fazer alguma coisa…” Jesus interrompe e diz: “Se tu podes? Tudo é possível ao que crê.” Aí o pai fala “Eu creio. Senhor, me ajuda na minha incredulidade!”

Me identifico muito com este pai. Eu creio. Senhor, me ajuda na minha incredulidade!

Só consigo mentir momentaneamente para Jesus. Ele sabe o quanto eu temo os dardos inflamados do maligno que incidem sobre os meus filhos constantemente. Eu sei que a minha luta não é contra a carne mas contra autoridades espirituais num mundo impregnado pela sua influência. E, se for honesta, me pego duvidando do poder do Espírito Santo para operar em nós tanto o querer como o realizar.

O que os discípulos querem? Uma medida de poder. Querem demonstrar que estão do lado certo e têm autoridade sobre os demônios. A conversa deles é uma conversa de quem quer aprender um passe de mágica. Tanto que eles depois perguntaram, o que foi que deu errado? 

O que os líderes religiosos querem? Discutir questões teológicas sem nenhum interesse pelo menino. A conversa destes líderes é questionadora – o que em si não está errado. Mas, ela é também estéril. É uma conversa que parte de mentes e corações fechados para o mover do Espírito e que tem mais interesse em ganhar um argumento do que ser transformado pelo Mestre.

O que o pai quer? Que o menino seja liberto. Ele já tinha feito o seu diagnóstico. “Eis que um espírito o toma e de repente clama, e o despedaça até espumar; e só o larga depois de o ter quebrantado.” Mas de que adianta um diagnóstico se não temos o remédio? Quem tem autoridade sobre os espíritos desse mundo tenebroso? 

Esta terceira conversa – a mais honesta – é justamente a que Jesus encara. E ele muda a perspectiva do pai. “Tudo é possível ao que crê”. Não foi só o menino que saiu liberto daquele encontro. O pai também. Porque a crença de que não havia remédio para o diagnóstico, de que os poderes das trevas não cederiam à luz, caiu por terra. O pai saiu liberto da sua incredulidade. 

No tempo de Jesus, assim como hoje, existiam dimensões onde as mentiras do Diabo tinham se tornado sistemas de crenças muito bem articulados e convincentes. Eram muralhas, filosofias vãs, que impediam a pessoa de ver o que para Jesus estava óbvio. 

Quando Jesus diz, “Esta casta só é expulsa com jejum e oração”, ele está falando de um esforço a mais, nosso, de mudança de visão. Uma dedicação em oração para que Deus nos mostre onde focar nossas energias. Ele quer que tenhamos clareza sobre que parte da luta é nossa, que parte é orquestrada pelo Espírito Santo, assim o medo soprado pelo maligno cede e a nossa confiança num Deus que age cresce. 

Embora eu creia que todo cristão precisa orar sobre tudo que o estiver incomodando, penso também que, a julgar pelos pedidos compartilhados em nossos grupos, o Espírito Santo tem um trabalho muito rotineiro e nada transformador. Cura fulano, abre as portas para um emprego para a fulana, provê segurança na viagem do outro fulano.

Enquanto Marcos nos dá uma visão bem próxima da conversa de Jesus com o pai do menino, Mateus coloca a incredulidade nos ombros dos discípulos. A falta de fé dos discípulos é mais preocupante do que a do pai se levarmos em conta tudo o que eles já tinham presenciado até aqui. Descrevem não pela falta de demonstração de poder da parte de Jesus, mas sim pela falta de um coração que almeja amar e servir, que quer o melhor para o próximo, que se abstém de julgamentos e discussões sobre importância, impacto, relevância.

Onde está a oração que muda as intenções, muda o coração, quebra barreiras, derruba mentiras, liberta e transforma? Enquanto não formos confrontados na nossa própria incredulidade e no quanto a usamos até como escudo, nada muda. Obter uma audiência com Jesus é um negócio perigoso. 

Eu e meu esposo temos orado já há quase um ano a oração deste pai, “Eu creio. Senhor, me ajuda na minha incredulidade!” Não vale a pena orar se não estivermos dispostos a correr os riscos. Mateus registra até uma promessa depois da bronca no final deste relato. É uma promessa para o discípulo, para você e para mim: “Porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível.”

 

  • Por: Elsie Gilbert

Assim como a história do menino, muitas crianças precisam de alguém que creia e corra o riscos por elas. Venha, acolha uma criança em oração e leve suas necessidades ao ÚNICO que pode ajudá-las.

 

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