Ser criança é coisa de gente grande!

Ser criança é coisa de gente grande!

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: Uma conversa memorável, Valdir Steuernagel

 

Texto básico: Lucas 18. 15-27

Textos de apoio
– Mateus 18. 1-5
– 1 Coríntios 14. 20
– Salmo 86. 5
– Êxodo 20. 12-16
– Mateus 6. 19-25

– Jó 42. 2

Introdução

Dois encontros, com representantes de dois grupos sociais separados por um longo abismo, em qualquer sociedade humana: as crianças, de um lado, e os “de posição” ou “importantes”, de outro. Em comum, o mesmo interlocutor: Jesus de Nazaré, o Deus encarnado.

Essas duas narrativas não foram colocadas em conexão, aqui, por acaso. Lucas (juntamente com Mateus e Marcos) desejava transmitir aos seus leitores algum ensino relevante da parte de Jesus. As reações e respostas de Jesus em cada encontro, bem como a de seus discípulos, podem revelar como a nossa escala de valores está distante daquilo que é realmente valorizado por Deus, ao se relacionar conosco. Ou, em outras palavras, revelam a distância entre aquilo que elencamos como mais importante e aquilo que realmente importa para Deus, quando estamos tratando da dignidade e da atenção dispensadas por Ele a cada um de nós.

Afinal de contas, porque as reações de Jesus foram diferentes nesses dois casos? Qual é o “mapa” para se chegar ao Reino de Deus? O que é preciso “fazer” para conseguir a vida eterna? O que significa “ter importância”, ou alcançar determinada “posição”, de acordo com a “medição” de Deus?

Para entender o que a Bíblia fala

  1. Faça uma comparação entre os dois encontros de Jesus, com as crianças (vv. 15-17) e com o “homem importante” (vv. 18-30; NVI). Quais as semelhanças e diferenças? E os discípulos, como reagiram em cada caso?
  2. Na sua opinião, por que os discípulos de Jesus reagiram tão asperamente com as pessoas que traziam as criancinhas até Jesus (v. 15)? Isso revela algo sobre o “status” social das crianças na época de Jesus?
  3. Aparentemente, o “homem importante” do v. 18 se aproxima de Jesus com uma dúvida sincera. A primeira resposta de Jesus parece deixá-lo bem contente (vv. 20-21) – note que Jesus cita apenas os mandamentos que diziam respeito à nossa vida “exterior”. O que isso revela sobre a compreensão daquele homem acerca do “caminho” para a vida eterna?
  4. Em vez de um “Muito bem! Você foi aprovado!”, Jesus oferece uma segunda resposta (v. 22) que entristeceu o homem. Por que ele ficou triste? O que Jesus queria lhe mostrar sobre o significado profundo dos mandamentos e a verdadeira natureza da vida eterna?
  5. Jesus foi categórico ao dizer que é impossível um rico “entrar no Reino de Deus” (v.25; a interpretação literal é a melhor alternativa aqui), e consequentemente “herdar a vida eterna”. Como assim? Qual era o verdadeiro problema na riqueza daquele “homem importante” e de todos os “ricos sem céu”?
  6. Se, para entrar no Reino de Deus, é necessário ser semelhante a uma criança (vv. 16-17), que características ou qualidades estavam em falta no caráter e na vida deste “homem de posição” (v. 18; ARA)?

Hora de Avançar

Fui ficando mais velho e “importante” e, ao ter de lidar com coisas sensíveis e complicadas, (…) aprendi a importância de, nesses momentos cruciais, orar dizendo: “Fala, Senhor! Ajuda-me a te ouvir e a te seguir como criança, pois delas é o Reino de Deus!”.

Para pensar

Já na época de Jesus a “posição” social ou “status” de alguém era determinada pelas suas posses ou desempenho. Os que se destacavam neste quesito eram considerados “importantes” ou possuidores de uma “posição”, como o homem descrito no nosso texto, que tinha tudo o que a sociedade considerava admirável e desejável. Nesse contexto, como seriam tratados aqueles que não tinham posses e nem eram “produtivos” para a sociedade, como as crianças, por exemplo?

Era inimaginável que alguém de “posição” ficasse em “desvantagem” em qualquer situação ou perante um benefício. Daí a perplexidade dos discípulos de Jesus: “Bom, se o rico, que é rico, não pode ser salvo, então quem o será?”.

Jesus desafiou a cultura social de sua época, expondo a busca humana por auto suficiência e auto justificação como meios de lograr a salvação eterna, e mostrando que isso sempre será um dom de Deus. E mais, escalou como “cidadão modelo” de Seu Reino aquela que é vista como exemplo de dependência e desapego: a criança!

O que disseram

Sei que sou uma criança. Sou uma criança que, por trás de todas as minhas realizações e sucessos, continua a chorar para que seja protegida com segurança e amada sem condições.(…) Jesus sofreu a cruz para permitir-me recuperar minha “criança”, aquele lugar em mim em que estou fora do controle e em desesperada necessidade de ser levantado e confortado. (Henri Nouwen, “Meditações com Henri J. M. Nouwen”, Danprewan Editora)

Para responder

  1. Jesus escolheu as crianças como modelo dos súditos que procura para seu Reino, não porque sejam perfeitas, mas devido à algumas características como submissão e dependência de outros, transparência diante de suas fraquezas, ausência de preconceitos, abertura para o perdão, entre outras. Olhando para esta lista, que não é conclusiva, quais qualidades você considera que estão em falta no seu relacionamento com Deus e com o próximo?
  2. Jesus ajudou aquele “homem de posição” a perceber o seu apego às riquezas. O dinheiro havia ocupado o governo de seu coração, gerando o nascimento de um ídolo. E isso exigia uma reação radical de desapego (v. 22). Você consegue identificar em sua vida algum ídolo que tem tomado o lugar de Deus, exigindo toda sua atenção e sua confiança? Dinheiro? Relacionamentos amorosos? Formação acadêmica? Realização profissional? Liderança e poder ministerial ou eclesiástico? Que reação radical você precisa assumir diante deste ídolo?

Eu e Deus

Para ser um súdito do Reino de Deus é necessário criar e cultivar uma nova mentalidade, marcada pela dependência, simplicidade e desapego característicos de uma criancinha. Quem se candidata?

Autor do estudo: Reinaldo Percinoto Júnior

Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo Uma conversa memorável, do pastor e colunista da revista Ultimato, Valdir Steuernagel, publicado na edição 358.

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