Vida comunitária: espaço de transformação e sustento mútuo

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: “Quando vocês se reúnem”, Ed René Kivitz, Ultimato 393

Texto básico 
Salmo 133

Textos de apoio
– Êxodo 30. 22-31
– Salmo 122. 1
– Atos 2. 41-47
– 1 Coríntios 12. 12-27
– Efésios 4. 1-7, 15-16
– Hebreus 10. 19-25

 

Introdução

Considerarmos a nossa fé como um “ponto de partida” ou mesmo um “porto de chegada” não seria algo errado. Porém, talvez seja mais condizente com a realidade conceituarmos a nossa experiência de fé como uma “travessia”. E, sendo uma “travessia”, esta experiência não apenas pressupõe, mas exige parceria, companheirismo, convivência.

Numa sociedade cada vez mais acomodada e “viciada” no conforto da vida moderna, a igreja precisa manter a sua identidade de “comunidade peregrinante”, uma comunidade forjada na marcha e no caminho.

Isso tudo nos convoca para uma vivência comunitária atenta, solidária e intencional, que não se permite sucumbir diante das tentações do “facilismo” e do “escapismo”, frente aos obstáculos e à “falta de controle” da difícil tarefa de ser e existir como uma comunidade de amor e acolhimento.

Quem está disposto a aceitar este chamado? Quem está disponível para substituir o “comodismo” e o conforto do quarto refrigerado pelo “calor” e a “trepidação emocional” da estrada irregular da convivência em comunidade?  

          

Para entender o que a Bíblia fala* 

1) O que há de tão bom ou agradável no fato dos “irmãos” viverem em união (v.1)? Existem dificuldades? Como superá-las?

2) Na tradução da NVI (Nova Versão Internacional), o verbo utilizado no v.1 é “conviver”. O que isso implica para nossa vida comunitária?

3) Se o óleo da unção, que saturava a barba de Arão e as suas vestes sacerdotais, era tão precioso (ricamente perfumado) e santificador (v.2; Êx 29.7; Lv 21.10), o que devemos pensar sobre a harmonia que deve existir na comunhão do povo de Deus?

4)O Monte Hermon se eleva a 2.800 metros e suas geleiras se estendem por cerca de 30 quilômetros no norte de Israel, irrigando os vales do rio Jordão e as cidades logo abaixo. No entanto, durante o verão, sua neve e geleiras produzem um forte orvalho que envolve o Monte Hermon, deixando grande parte dos arredores áridos. O “orvalho de Hermon” cair no Monte Sião (v. 3) seria algo muito incomum e extremamente especial. O que isso diz sobre a bênção da união fraterna?

 

Para pensar

“Faz tempo, ouvi alguém dizer que na era do ‘high tech’ precisamos de ‘high touch’, isto é, quanto mais tecnologia, mais necessidade de contato humano. A experiência virtual nunca substituirá o contato físico, o toque humano, a troca de beijos e abraços, o face a face. [Brian] Zahnd diz, com razão, que, ‘quando nos ‘reunimos’ on-line, na maioria das vezes apenas assistimos a algo e podemos controlar totalmente a experiência. Se quisermos, podemos simplesmente nos esconder e partir quando desejarmos. Isso pode parecer preferível, mas não é igreja. A Igreja nos coloca na companhia de pessoas com as quais, se ficássemos por conta própria, provavelmente nunca teríamos interação. Mas

essas são precisamente as pessoas que precisamos conhecer, acolher e aprender a amar. Deixados por conta própria (eletrônicos), seremos atrofiados em nossa maturidade cristã’. A sabedoria milenar das Escrituras nos adverte. A recomendação válida para os primeiros cristãos que se comunicavam enviando pergaminhos que demoravam meses para chegar ao seu destino, vale ainda hoje (e talvez hoje mais ainda) para nós que nos comunicamos instantaneamente no mundo virtual: ‘Consideremo-nos uns aos outros para incentivar-nos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia’ (Hb 10.24-25).” 

(Ed René Kivitz, em Quando vocês se reúnem, Ultimato 393)

 

“Deus revela a plenitude do amor divino na comunidade. A proclamação das boas-novas encontra sua principal fonte na comunidade. Isso traz consequências radicais para nossa vida. Pois agora a pergunta não é mais: ‘Como posso melhor desenvolver minha vida espiritual e compartilhá-la com os outros?’, mas: ‘Onde encontramos a comunidade de fé em que o Espírito de Deus desce e na qual a mensagem divina de esperança e amor é trazida como uma luz ao mundo?’. Uma vez que a pergunta se torna nossa principal preocupação, não podemos mais separar a vida espiritual da vida em comunidade, o pertencer a Deus do pertencer um ao outro e o ver a Cristo do ver um ao outro Nele.”

(Henri Nouwen, em Meditações com Henri J. M. Nouwen, Danprewan, 2003)

 

“E agora, José?”

1. Você tem experimentado esta proximidade (irmandade, fraternidade) com seus irmãos de fé? Como tem sido esta experiência? Se não, que decisões e atitudes práticas você poderia tomar para começar a experimentar esses “laços que santificam e sustentam” o povo de Deus?

2. Na sua comunidade de fé existe um compromisso genuíno pelo fortalecimento da responsabilidade mútua entre os irmãos? Alguma iniciativa que busque esse fortalecimento, promovendo renovação espiritual e pastoreio mútuo? Você está engajado neste esforço?

3. A Bíblia como um todo (Antigo e Novo Testamentos) enfatiza a importância do relacionamento “face a face” entre os irmãos. A sua comunidade de fé tem enfrentado alguma tensão na dinâmica “encontros presenciais vs. encontros virtuais”? É possível diminuir ou mesmo eliminar esta tensão? Como?

 

Eu e Deus

“Quão amável, ó Senhor, é vossa casa,
quanto a amo, Senhor Deus do universo!
Minha alma desfalece de saudades
e anseia pelos átrios do Senhor!…
Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa,
e a andorinha ali prepara o seu ninho,
para nele seus filhotes colocar:
vossos altares, ó Senhor Deus do universo!
vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor!
Felizes os que habitam vossa casa;
para sempre haverão de vos louvar!
Felizes os que em vós têm sua força,
e se decidem a partir quais peregrinos!…
Ó Senhor, Deus poderoso do universo,
feliz quem põe em vós sua esperança!”

(Salmo 84. 1-2a, 3-5, 12)


* Adaptado de “Quiet Time Bible Guide”, Cindy Bunch (ed.), InterVarsity Press, 2005

Autor: Reinaldo Percinoto Junior

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