O dia do encontro com Deus

O dia do encontro com Deus

SÉRIE REVISTA ULTIMATO| Estudo 4

Artigo: Eu conto os dias para ver Tupana, de Dulce Arehum, Ultimato 419.

Introdução

A poesia utiliza uma linguagem própria para transmitir uma mensagem. A poesia bíblica não é diferente. A sua leitura deve levar em conta certas características peculiares do texto poético a fim de se alcançar uma compreensão mais proveitosa do texto.

O presente roteiro de estudo bíblico baseia-se em uma passagem do profeta Isaías, cujo livro em sua maior parte foi escrito na forma de poesia.

Um aspecto diferente da abordagem desse roteiro é a oportunidade de se explorar relações entre essa poesia de Isaías e um poema contemporâneo. Para esse propósito foi escolhido o poema Eu conto os dias para ver Tupana, escrito por da Dulce Arehum e publicado na Ultimato 419. Ambas as poesias estão transcritas no final desse roteiro.

O texto de Isaías possui o caráter de revelação canônica, enquanto o poema da Dulce Arehum é um relato lírico da sua espiritualidade e do seu testemunho sobre a fé evangélica.1 São, portanto, poesias de épocas diferentes e com propósitos diferentes.

O objetivo dessa aula é explorar um diálogo entre essas poesias tendo em vista a proximidade de seus temas. Será uma boa ocasião para observar algumas características da linguagem da poesia e o melhor modo de compreendê-las.

1- Faça uma leitura atenta de Isaías 51:1-6 e do poema escolhido. Peça para duas ou três pessoas da sala lerem em voz alta. Isso ajudará na sedimentação das impressões iniciais sobre os textos. Note que a palavra Tupana é um termo usado para se referir a Deus em algumas línguas indígenas.

2- Observe algumas diferenças entre os poemas. Quanto ao primeiro: liste os elementos textuais que apontam para o aspecto comunitário e profético da mensagem. E quanto ao segundo: liste os elementos que reforçam o seu aspecto lírico e individual ao mencionar sentimentos, emoções e estados de alma.

3- A poesia geralmente faz uso de figuras e de metáforas para criar significados. Isso é próprio da linguagem conotativa. Não se deve tomar o sentido puramente gramatical e direto das ideias e expressões, pois essa seria abordagem típica para um texto denotativo. Percorra o poema de Isaías e explore os significados figurados de rocha, aridez, jardim, justiça, fumaça, roupa e mosquitos. E no outro poema, o significado das seguintes expressões: árvores de folhas coloridas, borboletas azuis, sorriso, nuvem, doce voz, arrancar e plantar.

4- Uma semelhança entre essas duas poesias é a menção ao júbilo e à alegria em relação à pessoa de Deus e às expectativas futuras. Verifique esses aspectos e explore como isso é expresso em cada poema.

5- Ambos os poemas utilizam os verbos escutar e ver (ou olhar) para se referir à aproximação de Deus. Que sentidos figurados desses verbos possuem nesses poemas?

6- Outro ponto em comum nesses poemas é a referência ao jardim no encontro com Deus. Observe que em ambos há uma ideia de “retorno”, com diferentes significados em cada poema. Isaías compara o exílio de seu povo à perda do Éden (isto está subentendido no texto). Observe a seguinte progressão de ideias sugerida em ambos os textos: (1) o Deus que habita os céus descerá à terra para um encontro e (2) o espaço para se desfrutar desse encontro é o jardim. Portanto, o que significa o retorno ao jardim, e que possibilidades são abertas a partir dessa compreensão?

Conclusão

Esses dois poemas, apesar de tão distantes do tempo e diferentes em propósito, utilizam a figura de um jardim para falarem do encontro com Deus. Estudá-los dessa forma comparativa permitiu vislumbrar uma afinidade temática entre eles.

A esperança cristã, fundamentada na promessa revelada por Isaías, torna-se mais bela quando se pensa na restauração dos seres humanos ao jardim de onde nunca deveriam ter saído.

Para pensar

  • Como anda o seu momento de encontro com Deus? Ele é comparável a um passeio no jardim?
  • Pode-se pensar no jardim como uma expectativa escatológica e como um exercício de espiritualidade.
  • A possibilidade do diálogo entre a poesia bíblica e a poesia contemporânea abre possibilidades de pontes culturais que enriquecem o testemunho cristão a respeito das Escrituras.

 

Nota:

  1. Este poema foi publicado originalmente no livro “Arehum Sateré Mawé: poesia por uma jovem indígena ; haryporia Tapy yia miwan”, de autoria de Dulce Arehum Sateré Mawé, lançado pela Far Lands Editora em 2024 (118p.).

 

Este é um roteiro de aula de Escola Bíblica baseada no poema “Eu conto os dias para ver Tupana” de Dulce Arehum, publicado na edição 419 (maio/junho de 2026) da Ultimato. 

Autor do estudo: Délio Porto, engenheiro e professor universitário aposentado, presbiteriano, reside em Viçosa, MG.

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