Amizade mútua
O ponto mais alto da amizade de Jesus por seus discípulos de ontem e de hoje foi a sua disposição em dar a própria vida por amor deles
Eu os chamo de amigos porque contei a vocês tudo que ouvi de meu Pai. (Jo 15.15)
Não foi o medo, mas a amizade que aproximou Abraão de Deus. Segundo Tiago, ele “foi chamado amigo de Deus” (Tg 2.23). De fato, Deus mesmo o chamou de “meu amigo” (Is 41.8). Em sua oração, Josafá também referiu-se a Abraão como “amigo de Deus” (2Cr 20.7).
A amizade é um sentimento muito bonito e desinteressado. Diz-se que é um fiel sentimento de ternura entre pessoas não necessariamente ligadas por laços de família. Na amizade não há também nenhuma motivação sexual.
Jesus usava muito a palavra “amigo”, no singular e no plural. Em um dos seus discursos públicos, ele se referiu aos discípulos como “amigos meus” (Lc 12.4). Noutro discurso, este mais privado, ele explicou por que não chamava seus discípulos de “servos” e, sim, de “amigos”: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (Jo 15.15). Jesus era chamado de “amigo de publicanos e pecadores”, por se aproximar deles e comer com eles (Mt 11.19).
A amizade é capaz de grandes serviços, de grandes feitos, de grandes sacrifícios. Por causa da amizade aos três irmãos de Betânia, Jesus foi até lá e ressuscitou Lázaro. Ele os amava profundamente (Jo 11.5). Porque tinha grande amizade por aquela família, Jesus chorou diante da morte de Lázaro (Jo 11.35).
Em que sentido Abraão era amigo de Deus? Não só porque saiu da sua terra e da sua gente para andar com Deus, mas, especialmente, porque “estava mesmo para sacrificar o seu unigênito” (Hb 11.17), em atenção à ordem recebida: “Toma teu filho, teu único filho, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá: oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei” (Gn 22.2).
O ponto mais alto da amizade de Jesus por seus discípulos de ontem e de hoje foi a sua disposição em dar a própria vida por amor deles: “O maior amor que alguém pode ter pelos seus amigos é dar a vida por eles” (Jo 15.13).