Na experiência do verdadeiro crente, “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”

 

1.

Os sábios, os adivinhos, os feiticeiros e os astrólogos de Babilônia, a uma voz, disseram a verdade a Nabucodonosor: “Os deuses não moram com os homens” (Dn 2.11). Os deuses não moram, mas o único Deus sempre está por perto do homem, especialmente nas ocasiões e circunstâncias mais difíceis: “Na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei, e o glorificarei” (Sl 91.15). Na experiência do verdadeiro crente, “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Sl 46.1). Embora pareça às vezes distante, “perto está o Senhor dos que o invocam” (Sl 34.18).

 

2.

A ascensão de Jesus aos céus não deixou ninguém órfão de Deus. Jesus mesmo prometeu: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (Jo 14.18). Ele tomou todo cuidado para não dar a sensação de que, a partir de sua volta ao Pai, os discípulos não mais o teriam. Assim Jesus garantiu: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós” (Jo 15.4). Ao proferir a grande comissão, Jesus deixou muito claro: “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20). O Evangelho de Mateus começa com o Deus conosco (1.23) e termina com a promessa da companhia de Jesus até o fim dos tempos (28.20).

 

3.

É muito proveitoso reparar que não fomos deixados sozinhos com a nossa acentuada e constante propensão pecaminosa. Não se pode negar a experiência pessoal tanto de Paulo como nossa, de que “o pecado habita em mim” e de que há em meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros” (Rm 7.13-25). Também não se pode negar que neste mesmo corpo arruinado pelo pecado, habita o Espírito Santo: “Nós somos santuários de Deus” (2 Co 6.16). O pecado não está sozinho nem o Espírito Santo está sozinho.

 

4.

A presença de Deus se fez tremendamente marcante com o nascimento de Jesus em Belém da Judeia. O nome que José deveria dar do filho de Maria seria Emanuel, que quer dizer “Deus conosco” (Mt 1.23). Daí o prólogo do Evangelho de João, que apresenta Jesus como o Verbo que era no princípio, que estava com Deus, que era Deus e que se fez carne (Jo 1.1, 14). Daí a palavra de Jesus a Filipe: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (Jo 14.9). Daí a exclamação incontida de Tomé ao ver o sinal dos cravos no Jesus ressuscitado: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20.28.)

 

5.

Poucos dias depois da ascensão de Jesus, o Espírito é derramado sobre a igreja (At 2.14). A respeito do Espírito, Jesus havia dito: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco” (Jo 14.16). Os apóstolos entendem e ensinam que os verdadeiros cristãos são o templo do Espírito Santo. Duas vezes Paulo pergunta: “Não sabeis que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16,5.19). A Timóteo, o apóstolo informa: “Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que, habita em nós” (2 Tm 1.14).

 

6.

Depois da consumação do século, na restauração de todas as coisas, na glória por vir a ser revelada em nós, a presença de Deus no meio dos homens será absoluta. Nem sequer haverá santuário nesta nova ordem, “pois o seu Templo é o Senhor Deus, o Todo poderoso, e o Cordeiro” (Ap 21.22). O ambiente todo, o espaço todo será a morada, o tabernáculo de Deus, que vai morar com os redimidos, e eles serão o seu povo (Ap 21.3). Será a plenitude do Deus conosco, a plenitude da comunhão, a plenitude da bem-aventurança. São os novos céus e a nova terra (2 Pe 3.13). É a nova criação de que falava o profeta desde o século 7 antes de Cristo (ls 65.17-25).

 

Artigo originalmente publicado na edição 246 de Ultimato.

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