Por Daniela Condor, ex-aluna do CEM e missionária transcultural vivendo com a família num país da África Ocidental

Desde 1995 tenho vivido como missionária transcultural. Estamos num constante aprendizado de língua, cultura e de compreender como transmitir a mensagem do evangelho para pessoas que pensam tão diferente de nós. Viver em outra cultura exige esforço e é um desafio diário, sobretudo quando entendemos que a missão não é apenas falar de Jesus, servir na igreja local ou desenvolver um projeto social, mas que vai além disso. A missão é glorificar a Deus em todas as esferas da nossa vida, fora e dentro de casa. Vendo assim, a família missionária, os filhos e a vida conjugal também fazem parte da missão que Deus está realizando. Mas como podemos perceber que essas coisas também são importantes na obra missionária?

Observar as estações foi o que me ajudou a dar a devida atenção para nossos filhos e o cuidado familiar. Eu vivi no campo transcultural solteira, casada sem filhos, casada com filhos pequenos e agora casada com filhos a caminho da universidade. Cada uma dessas etapas são estações na minha vida, as quais requerem de mim atenção diferente e definições de prioridades. Compreender qual estação estou vivendo me guarda de querer viver da mesma maneira da realidade de outrora. Quando eu não tinha filhos, com certeza eu tinha mais tempo para fazer muitas coisas fora de casa. No entanto, com eles, eu precisava estar disponível para auxiliar nos deveres da escola, contar estórias ou ler uns gibis, preparar comida tipicamente brasileira, brincar, orar com eles ou apenas passar tempo juntos. Enfim, além do prazer em vê-los seguros e se sentindo felizes mesmo vivendo em um país distante, estes cuidados também glorificam a Deus aos olhos das pessoas que não o conhecem. Como podemos saber disso?

Percebemos como as pessoas nos observam quando nossos filhos estudavam em uma escola francesa em um país da África Ocidental, uma mãe nos pediu para abrir um clube bíblico para ensinar seus filhos e outros interessados acerca da Bíblia, porque ela via que nossos filhos eram “diferentes”.

Em outra ocasião, quando levamos nosso filho adolescente ao dermatologista para tratar um problema de acne, a moça libanesa que aplicou o produto disse: “A família de vocês é excepcional, estou impressionada como vocês cuidam do bem-estar do seu filho, eu nunca vi ninguém trazendo aqui filhos adolescentes para cuidar da pele”. Experiências como estas reforçam a ideia de que, o que vivemos em casa, reflete para os de fora a maneira que servimos a Deus. Como me ajuda no meu dia a dia como missionária entender as estações que estou vivendo?

Compreender que nossos filhos fazem parte da missão de Deus, me libertou de sentir que não estava fazendo algo muito importante quando eu deixei de passar mais tempo trabalhando em um projeto social para acompanhar de perto cada necessidade de nossos filhos. Seguirei observando cada estação, o que ela traz de novo para mim, na certeza de que Deus tem olhado para minha família como parte da missão que Ele está realizando no mundo.

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