capa362“O perdão nosso de cada dia – a ação terapêutica do perdão e a expiação cristã” é o tema de capa da revista Ultimato deste bimestre. Ela foi enviada aos leitores no início do mês e desde ontem já pode ser lida também no portal. O acesso à versão online da atual edição é restrito aos assinantes, mas quem não é pode degustar um pouco do conteúdo. Leia abaixo nosso texto de abertura.

 

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“Tudo vai bem, quando tudo vai mal”?

No correr da história tem havido vozes que insistem em dizer que “tudo vai bem, quando tudo vai mal”. São vozes que desejam manter o “status quo” e não mudanças. Nenhum remorso, nenhum arrependimento, nenhuma confissão de fracasso, nenhuma reviravolta, nenhuma limpeza, nenhuma reforma são necessários porque “tudo vai bem”. Elas são incapazes de assumir o contrário, que tudo vai mal. Para essas pessoas o mundo vai bem, o país vai bem, a sociedade vai bem, a igreja vai bem, a economia vai bem, a moral vai bem, o casamento vai bem, a família vai bem e “eu vou bem”. Isso ocorre mais por causa de alguma estratégia oculta de ordem política, de ordem econômica ou de ordem religiosa, do que por causa da falta de atenção e observação. Os portadores da mensagem de que “tudo vai bem, quando tudo vai mal” pretendem fazer uma lavagem cerebral.

Como se pode dizer que o mundo vai bem se os atentados terroristas estão cada vez mais frequentes, mais sangrentos e mais ousados, principalmente na Europa? Se uma em cada 113 pessoas no mundo, no final de 2015, era refugiada ou deslocada ou estava em busca de refúgio em algum país? Se “estamos em meio de algo como uma verdadeira epidemia mundial de depressão que fez números insignificantes saltarem a proporções massivas” (Vladimir Safatle)? Se em abril de 2016, Barack Obama solicitou ao Congresso americano a aprovação de um orçamento de um bilhão e cem milhões de dólares para prevenção e tratamento do uso de opiáceos, e se 450 novas drogas sintéticas se juntaram às demais em 2014? Se o racismo ainda mata brancos e negros, menos de cinquenta anos depois da morte de Martin Luther King? Se “há uma enorme possibilidade” de Donald Trump, caso seja eleito presidente dos Estados Unidos, ter acesso aos códigos nucleares (Tony Schwartz)?

Como se pode dizer que o Brasil vai bem se “a Lava Jato ameaça transformar o país numa imensa jaula onde todos ficaremos presos e difamados” (Carlos Heitor Cony)? Se o jornal The New York Times sugere que o Brasil deve ganhar a medalha de ouro em corrupção, e o ministro de nosso Supremo Tribunal Federal diz que a corrupção se tornou “uma espantosa regra”?

Como se pode dizer que o casamento e a família vão bem se “casamentos não mais são feitos para durar” e se “a traição conjugal virou vício” (Walcyr Carrasco)?

Como se pode dizer que a moral vai bem se comportamentos amorais são cada vez mais divulgados e ensinados sem o menor pudor? Se o beijo gay de 2014 é substituído agora por uma cena de sexo gay, tudo muito natural?

Por volta dos anos seiscentos antes de Cristo, quando os exércitos da Babilônia estavam bem próximos, quando Nabucodonosor armou aríetes — máquinas de guerra para derrubar muralhas — em torno de Jerusalém, quando a fome era tal que as mães matavam, cozinhavam e comiam seus próprios filhos — os falsos profetas enganavam o povo de Israel dizendo “tudo vai bem, quando tudo vai mal” (Ez 13.10).

Por causa dessa mensagem sem cabimento, o povo não deu ouvidos às vozes de Isaías, Jeremias, Ezequiel e outros. Então, a guerra, a fome e a doença deram cabo deles!

 

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Sumário da revista Ultimato deste bimestre

 

 

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