A boa e velha poesia de Leontina Novaes marcou presença em algumas edições da revista Ultimato no início da década de 70 – há exatamente 40 anos. Selecionamos a seguir quatro delas. Aproveite este “achado”.

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(abril, 1973)

Pai, fica comigo, eu preciso de Ti desesperadamente.
Há confusão em minh’alma e uma dor inclemente,
Dilacera o coração.
Pai, fica comigo: o pavor me prostrou,
E a alvinitente aurora da preza,
Uma noite de vícios derrotou.
O mundo é de terror, de erros e misérias.
De dor e confusão, de trevas e de ais.
É um mundo de maldade.
De caos.
De temeridade.
Fica comigo, ó Pai.
Fica comigo nesta noite fria,
No meu quarto, em oração, sem companhia.
O temor do futuro… O medo da derrota…
O silêncio sepulcral de tudo em derredor.
As ameaças veladas… A saudade que esgota…
Fica comigo, ó Pai!
Fica comigo em minha nostalgia,
Minhas noites insones, intérminas, sem fim.
Ao problema insolúvel – a resposta envia.
À dor dilacerante – o bálsamo concede.
A lágrima enxuga e a fé dá valia.
Fica comigo indicando o rumo certo
Do caminhar santificado e puro.
E amanhã não me sentirei tão só
Mesmo que a noite chegue e o céu se torne escuro.

 

Alegria Vital
(abril, 1974)

Por que chorar?
Há uma luz acesa,
Há brilho no sol,
No coração há certeza,

Por que chorar?
Há jasmins, há rosas, há pomar,
Há querubins…
Há encantamento e há poesia, quando declina o sol,
na viração do dia.

Por que chorar?
Um ideal existe.
Existe uma quimera,
Lealdade persiste,
E continua a fé, removendo montanhas,
Claríssima, a infundir humilde obediência, nos recônditos
Sublimes de uma crença.

Por que chorar?
Perdeste teu amor?
Nova decepção tirou o teu calor?
Foste preterido incondicionalmente?
O amigo traiu? Traiu assim, vilmente?
Há pureza, há candura.
Tu hoje podes ser nova criatura.
Exulta! E canta! E vibra de alegria!
Jesus sofreu a morte de dor e de agonia
Para que te refizesses a todo momento,
Sobrepujando dores, traições, sofrimentos!

Canta! Canta sobre o teu sofrer!
Enxuga tua lágrima! É novo amanhecer!
Quando o dia raiar, rutilante de luz,
Deposita teu fardo aos pés de Jesus!
E verás surpreso, feliz, que com Ele ao teu lado
Foi embora a tristeza,
Acabou o tormento,
Porque Jesus é caminho certo – que remove o sofrimento!

 

Quedas na Subida
(maio, 1974)

E na subida santa rumo ao Amado
Que as muitas quedas costumam acontecer.
Quem já está com o pecado conformado,
Não tem escala mais ínfima prá descer.

É na subida santa rumo à perfeição,
Que as quedas mais frequentes aparecem.
Para quem se banqueteia no pecado,
Coisas como “quedas” não se reconhecem.

Enquanto vamos escalando altivamente,
Cuidemos atentos: quem tem muita firmeza
De estar no topo fica conformado,
Sentindo-se mui seguro e deslumbrado
Com seu próprio estado de “grande fortaleza”:
Ali, a queda mais depressa é certeza!

 

É Preciso Orar
(junho, 1974)

É preciso orar ao início do dia,
Para que Cristo seja nossa companhia.

É preciso orar com amor profundo,
Para suportar o horror deste mundo.

É preciso orar com fervor seguro,
Para sermos castos, para sermos puros.

É preciso orar – a preguiça olvidar,
Para termos forças e poder esperar.

É preciso orar com perseverança,
Para comprovar quanto a fé alcança.

É preciso orar com real valor,
Para mostrar Cristo em seu esplendor.

É preciso orar quando o sol declina,
Quando cai a neve,
Quando vem neblina,
É preciso orar quando há alegria,
Quando vem a dor,
Quando há nostalgia.

É preciso orar incessantemente
Se quisermos ser realmente crentes.

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