Lucas Rolim 

Ainda no porto me sinto seguro
Mas o tempo é chegado
E está na hora de partir

A infinitude do espaço
Inebria a alma
Constrange o lançar-me ao mar 

Por trás de quais ondas?
Onde se encontrará meu caminho?
E eu que sou tão frágil e pequeno…

Diante do espelho d’água
Reflito-me a mim mesmo
E reconheço o ser ínfimo que sou

Posto que minha pequenez define meu ser
Torno-me dependente de quem pode me guiar
Sendo as mãos do Deus dos mares, meu capitão
E a onisciência de seu Espírito, meu leme
Eu, em minha limitação,
Torno-me um desbravador

Com sua presença sempiterna,
Por sobre as ondas,
Sinto-me aventureiro
Em infinitos, que nunca fui capaz de sondar
Embalado ao som dos ventos dançantes
Que horas bailam valsas e brisas de esperança
Que horas sapateiam sobre a tripulação

Errantes e inconstantes
As ondas que fazem fremir a alma
Tornam-se músicas de ninar
E o porto, seguro, protetor,
Passa a andar comigo
Com destino certo:
Salva(a)dor de outros
Tu que és meu Salvador

Sou apenas um barquinho
Não me atrevo a recusar a viagem
Desde que tu sejas meu leme
Sentir-me-ei seguro
E a viagem terá rumo
E o mar será quieto
Terá paz 

Nota
• Poema inspirado em exposição feita por Paul Freston, durante o 7º EMEP. A vontade de Deus é como o leme do barco, que somos nós. Para que ela nos guie, é preciso que o barco esteja em movimento.

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