As Camadas de Consciência na Busca por Comunhão
Que consciência temos de nós mesmos, em relação à igreja e aos irmãos, quando nos aproximamos para ajudar ou para nos afirmar?
Na camada eclesiológica, somos convidados à humildade, à mansidão, ao suporte mútuo, aos dons, à experiência cada vez mais profunda do “amor de Cristo”, à segurança de que somos “injustos justificados”, pecadores arrependidos de sermos pecadores, pobres de espírito que choram o choro bendito, porque seremos consolados da nossa incapacidade de nos salvar.
Na camada teológica, há quem considere algo pecado e outro não. Complicado, por causa da “verdade do evangelho” (resgate, salvação, justificação, adoração), e porque somos chamados à santidade; somos chamados à articulação das juntas, à mesa do Pai; a ver Cristo formado em nós, à unidade no Espírito, a construirmos juntos, com a Sua ajuda, a comunidade da nova criação, da ressurreição; a família que Deus concebeu para seu Filho, antes da fundação do mundo.
Na camada pessoal da articulação (Ef 4:16), podemos ter discordâncias como Paulo e Pedro, ou Paulo e João Marcos; diferenças que surgem de tantas causas — criação, personalidade, temperamento, traumas etc. — que nem vale a pena tentar mapear; basta aceitar que somos indivíduos diferentes e investir no amor ativo.
Na camada moral também podemos discordar, até certo ponto, sobre o que é certo ou errado, sem que necessariamente alguém tenha que “vencer”. Mas é daí que surgem os árbitros, os advogados, os conselheiros, os anciãos etc. promovendo a justiça e a paz.
Na camada mais profunda e íntima, somos inspirados a perceber, aceitar e desenvolver “marcas de Deus” em nós, tais como a capacidade de contrição, a força do arrependimento eficaz; a eficácia da caridade, que enxerga a dor “naquilo que sofreu”; o amor ágape, que não ajuda de longe (não querendo se contaminar), mas que chega perto e corre os riscos de se machucar ao “se perder” no sacro ofício da ação devocional “como para Cristo”, de modo a se transformar em parte do “grande colo de Deus”, oferecido a todos os que são chamados à mesa, à festa da era vindoura.
Considerando essas camadas de consciência, como devemos compreender o ensino de Paulo aos Gálatas, que é um tratado sobre a liberdade cristã, mas também um convite à mesa da comunhão? Como harmonizar todas essas camadas diante das “dores articulares” do encontro com o irmão que pensa diferente de nós? Oremos por espírito de sabedoria e revelação, que iluminará os olhos do nosso coração.