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Passo a passo 91 _ imagem 4Práticas culturais prejudiciais
Algumas práticas culturais aumentam a probabilidade de uma mulher morrer no parto.
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CASAMENTOS INFANTIS
As meninas e as mulheres com menos de 20 anos podem sofrer problemas no trabalho de parto porque o seu corpo ainda não está pronto. A probabilidade de morte no parto entre as meninas de 10 a 14 anos é cinco vezes maior, e, entre as meninas de 15 a 19 anos, é duas vezes maior.
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CIRCUNCISÃO FEMININA
A alteração do corpo de uma menina através do corte de partes dos órgãos genitais é muito prejudicial. A circuncisão feminina (às vezes chamada de mutilação genital feminina, ou MGF) é praticada com frequência em comunidades onde a fertilidade das mulheres é altamente valorizada. Contudo, estudos mostram que ela torna muito mais difícil para as mulheres terem um parto seguro. As cicatrizes no local dos cortes e a infibulação (costura do canal do parto) impedem o parto normal. Uma mulher que sofreu cortes frequentemente precisa de cuidados de saúde mais especializados, os quais podem não estar disponíveis no local e podem ser excessivamente caros. Isto aumenta o risco de morte tanto para a mãe quanto para a criança.

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PREFERÊNCIA POR MENINOS

Às vezes, as famílias que querem meninos e podem pagar uma ecografia para descobrir o sexo do bebê decidem abortar as meninas. Se o aborto for inseguro, a mãe pode morrer em consequência de complicações ou infecções.

Às vezes, quando uma família tem preferência por meninos, as meninas recebem menos alimentos ou alimentos diferentes e menos nutritivos. Se uma menina não consumir alimentos nutritivos suficientes, tais como leite e ovos, o seu corpo não crescerá forte para prepará-la para o parto quando ela for mais velha. Se uma menina ou uma mulher mal nutrida engravidar, ela provavelmente terá problemas.
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O que podemos fazer?

As práticas culturais mudam ao longo das gerações, e não da noite para o dia! Porém, para os exemplos aqui dados, os ensinamentos religiosos sobre a igualdade de valor das mulheres aos olhos de Deus podem fazer uma grande diferença. As decisões individuais dos homens e das mulheres quanto a mudar suas práticas – mesmo se isto dificultar as relações familiares – lançarão as sementes das futuras mudanças nas famílias e nas comunidades.

Falta de serviços de planejamento familiar

As gravidezes muito precoces ou muito próximas uma da outra podem dificultar a vida das famílias. A mãe e as crianças têm maior probabilidade de enfraquecer. Uma mulher que engravida várias vezes com intervalos curtos entre as gravidezes (menos de dois anos entre os partos) tem mais probabilidade de sofrer problemas de saúde na gravidez e no parto do que as mulheres que tiveram intervalos mais uniformes entre os filhos.

Em alguns locais, há serviços de planejamento familiar, porém as entregas de suprimentos, tais como preservativos e pílulas, não são frequentes o suficiente, e as pessoas não podem comprar grandes quantidades de uma só vez.

O que podemos fazer?

  • Divulgar os serviços locais de planejamento familiar e incentivar as pessoas a utilizá-los.
  • Pedir melhores serviços e entregas de suprimentos mais frequentes.
  • Garantir que os serviços de planejamento familiar incluam orientação para as mulheres para ajudá-las a reconhecer quando as chances de engravidar são maiores.

O papel do pai

Em muitas culturas, o pai desempenha o papel de “guardião”. Ele tem o poder de tomar decisões importantes para a família, e isto pode afetar a saúde materna. Muitas causas de morte podem ser evitadas se os homens compreenderem melhor os riscos. Por exemplo, a decisão de procurar atendimento médico na gravidez e no parto frequentemente é tomada pelo marido. Se ele demorar, a esposa poderá morrer. Se ele compreender a necessidade de planejar antecipadamente o parto com a esposa, ela e o bebê terão maior probabilidade de sobreviver.

Os pais também podem prevenir práticas tradicionais prejudiciais e incentivar a educação de suas filhas. Eles podem discutir o planejamento familiar com as esposas e procurar ter filhos com, pelo menos, dois anos de diferença de idade. Eles podem dar o exemplo procurando informações sobre uma saúde melhor durante a gravidez e o parto para proteger a família.

Escrito com a ajuda de Caroline Onwuezobe, gestora dos serviços pré-natais do Faith Alive Hospital, em Jos, Nigéria, e Andrew Tomkins, Professor Emérito de Saúde Infantil Internacional da University College London.

 

Soluções

“Eu posso fazer algo em relação a isto”

  • Ir a quatro consultas pré-natais pelo menos
  • Compreender os sinais de perigo na gravidez
  • Fazer um plano de parto
  • Organizar o transporte para o centro de saúde ou hospital
  • Evitar práticas culturais prejudiciais
  • Escolher um método de planejamento familiar

“O responsável médico do distrito poderia ajudar”

  • Clínicas com horário de atendimento prolongado
  • Maior número de funcionários treinados
  • Equipamento melhor e em maior quantidade
  • Centros de saúde locais que ofereçam transporte de emergência para os hospitais distritais a qualquer hora do dia ou da noite (mediante o pagamento de uma taxa, se necessário)
  • Clínicas de saúde móveis
  • Ampla disponibilidade de planejamento familiar
  • Abastecimento garantido de comprimidos de ferro e ácido fólico, antimaláricos e outros medicamentos frequentemente necessários durante a gravidez

“Vamos pedir ao nosso político local”

  • Consultas pré-natais gratuitas
  • Estradas melhores
  • Comunicação melhor
  • Educação básica gratuita

Conversando com o governo local sobre a saúde materna

Identifique os responsáveis pelo planejamento dos serviços de saúde materna e os responsáveis por quanto é gasto com eles.

Procure formar uma equipe que inclua funcionários clínicos (enfermeiros, médicos) e representantes da comunidade (agentes comunitários de saúde, líderes comunitários) para descrever o problema antes de abordar os gestores distritais.

 


Artigo publicado originalmente no Passo a Passo 91, em setembro de 2013 pela Tearfund.

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