Por Vinicius Vargas

“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” Mateus 6:9-10

 

O texto é conhecido. A oração do Pai Nosso. Jesus nos ensina a orar a Deus o chamando de nosso Pai. Ele amplia a relação. Não apenas nos faz servos ou participantes de um projeto ou de um movimento. Ele nos garante a adoção como Filhos (Efésios 1:5). Somos filhos. Membros de uma mesma família de fé, gerados pelo Espírito Santo através do Novo Nascimento. Somos feitos irmãos uns dos outros pelo sangue de Cristo. Max Lucado diz algo interessante nesse sentido:

 

“Dentre todos os seus nomes, o favorito de Deus é Pai. Sabemos que Ele ama este nome, porque é o que Ele mais usa. Enquanto esteve na Terra, Jesus chamou Deus de Pai mais de duzentas vezes. Em suas primeiras palavras registradas, Jesus elucidou: ‘Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?’ (Lc 2.49, ARA). Em sua última e triunfante oração, Ele proclamou: ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’ (Lc 23.46). Só no Evangelho de João, o Senhor Jesus repetiu este nome 156 vezes. Deus gosta de ser chamado de Pai”.

Deus é Pai e somos os filhos, entendemos bem como funciona essa dinâmica espiritual. Mas porque Deus resolveu comparar Seu Reino, Sua posição divina e Sua relação conosco em termos de família? Em relação de pai, filhos e irmãos? Porque essa é a relação mais fundamental que nós temos. A primeira. E em muitos casos, a mais forte. A única relação que podemos até negar com as palavras, mas que nosso código genético validará.

Somos filhos do mesmo Pai, parecidos com Ele (Gn 1:26). Se a relação espiritual é perfeita, Pai e Filhos que se amam incondicionalmente, então essa é uma pista de como devem ser nossas relações familiares com as pessoas que são de nossa família terrena: amorosa, afetuosa e altruísta. Deus é Pai (e mãe) modelo para os pais, Cristo é o filho obediente, modelo para os filhos. E que assim sejamos em nossas relações de família: Assim na Terra como é no céu!

Pode parecer polêmico dizer que Deus é pai e mãe, mas me deixe explicar. Pra isso, peço a ajuda do teólogo Alister McGrath, que diz o seguinte:

“Falar em Deus como pai é dizer que o papel do pai no antigo Israel permite que compreendemos melhor a natureza de Deus. Isso não significa dizer que Deus seja do gênero masculino. Nem a sexualidade masculina, nem a sexualidade feminina devem ser atribuídas a Deus. Pois a sexualidade é um atributo que pertence à ordem da criação, sendo inadmissível aceitar uma correspondência direta entre esse tipo de polaridade (homem/mulher), conforme se observa na criação, e o Deus criador.

 

Na verdade, o Antigo Testamento evita atribuir funções sexuais a Deus, devido à ocorrência de fortes traços pagãos nesses tipos de associações. Os cultos à fertilidade dos cananeus davam ênfase às funções sexuais tanto dos deuses quanto das deusas; portanto, o Antigo Testamento recusa-se a endossar a ideia de que o gênero ou a sexualidade de Deus seja uma questão importante.”

Alister McGrath em “Teologia sistemática, histórica e filosófica”, p. 315-316 – Ed. Vida Nova

Encaramos que um Deus que é espírito não é do gênero masculino. E, percebemos que apesar de todas as vezes ele ser chamado de Pai e não de mãe no texto bíblico, existem imagens maternais de Deus na Escritura. Deus é revelado como uma mãe-pássaro (Rt 2.12; Sl 17.8; Mt 23.37), uma mãe-ursa que luta para proteger seus ursinhos (Os 13.8) e como uma mãe que consola seus filhos (Is 66.13).

Deus é imagem perfeita da mãe: que acolhe, que cuida, que alimenta, que protege, que dá colo e consolo. Ele orienta, corrige e disciplina. Se não tem gênero definido, é um modelo daquilo que todos procuram na própria mãe e que encontram em Deus. E é o exemplo que as mães devem seguir e ser. Deus pode até não ser chamado de mãe, mas em toda Sua perfeição, reúne todas as características de uma mãe amorosa. Como toda mãe é para seus filhos!

Em Deus temos tudo: o modelo de Pai, de mãe, e em Cristo, o modelo de filho. Temos tudo o que precisamos saber e conhecer para uma boa relação na nossa própria família.

  • Vinicius Vargas é pastor de jovens da IB Fonte Carioca e vice-presidente da Juventude Batista Meritiense. É marido da Izabela e pai do Eduardo e da Eliza.
  1. É o grande segredo para vivermos uma vida saudável aqui nesse corpo. O sentimento de pertencimento é curador!
    E através de Jesus, temos família, amigos e irmãos… Aleluia!🙌

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