O lugar da mulher

O lugar da mulher

Texto básico: João 4. 1-30

Textos de apoio
– Gênesis 1. 26-28
– Provérbios 24. 3-4
– Isaías 66. 12-13
– Lucas 7. 36-50
– Romanos 16. 1-16
– 2 Timóteo 1. 5-6

Introdução

O texto de Gênesis 1. 26-28 nos ensina que homem e mulher foram criados por Deus iguais e, ao mesmo tempo, diferentes. Ambos são iguais em sua condição, em sua dignidade e em sua vocação (ambos foram feitos à imagem e semelhança de Deus, e ambos receberam o mandato de dominar a terra). E sua diferenciação se expressa em sua sexualidade (criados como “macho e fêmea”) e em sua complementaridade (um tem o que falta ao outro e vice-versa).

Mas a desobediência de ambos (Gen 3) provocou uma ruptura na harmonia criada por Deus. A interdependência deu lugar à competição; o respeito mútuo sucumbiu ao autoritarismo; a relação deu lugar à exploração.

Mas graças a Deus por Jesus Cristo, pois por meio do projeto divino de redenção é possível um redirecionamento completo em direção ao plano original da criação (conversão).
Por causa da queda a nossa história foi marcada por alienação, violência e morte. Mas a igreja de Cristo, como as primícias da nova criação de Deus, pode e deve responder a esta história, dizendo e mostrando que não fomos criados assim.

O sexismo (preconceito ou discriminação baseada no sexo de uma pessoa), bem como qualquer outro “ismo” que possa afetar o relacionamento entre homens e mulheres, não podem encontrar espaço na comunidade remida por Cristo (Gl 3. 26-28), por mais arraigados que estejam em nossa cultura.

Como vivenciamos e lidamos com essas tensões em nosso contexto familiar? E na nossa igreja? O que tem influenciado mais nossas abordagens e atitudes no que diz respeito aos assuntos de gênero: nossa cultura ou o projeto de redenção em Cristo?

Para entender o que a Bíblia fala

1. A mulher samaritana de nosso texto veio buscar água num horário bastante impróprio (v. 6). Por que ela fez esta escolha? Isso revelava algo sobre sua reputação pública?

2. Uma atitude como esta de Jesus era extremamente desaconselhável para qualquer “rabi” (mestre) de respeito. Que riscos Jesus correu ao conversar com esta mulher (vv. 7-9; veja também v. 27)? Quais “convenções sociais” ele precisou desafiar?

3. Por que Jesus não revelou logo a sua identidade (v. 26)? Por que ele “perdeu” tanto tempo conversando com esta mulher de vida tão questionável (vv. 17-18)?

4. Como a ilustração utilizada por Jesus (água viva, sede…) despetou o interesse da mulher (vv. 10-15)? Como a resposta dela no v. 15 ajuda-nos a entender que havia algo mais por trás da simples sede física? E como o pedido derradeiro de Jesus, no v. 16, expõe o problema aos olhos da mulher?

5. A mulher havia ido até o poço para buscar água. Mas, no final, ela sai sem levar o cântaro (v. 28). Por que? Que mudanças ou tranformações podem ter acontecido no decorrer da conversa com Jesus (vv. 9, 19, 29)?

6. Finalmente, leia também os vv. 39-42. Observe as consequências da dedicação de Jesus a esta mulher. Jesus a transformou de rejeitada à enviada! Valeu à pena?

Para Refletir

Assim como ocorria no Antigo Testamento, as mulheres não eram consideradas iguais aos homens na sociedade dos tempos de Jesus. Eram obrigadas a obedecer ao marido como a um dono, e essa obediência era um dever religioso.

Além disso, estavam excluídas da vida pública. Joaquim Jeremias escreve: “As filhas, na casa paterna, deviam andar atrás dos rapazes. Sua formação limitava-se à aprendizagem dos trabalhos domésticos, cozinhar, costurar e cuidar dos irmãos e irmãs menores. Com relação ao pai, tinham com certeza os mesmos deveres que os irmãos, mas não os mesmos direitos. Com respeito à herança, por exemplo, os filhos e seus descendentes precediam as filhas.

Segundo Josefo, historiador judeu do primeiro século, tanto os direitos como os deveres religiosos das mulheres eram limitados. Elas só podiam entrar no templo até o átrio dos gentios e das mulheres. Havia rabinos que sustentavam que não se devia ensinar-lhes o Torah (o livro religiosos dos judeus). As escolas onde se ensinava a ler e a escrever, bem como os preceitos da lei, eram exclusivas aos homens. Somente algumas filhas de famílias de elevado grau social podiam estudar. Nas sinagogas haviam uma separação entre homens e mulheres. Durante os cultos, elas tinham que permanecer caladas; não podiam ensinar. Em casa a mulher não podia dar graças pelo alimento. Na cultura judaica, assim como nas culturas vizinhas da época, a mulher era, de uma forma geral, colocada em segundo plano.

[…] “Somente partindo deste contexto – diz Joaquim Jeremias – podemos compreender plenamente a postura de Jesus em relação à mulher”. João Batista já havia batizado mulheres (Mt 21. 32), mas Jesus permitiu que as mulheres o seguissem (Lc 8. 1-3; Mc 15. 40-41; Mt 20.20). Jesus não só falou com mulheres (Jo 4, 8. 2-11), mas até discutiu temas teológicos com elas (Lc 10. 38-42; Jo 11. 21-27), numa época em que nenhum rabino se atrevia a fazê-lo. Esses acontecimentos não têm similar na história da época. Mais ainda, Jesus não se contenta em colocar a mulher numa posição mais elevada que aquela em que a cultura do seu tempo a colocava, mas a coloca em posição de igualdade com o homem diante de Deus (Mt 21. 31-32). É verdade que Jesus não incluiu mulheres entre os doze discípulos, porém isso não significa que pelo restante da história as mulheres ficariam de fora das funções oficiais de ensino e governo na igreja. A professora Irene Foulkes encontra exatamente nisso a chave hermenêutica para o início do novo Israel. A indicação dos doze, disse ela, era uma espécie de lição objetiva: significava o início de um povo novo “que ultrapassaria em muito a velha nação definida em termos de descendência humana dos doze patriarcas.”

(Jorge Maldonado. “A Família nos Tempos Bíblicos”. In Casamento e Família: uma abordagem bíblica e teológica. Jorge Maldonado, editor. Viçosa, MG: Ultimato, 2003, pp. 11-29)

Para Terminar

1. Você acha que hoje as mulheres sofrem algum tipo de preconceito em nossas famílias? E em nossas igrejas? Por que você acha que isto acontece?

2. Como vimos em nosso texto, Jesus não apenas restabeleceu a dignidade da mulher samaritana diante de seus concidadãos, mas também contou com ela como sua principal mensageira. Na sua igreja há exemplos atuais deste tipo de liderança feminina? Esta liderança costuma ser valorizada e estimulada, ou apenas quando as atividades são “femininas” (almoço comunitário, bazar de roupas, eventos sociais, etc)?

Eu e Deus

“Livre da tirania da condenação – pelas críticas e pela consciência, considero todas as coisas novas, ó Senhor. Instila, neste momento, hábitos fortes de virtude no lugar dos pecados aos quais me acostumei. Amém.”
(Eugene Peterson, Um Ano com Jesus, Ultimato)

Leia mais

> Acontece nas Melhores Famílias

> Antes de Casar

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior

Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do capítulo 2 do livro “Pessoa, casal e família” (fora de catálogo), de Jorge Atiencia, publicado pela Editora Ultimato.
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