Por Phelipe Reis

O Sol desperta por detrás da montanha, mas as árvores, que estão de um lado e de outro da estrada, me protegem da forte luz. Não ouço o barulho de gente, nem do trânsito maluco dos centros urbanos. Também nada de asfalto. Caminho em chão de barro, sozinho, apreciando a calmaria do lugar. Meus passos vão em direção à porteira, que já está aberta.

Ao passar a porteira e me deparar com a verdura do local, meus olhos são capturados pelo vermelho e amarelo das helicônias, penduradas aqui e acolá, ornamentando naturalmente a paisagem. Contorno o pequeno prédio para entrar pelos fundos e a ornamentação continua: flores aos montes – tem umas bem pequenininhas cor de rosa, outras maiores na cor laranja e algumas na cor lilás. Tem ainda a famosa e popular flor de hibisco, com seu vermelho um tanto sem graça, mas cujas pétalas servem para fazer suco e chá. Dizem que ela é símbolo do Havaí, onde existem mais de cinco mil variedades dela. Disso eu não sabia, só sei que quando eu era curumim, lá no interior do Amazonas, a gente abria as pétalas, retirava um negocinho lá de dentro e colava na ponta do nosso nariz.

Pobres flores… tinham a vida (que dura apenas 24 horas) encurtada mais ainda nas mãos de curumins pobres que, na falta de brinquedos, inventavam suas próprias brincadeiras. Mas aqui, ninguém as toca. Ela e todas as outras flores ficam aí, balançando ao vento, enfeitando o jardim e nosso pequeno pomar (muito bem cuidado pelo seu Magela, por sinal). Tem pé de banana, limão, laranja, mexirica, goiaba e até de açaí. Plantas, flores e frutas que enchem nossos olhos de beleza!

A hora me chama. Preciso subir e tomar meu posto de trabalho. Mas antes que eu entre no prédio, já não sinto mais o cheiro das flores, nem de mato; o cheirinho de pão fresco, que está assando no forno, invade e sacia meu olfato. Ah! Só pode ser Lú. Ela sabe deixar a gente com água na boca! Quando não é o cheiro do seu delicioso pão caseiro ou da sua torta de frango, talvez seja o cheiro do seu bolo de cenoura com calda de chocolate (que só comemos em dias especiais, quando tem aniversariante) ou ainda o cheiro de alguma invenção com banana, que no final sempre fica uma delícia!

Sento e ligo e computador. Da janela lateral, eu vejo o céu azul e mais um pouco de verde, numa árvore onde pousam pardais, bem-te-vis e um tanto de outros pássaros que eu nem sei o nome. Para uma manhã de atividades, são eles que a fazem a minha trilha sonora, com o devido destaque para a prima dos papagaios, a curica – que aqui chamam de maritaca –, cujo canto pode ser ouvido de longe.

É assim: na zona rural mineira, apreciando sons, cores, texturas e a beleza da criação (e os sabores da Lú, claro!), que o Criador nos convida a contribuir com ele, manejando palavras e a Palavra, para a reconciliação de todas as coisas, em Cristo Jesus. Que privilégio!

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Confira a galeria com algumas fotos das cores, sabores e sons de Ultimato

 

Phelipe M. Reis é amazonense, missionário e jornalista. Casado com Luíze e pai da Elis.

  1. Por que o Senhor é bom, alegramo-nos Nele.
    Nosso trabalho é temperado com oração, passarinhos, flores e uma boa refeição.
    Trabalhar na Ultimato é uma bênção.
    Parabéns pelo texto Phelipe.

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