Por Priscila Mesquita

Senhor Jesus, quando penso em orar pelo Estado onde nasci, surgem muitos sentimentos ao mesmo tempo e eu nem sei por onde começar. Um deles é a gratidão pelas obras admiráveis que o Senhor projetou para essa região, como o açaí de Anori, a mandioca, o pôr do sol no rio Negro, as cachoeiras de Presidente Figueiredo e as águas escuras do rio Marau, em Maués. Somos cercados de tantas cores, texturas e sabores que nem mesmo conseguimos conhecer ou experimentar tudo ao longo da vida.

São tantos peixes, plantas, frutos, chuvas torrenciais, paisagens, etnias e comunidades ribeirinhas! Telas pintadas por ti, que é um Artista exuberante em beleza e glória. Eu só posso agradecer pela tua bondade conosco e te pedir perdão pela minha ingratidão perante a tua misericórdia. Reclamo do calor de Manaus (bem inferior ao de Novo Airão), reclamo das distâncias geográficas, reclamo dos preços das passagens aéreas. Mas pouco tenho te louvado pela revelação divina que há na criação ao meu redor. Há muito a ser contemplado todos os dias e eu peço que mudes minha atitude. De ingratidão para louvor, de murmuração pra verdadeira cidadania.

Jesus, perdoe-me por criticar as autoridades políticas e dedicar-me tão pouco à oração por suas vidas. Perdoe-me por votar a cada dois anos em prefeitos, vereadores, deputados e governadores cujos mandatos eu não acompanho nem fiscalizo como deveria. Já que são meus porta-vozes, eu deveria dedicar tempo e atenção para interceder por eles e averiguar o que estão fazendo em suas respectivas funções. Reconheço minha negligência e peço que o Senhor me ajude a cumprir minha responsabilidade enquanto cidadã, porque isto também deveria te glorificar.

Ao orar pelo meu Amazonas, também sinto grande tristeza ao recordar-me de imagens de injustiça social, violência, fome, pobreza e sofrimento em geral que já vi ao longo da vida. Crianças raquíticas e com as barrigas cheias de vermes; jovens de 20 anos aparentando o dobro da idade; idosos em plena atividade laboral na roça, embora não tenham mais vigor para tal atividade.

Lembro também da gente sofrida nas estações de ônibus, do submundo da feira da “Manaus Moderna”, dos filhos do tráfico criados pela rua e dos homicídios entre índios. Chateio-me ao pensar no desvio do dinheiro que deveria ir para os hospitais, nas fraudes em licitações, nas escolas do interior sem merenda ou sem diesel pra trazer os alunos das comunidades próximas para a sala de aula.

Vejo as cenas desse filme deprimente e me pergunto como retomar a esperança e a fé para agir. Ainda mais quando vejo, todos os dias, venezuelanos desesperados por trabalho ou por ajuda financeira depois de sobreviverem ao inferno “Maduro” e à imigração sem recursos adequados. Caminham horas pela estrada sem poder comer ou dormir.

Honestamente, Pai, a sensação de impotência é latente, mas sei que não há razões pra que ela me domine. Porque sei que o Senhor me escolheu pra ser embaixadora do teu reino aqui. Tenho ouvido a tua voz, desafiando-me a dar o primeiro passo na força do Espírito Santo. Entendo que não posso mudar o Amazonas todo, mas posso abrir o meu coração pra que tu me mudes por inteiro. E assim eu amarei mais o meu povo e aqueles que escolheram essa terra pra recomeçar a vida. Oro pra que Tu continues invadindo meus pensamentos com os teus e, assim, eu reme conforme a missão que designaste a mim. É o que te peço em nome de teu filho Jesus.

Amém!

Foto: Lucia Barreiros da Silva/Flickr

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